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  • 15 hours ago

Som indistinto sem harmonia; estrondo. Rumor causado pela queda de um corpo ou pelo choque entre dois ou mais; barulho. Som de várias vozes ao mesmo tempo; gritaria, tumulto. Os significados que os dicionários nos trazem são vários — e olha que deixamos de fora o uso da expressão no sentido figurado. Aumente o volume, recoste o corpo e ouça. Não, não é para subir o áudio do seu celular ou computador, mas do seu próprio aparelho auditivo. Preste atenção em todo e qualquer ruído.Essa é a proposta deMay HD, uma artista multidimensional. Essa classificação foi criada por ela mesma, pois acredita que sua proposta já ultrapassou os limites dos planos sensoriais desta galáxia e passou a se aventurar por outras tantas.Deve ser por isso, talvez, que a informação sobre ela seja tão difícil de se encontrar na World Wide Web. Se você pesquisa o seu nome, Andrea May, nos serviços de busca online, as opções que surgem à tela variam de uma escritora italiana, uma médica gastroenterologista famosa, até uma atriz de filmes pornôs.O pseudônimo veio, então, para tentar diminuir essa interferência. A sigla HD que acompanha seu sobrenome não tem nada a ver com hard disk drive ou high definition ou download: é abreviação de Happy Downlady. A tradução do inglês sugere uma dama de baixo feliz, mas na verdade ela fala sobre aquilo que incomoda, só que passa despercebido mesmo que esteja debaixo dos nossos olhos. A arte das ruas, nas ruas e para as ruas. A gente já vai chegar na parte do ruído, mas antes disso, senta que lá vem história.Nunca ninguém se opôs à minha escolha pela arte lá em casa, sempre deram muita força. Pensando hoje em dia, em termos mercadológicos, eu não sei se isso foi bom ou foi ruim (risos).Desde pequenininha desenhava para caramba. Filha única à época, vivia enfurnada no seu "mundinho visual". Qualquer dinheiro que recebia ou ocasião na qual ganhava presentes era desculpa para comprar material para as suas obras. Neta de arquiteto e com uma mãe que tinha tendência para o desenho, não foi difícil achar apoio em casa para as "coisas loucas" que fazia."Nunca ninguém se opôs lá em casa, sempre deram muita força. Pensando hoje em dia, em termos mercadológicos, eu não sei se isso foi bom ou foi ruim", diz, aos risos. Pensou até em seguir outra carreira, de serviço social, mas desistiu quando se deu conta que não tinha para onde correr: "eu sou completamente arte o tempo todo". Optou, portanto, pelo curso de artes visuais e ainda na faculdade, entre uma greve e outra, já começou a trabalhar fazendo qualquer tipo de coisa relacionada ao desenho.Se formou, montou uma exposição aqui e ali, morou na Alemanha para aprender o idioma e. quando voltou ao país, no início dos anos 2000, se encantou com um expoente da arte específico: o street art. "Eu pirei, fiquei louca naquilo. Comecei a procurar e trocar ideia com quem já fazia porque meti na cabeça que queria fazer aquilo também."Eu acho que não tinha para onde correr. Eu sou completamente arte o tempo todo.Trocou ideia e resolveu montar o coletivo Colativo, que ia às ruas colar lambe-lambes dos mais diversos. Continuou pesquisando e em meio aos estudos sobre o que a arte urbana estava aprontando nos outros continentes, se deparou com um negócio esquisito. "Nas minhas pesquisas, vez e outra aparecia o diabo de um Toy Art, a galera linkando com o grafite, com a arte de rua. E ninguém ainda tinha feito nada disso aqui no Brasil, só um cara de São Paulo, que fazia uns de madeira. Fiquei pirada com aqueles bonequinhos." A piração foi tanta que ela, que não costurava, resolveu costurar os seus próprios personagens. A falta de talento com a agulha rendeu uns monstrinhos que eram comparados frequentemente com as personagens do diretor americano Tim Burton. Os 100 toys "bem handmaid" que criou renderam uma exposição com direito a projeção e trilha sonora original. Funcionou, e a vertente teve um boom no País. Sem abandonar o primeiro coletivo, criou outro, de Toy Art. "Todo dia eu dava entrevista sobre isso. Eu não aguentava mais. Eu até disse na época: se for para eu ficar rica com alguma coisa, é agora. Mas não foi porra nenhuma (risos)."O intercâmbio com os artistas de outros cantos do País empolgou, e ela resolveu não parar por aí: montou o Ataque +, um projeto de intervenções simultâneas de street art em várias capitais. No dia combinado, os artistas saiam as ruas, trocavam conhecimento e espalhavam suas obras pelas ruas. Na época em que o criador do Instagram deveria estar estudando equação de primeiro grau no colégio, o meio virtual de difusão dessas imagens era o finado Fotolog. No começo dos anos 2000, Andrea já encarava a galáxia da Internet como espinha dorsal das sociedades contemporâneas e criadora de uma aldeia global de ideias. "Eu sempre estive conectada nesse lance de virtualidade, tanto para fazer a arte, quando para difundi-la, estabelecer contato. E eu sempre fui assim, fui uma das primeiras pessoas a ter celular aqui em Salvador – tenho até vergonha de dizer isso (risos). Na minha vida sempre teve essa questão das artes se misturando através das mídias virtuais e eletrônicas."Eu preciso da minha coisa independente, ter a minha métrica, meu compasso, meu ritmo. Eu preciso do meu ritmo próprio para tudo na minha vida.Paralelo a tudo isso, Andrea May sempre manteve também os seus "trampos com o som". Conta que, entre um bico e outro com produção cultural, parou um certo dia e falou: "gente, eu quero fazer música". Em 2 meses já havia composto 30 faixas. Se tocava alguma coisa? "Batia um violão doido." "Eu fui mostrar para algumas pessoas e elas falavam: 'nossa, suas músicas são muito loucas, eu não consigo tocar isso não'", conta, divertida. "Eu tinha facilidade, mas tinha ojeriza de decorar notas. Quando eu tocava eu perguntava: ai, não dá para fazer uma coisa freestyle não? (risos). No fim, acabou que eu não queria mais de jeito nenhum fazer forminha de música, ficar decorando as harmonias ou acordes. A minha compreensão de música tem uma abstração, acho que a gente precisa ser livre. E eu preciso da minha coisa independente, ter a minha métrica, meu compasso, meu ritmo. Eu preciso do meu ritmo próprio para tudo na minha vida". Em busca dessa liberdade de criação, decidiu então juntar sua paixão pelo virtual e se embrenhar com os beats eletrônicos. Segue nessa vertente até hoje, junto ao companheiro Junix11 — guitarrista da banda BaianaSystem —, compondo trilhas experimentais e arranhando de DJ. Entre os projetos que traz na bagagem, estão o "Ipodrido", que é de apodrecimento de sons, e o "luvebox FX", no qual a dupla faz música visual com influências da noise music em livres experimentações.Eu tô sempre nessa busca de conexão, nunca me isolei: 'ah, sou pintura, sou purista'. Tô sempre buscando outras dimensões porque nessa daqui eu já fiz de tudo um pouquinho.Para que possamos finalmente adentrar no grande encantamento da nossa personagem, é preciso que você, leitora, fique a par de uma expressão bem conhecida na Bahia chamada Zoada. Pode ir tirando o cavalinho da chuva, que não tem nada a ver com zoar. Vamos de aplicação numa frase: "Todo mundo fala que eu sou bem zoadenta, em casa toda hora eu derrubo panela, é um horror... Espirro alto, arrasto o chinelo no chão, ave maria!". Zoada, nada mais é do que barulho, ruído, desordem. E é essa miscelânea de sons "fora do lugar" que agora norteiam a obra e as pesquisa da artista."O ruído pode ser um ruído de comunicação, que você acha que entende, mas tem outra conotação, pode ser uma poluição virtual, uma coisa distorcida. Pode ser, quando se pensa em som, um ruído sonoro que incomoda; e no quesito imagem, aquilo que não é linear, que te traga uma perturbação que pode simbolizar um ruído na sua cabeça", explica. Em outras palavras, agora, May HD junta toda a sua inquietação visual, acumulada nos anos de street art pulsante, e suas experimentações sonoro-digitais.O assunto é, inclusive, tema do mestrado da artista, que pesquisa a tradução intersemiótica em processos artísticos da estética dos ruídos. Em suas palavras, a obra parte do fluxo e refluxo dos resíduos, das práticas acumulativas e outros paradigmas, como a efemeridade das coisas. Andrea quer entender os limites da matéria, questionar a fragilidade da superfície e os paralelos entre pertencimento e caos; excesso e precariedade; refugo e poesia visual. Os ruídos da terra como manifestações de poder."O ruído é uma coisa inerente do ser humano e da vida, da terra, do planeta, do universo. E o silêncio pode ser um grande ruído também. Às vezes a pessoa tá calada, quieta, e tá super ruidosa por dentro – em todas as metáforas que o ruído pode simbolizar. O ruído não é só o som, o visual, é um incômodo, um atravessamento de algo, é uma interpretação de cada um, então ele pode ter essa amplidão. Eu acho que fui por um viés verdadeiro em mim."Depois de conversar com o Huffpost, logo ao fim da montagem da sua mais recente exposição Overlook, recebo dela, no celular, a mensagem: "como ficou a matéria? afff deu pra espremer akela gravação? Rsss".Aproveito o espaço para confessar que depois do papo foi difícil voltar a atenção, no áudio capturado, a uma coisa só. Afinal, havia também o barulho do vento, os carros na rua, os ônibus barulhentos, a respiração no microfone do celular, música de rádio tocando nos alto-falantes do café, o bater de copos da mesa ao lado...Ficha Técnica #TodoDiaDelasTexto:Clara RellstabImagem: Juh AlmeidaEdição: Diego IrahetaFigurino: C&ARealização:RYOT Studio BrasilO HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail [email protected] com assunto "Todo Dia Delas" ou fale por inbox na nossa página no Facebook.LEIA MAIS: Débora Garofalo, a professora que ensina crianças a transformar o lixo das ruas Marta Krafta: A bióloga que foi até a Antártida e quer cruzar novos limites Ana Costa, a cadeirante que acelera na leveza e no bom humor Kátia Najara, a autônoma de sangue que é 'empresa de uma mulher só' Thaisa Storchi Bergmann, a cientista cuja vida gira em torno dos buracos negros Aíla Oliveira: A jovem que está vingando pais e antepassados ao avançar na educação Tamires de Souza: Ela venceu dificuldades após se tornar órfã e mãe no mesmo dia

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  • 17 hours ago

Ignorar as diretrizes de consumo de álcool pode cortar anos de vida, segundo nova pesquisa. Uma análise de quase 600 mil pessoas indica que tomar em torno de 175 ml de vinho ou 2,37 litros de cerveja por semana (cinco taças e cinco pints, respectivamente) pode encurtar a vida em seis meses.Consumir mais álcool também foi associado a mais risco de derrames, falências cardíacas e aneurismas fatais, segundo um estudo internacional publicado pela revista científica The Lancet.O resultado dá sustentação às recentes mudanças nas diretrizes sobre consumo de álcool publicadas pelo governo britânico, que recomendam que homens ou mulheres não devem tomar mais de 14 unidades (ou 112 g) de álcool puro por semana. Isso equivale a cerca de seis pints de cerveja (de 4% de concentração de álcool) ou seis doses de 175 ml de vinho (de 13%).A autora principal do estudo, Angela Wood, da Universidade de Cambridge, disse: "A mensagem chave desse estudo em relação à saúde pública é que, se você já consome álcool, beber menos pode ajudar a prolongar a vida e a reduzir o risco de várias doenças cardiovasculares."O estudo analisou pessoas que bebem atualmente, de 19 países diferentes. Nenhuma delas tinha histórico conhecido de doenças cardiovasculares. Identificou-se um aumento em todas as causas de morte quando o consumo de álcool foi superior a 100 g semanais.Uma pessoa de 40 anos que consumiu entre 200 g e 350 g de álcool por semana — de 10 a 18 taças de vinho ou pints de cerveja — tinha expectativa de vida mais baixa: de um a dois anos. Consumir mais de 350 g de álcool por semana pode reduzir a expectativa de vida em quatro a cinco anos.Embora o estudo aponte que o álcool possa estar relacionado a um risco menor de ataques cardíacos não-fatais, os especialistas afirmam que, "no geral", não há benefícios de saúde ligados à bebida."O consumo de álcool está associado a um risco ligeiramente menor de ataques cardíacos não-fatais, mas deve-se levar em conta que aumentam os riscos de outras doenças cardiovasculares — potencialmente fatais", afirmou Wood.Os autores recomendam que os limites de consumo semanal sejam baixados para 100 g, ou 12,5 unidades.As diretrizes britânicas foram alteradas em 2016, passando para 14 unidades semanais para homens e mulheres. O número é inferior ao recomendado por Itália, Portugal e Espanha. O limite superior para os homens americanos é de quase 25 unidades de álcool semanais.Naveed Sattar, professor da Universidade de Glasgow e co-autor do estudo, disse: "Esse estudo oferece evidências claras para sustentar uma redução dos limites de consumo de álcool em vários países".Tim Chico, professor de medicina cardiovascular da Universidade de Sheffield, comentou: "O estudo deixa claro que, no geral, não há benefícios de saúde relacionados ao consumo de álcool, o que costuma ser o caso quando as coisas parecem boas demais para ser verdade.:Victoria Taylor, nutricionista-chefe da British Heart Foundation (BHF), disse que o estudo parece "reforçar" as diretrizes do governo britânico.Mas ela acrescentou: "Isso não significa que devemos comemorar, pois muita gente no país consome regularmente mais que o recomendado."Devemos lembrar sempre que as diretrizes devem funcionar como um limite, não um alvo. A ideia é manter-se abaixo dos números recomendados."O estudo foi financiado por: BHF, UK Medical Research Council, National Institute for Health Research, European Union Framework 7 e European Research Council.*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.LEIA MAIS: 6 alimentos que ajudam a combater a ansiedade Comida di Buteco 2018: Os petiscos que competem no Rio de Janeiro Como o iFood se tornou o maior aplicativo de delivery de comida da América Latina

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  • 18 hours ago

O ar de Nova York estava calmo e refrescante na noite de 14 de abril de 1998. Mas um fogo ardia forte dentro do Beacon Theater, no Upper West Side de Manhattan. Os fiéis estavam reunidos. Uma cerimônia religiosa estava prestes a começar. Seis deusas aguardavam nos bastidores, mas depois de subirem ao palco não precisaram pregar para fazer novos convertidos. Todos as pessoas em sã consciência já tinham se ajoelhado diante de seu altar e continuariam a fazê-lo por vários anos ainda.O evento em questão foi, é claro, o concerto Divas Live, da rede VH1. As deusas eram prima-donas da música pop: Aretha Franklin, Mariah Carey, Céline Dion, Gloria Estefan, Shania Twain e Carole King que cantaram canções de seus respectivos repertórios, juntas e individualmente. A "cerimônia religiosa" foi sucesso enorme de audiência, então no ano seguinte a VH1 ampliou as razões para os fãs entoarem hosanas. Whitney Houston, Tina Turner, Cher e Brandy foram as atrações principais de Divas Live '99, e juntaram-se a elas Mary J. Blige, Chaka Khan, LeAnn Rimes, Faith Hill e um "convidado muito especial", Elton John. O concerto virou o programa de maior audiência na história da emissora, um santo graal para a VH1 e para o mundo.Como pode atestar praticamente qualquer produção em grande escala, colocar pelo menos uma dúzia de grandes estrelas juntas em um mesmo evento é algo que não se faz sem alguns tropeços e polêmicas. Por isso, antes de festejar o vigésimo aniversário do evento, falei com cinco produtores responsáveis pelos três primeiros shows Divas (o de 2000 foi uma homenagem a Diana Ross, com participações de Mariah Carey, Faith Hill, Donna Summer e RuPaul) para ver quantas fofocas eu conseguiria reunir sobre esses eventos cheios de brilho.Vá buscar um balde de pipoca. Ou um pouco de água benta.1. As origens, ou: no primeiro dia, Deus criou CélineNo início de 1998 um executivo da VH1 chamado Wayne Isaak, que passara mais de uma década como guru de publicidade da gravadora A&M Records, estava tentando convencer Céline Dion a cantar num "grande concerto" que seria voltado ao público fundamental da emissora: adultos na faixa dos 24 aos 35 anos, especialmente mulheres, que se reuniam para ouvir canções como Behind the Music, Storytellers e Crossroads.Ao mesmo tempo, Isaak e o resto da equipe de pré-programação da emissora precisavam de uma grande atração para substituir o especial Honors, uma cerimônia sem brilho promovida entre 1994 e 1997 para homenagear o trabalho filantrópico de músicos. Convenientemente, a rede acabara de criar a Save the Music Foundation, organização sem fins lucrativos que doava instrumentos musicais a escolas públicas. A direção da empresa aproveitou a oportunidade para levantar fundos para a ONG e promover um concerto com grandes nomes.Isaak sabia que conseguir convencer Dion a participar, mas Lauren Zalaznick, uma ex-publicitária rematada que acabaria por dirigir a Bravo, defendeu a criação de uma franquia que virasse uma marca própria. Então Isaak propôs The Three Divas, aproveitando a fama do popular grupo de cantores líricos conhecido como Os Três Tenores. A equipe pensou em capitalizar em cima do grande momento que as mulheres estavam tendo na música. Sarah McLachlan havia inaugurado o festival Lilith Fair pouco antes. Missy Elliott e Lil' Kim estavam arrasando no cenário hip-hop. O ápice do mundo das cantoras-compositoras era ocupado por figuras como Alanis Morrissette e Tori Amos. Madonna e Lauryn Hill estavam prestes a lançar álbuns que definiriam suas carreiras. O Grammy de 1999 teria uma raridade: uma categoria Melhor Álbum do Ano em que todas as candidatas eram mulheres.Isaak propôs a Céline Dion formar as Três Divas juntamente com Aretha Franklin e Mariah Carey, e ela teria dado sua aprovação entusiasmada. Com isso, é claro, o conceito ganhou ímpeto rapidamente, virando uma bola de neve. "E se incluirmos Gloria Stefan?" Isaak aventou. "É claro", responderam todas as outras. "E Shania Twain?" Isso já era um pouco mais complicado.Twain já tinha dois sucessos modestos no gênero pop, mas ainda era sobretudo uma atração country. Com seu terceiro álbum, Come On Over, tendo sido lançado em novembro de 1997 e altamente elogiado, sua gravadora queria convertê-la em grande virtuose "crossover", uma perspectiva auxiliada pela VH1, que colocava seus vídeos em rotação frequente. Mas ela ainda não tinha chegado totalmente ao nível das outras divas quando Isaak tentou convencer seus colegas a incluí-la no mesmo show que Aretha Franklin, Mariah Carey, Céline Dion e Gloria Estefan."Eu não queria Shania Twain no show", Zalaznick recordou. "Não achava que ela se encaixava ali com as divas. Mas Isaak me convenceu que ela seria a maior artista daquele ano, e acho que ele teve razão."Quando Divas Live foi transmitido, em abril, a premonição de Wayne Isaak se realizou. You're Still the One foi um megasucesso, convertendo Shania Twain em nome conhecido por todos e sua canção na terceira mais popular do ano, segundo a lista Billboard dos sucessos do final do ano. Na realidade, segundo Isaak, o segmento de Shania Twain foi o quarto de hora que teve a maior audiência do show Divas.Uma vez definidas as participantes – o produtor veterano Ken Ehrlich recrutou Carole King como acréscimo de último minuto --, Three Divas mudou de nome para Divas Live. Conforme o material de divulgação, as mulheres estavam todas em pé de igualdade: o cartaz foi projetado de modo que a cabeça de cada cantora tinha o mesmo tamanho que as outras, segundo Zalaznick. Isso ajudou a acalmar as hesitações dos produtores em relação ao uso do termo "diva", que eles diziam ter a intenção de ser empoderador. "Garantimos que seríamos gentis com elas, que não as trataríamos com ironia", disse Isaak.E assim nasceu um grande espetáculo de muitos gêneros. "De uma maneira estranha, parece que nos antecipamos ao casting do programa 'The Voice', no sentido em que tentamos incluir cada um dos maiores gêneros. Isso era arriscado por que, como o Grammy, em um show que é feito para todos, você às vezes corre o risco de criar um show que não agrada a ninguém", disse Zalaznick. "Decidimos que aquela era nossa melhor chance de fazer algo deslumbrante e ter duetos maravilhosos."2. Luzes, câmeras, ação!Todos os produtores com quem conversei concordaram que montar o elenco do primeiro show Divas foi fácil. Mas encenar o show propriamente dito, que segundo estimativa do empresário Jay Peterson teria custado US$2 milhões, foi mais exaustivo.Ou seja: configurar as exigências de seis artistas diferentes foi complicado. Os ensaios, idem. Cada cantora (nenhuma das quais recebeu cachê por sua participação) trouxe sua própria banda, de modo que o set teve que ser desmontado e remontado em cada intervalo comercial. Assistentes pessoais e publicitários encheram o Beacon Theater nos dias que antecederam o show; a assistente de Mariah Carey ficava ao lado da cantora a todo momento, com uma garrafa de água mineral Evian em uma mão e um pacote de lenços de papel na outra, segundo Sean Murphy, produtor encarregado de cuidar dos detalhes mais práticos do programa.Além da apresentação solo de cada cantora, Mariah Carey subiu ao set de Aretha Franklin para cantar Chain of Foolscom ela, e Céline Dion, Gloria Estefan e Shania Twain fizeram uma colaboração terna com Carole King em You've Got a Friend, sentadas em volta do piano de King como se estivessem recriando um "Kumbaya" moderno.Na grande final da produção, todas as divas estavam juntas, essencialmente cada uma tentando cantar mais que as outras. Elas cantaram You Make me Feel (Like a Natural Woman) e o hino gospel "Testimony", em uma apresentação que pode ser mais bem descrita como Aretha Franklin e suas cinco cantoras de backup. Céline Dion, ícone nova graças ao fenômeno recente que era "My Heart Will Go On", foi a única que teve a coragem ou audácia de tentar fazer sombra a Aretha Franklin – algo que merece ser visto.Preparar o show para ser transmitido ao vivo foi frenético, especialmente quando Aretha Franklin ("Miss Franklin", como ela teria insistido que todos a chamassem) saiu do palco irritada e ameaçou não voltar.Todos os produtores com quem conversei relataram esse incidente incrível, a tal ponto que "imagino que você já tenha ouvido a história de Aretha" virou um refrão comum. Os relatos divergem quanto a se o incidente se deu no dia do show ou no dia anterior. Seja como for, Miss Franklin, que viera de ônibus de Detroit porque ela se recusa a viajar de avião, fato que já é amplamente conhecido, chegara para os ensaios fazendo uma exigência firme, transmitida por seu empresário. "Desliguem o ar condicionado do edifício quando Aretha for cantar – não faz bem para as cordas vocais dela".Mas, quando Aretha Franklin subiu ao palco, ela parou de repente. "Todo o mundo faça silêncio, por favor", ela ordenou, segundo Isaak. Levantando a mão no ar, ela percebeu que o ar condicionado estava ligado, sim. "Ela teve um ataque de raiva, saiu do palco, entrou num carro e foi embora", contou Isaak.Há relatos divergentes quanto à razão porque o pedido da diva não foi atendido. Segundo Murphy, o Beacon Theater estava testando o ar condicionado naquele dia. na versão de Zalaznick, o ar condicionado estava desligado, sim, e o auditório tinha virado uma sauna. "As outras cantoras ficaram horrorizadas" com o calor, ela recordou. Seja como for, ninguém sabia ao certo se Miss Franklin voltaria a tempo para o espetáculo ao vivo. Seguiram-se telefonemas frenéticos. As pessoas lambiam os dedos e os levantavamno ar, tentando detectar brisas indevidas. Os produtores acabaram sendo informados que Aretha tinha voltado ao hotel e estava experimentando vestidos, sinal de que pretendia, sim, se apresentar conforme o previsto."Havia coisas descendo do monte Sinai", disse Zalaznick, brincando. "Não sabíamos se Aretha ia voltar. Mas de repente as nuvens se abriram, as Tábuas da Lei foram entregues, e soubemos o que ia acontecer. Para mim, pareceu muito misterioso e doido."Ainda havia um problema, porém. "Ela está comendo donuts polvilhados de açúcar, e os vestidos estão ficando cobertos de açúcar", a stylist do show, Cary Fetman, teria contado a Murphy (representantes de Aretha Franklin não responderam a nossos vários pedidos de comentários).Com ou sem açúcar polvilhado, Aretha Franklin compareceu ao teatro e arrasou em um espetáculo que virou uma homenagem às suas décadas de reinado do soul. Quando apresentou Mariah Carey para fazer dueto com ela em "Chain of Fools", Aretha chegou a ironizar a debacle: "Não pudemos ensaiar hoje, então minha amiga mais recente veio para meu trailer, a gente se sentou atrás e teve uma conversa de garotas"."Acho que colocamos o ar condicionado do teatro no frio máximo", contou Zalaznick. "E então desligamos antes de Aretha Franklin subir ao palco para cantar e talvez de novo antes da final. Ou talvez a gente tenha dito que desligou, mas não desligou."3. E a coisa foi crescendoEm 15 de abril de 1998, nasceu uma franquia. "Sabe como é: aqui é a América, a gente sempre tem que fazer mais", explicou Isaak. Zalaznick concorda. Jeff Gaspin, produtor que tinha aprovado "Pop-Up Video", confirmou: "Tentamos chamar toda artista mulher que tivesse alguma presença. Naquele momento, virou uma questão mais de quantidade."Planejando a segunda edição do show, os produtores começaram com os maiores nomes das divas contemporâneas: Tina Turner foi a primeira a confirmar sua participação (após uma hesitação inicial, porque ela não estava em turnê naquele momento), seguida pouco depois por Whitney Houston, Cher e Brandy como as outras atrações principais, com Whitney, que estava vivendo um renascimento musical, fazendo o papel de "âncora" do espetáculo, mais ou menos como Aretha Franklin fizera no ano anterior. A única grande diva que o VH1 não conseguiu atrair, segundo a recordação coletiva dos produtores, foi Madonna, que tinha sido presença crucial no VH1 Fashion Awards, onde recebera um prêmio de homenagem."De quem foi a ideia das 'Divas'?", Madonna teria perguntado a Isaak enquanto se preparava para o Fashion Awards em sua casa. Quando ele admitiu que a responsabilidade sua, "ela virou o rosto com uma expressão de repulsa", ele contou. Então Isaak achou melhor não "suplicar" a participação de Madonna, assim como achou melhor não pedir a de Sheryl Crow, que naquela época não estava querendo ser vista como "diva" (ela era mais uma rainha do Lilith Fair).Hoje Zalaznick lamenta essa omissão. "Não chamamos Madonna! Que heresia!", ela comentou. "O que eu tinha na cabeça?"Quando as divas "mais jovens" foram incluídas no elenco – LeAnn Rimes, Faith Hill e Mary J. Blige (além de Chaka Khan e Elton John)--, os produtores optaram por encher o show de duos e trios esfuziantes. Elton John e Tina Turner apresentaram The Bitch is Back (canção de Elton da qual Tina Turner fizera um cover em 1978), e então Cher se juntou a eles em Proud Mary. LeAnn Rimes cantou com Elton John em "Written in the Stars", o single de sucesso deles do musical "Aida". Brandy e Faith Hill cantaram um cover do melodramático (Everything I Do) I Do It For You, de Bryan Adams. Whitney Houston colaborou com sua colega Mary J. Blige em Aint't No Way, e sua filha, Bobbi Kristina, se sentou sobre o palco e recitou alguns versos de My Love Is Your Love. Brandy, Faith Hill, Mary J. Blige e LeAnn Rimes se juntaram a Whitney Houston e Chaka Khan em I'm Every Woman, uma final mais bem descrita como Whitney Houston e suas cinco cantoras de backup.Mas colaborações podem ser coisas complicadas. Por exemplo, você sabia que Elton John e Tina Turner estavam organizando uma turnê conjunta, até que um desentendimento que tiveram durante os ensaios para "Divas Live" mudou seus planos? Essa é outra saga da qual todos os produtores se recordam bem.Enquanto ensaiavam "The Bitch Is Back" e "Proud Mary", com Tina Turner ao microfone no centro do palco e Elton John sentado ao piano mais atrás, Tina ofereceu alguns comentários sobre a parte instrumental de Elton. Dizem os relatos que os dois começaram a discutir e que Tina pediu a Elton para tocar "Proud Mary" de outro jeito. "Ele se levantou, fechou o piano e disse 'eu não sou um pianista qualquer de merda' e saiu do palco, furioso", contou Murphy. "Levou metade de um dia para a gente convencê-lo a se acalmar. Ele estava uma fera. Já tínhamos feito outros shows com Elton, e a gente sempre se perguntava 'quem vai ser, o Elton bom ou o Elton mau?'. Ele é muito volúvel. Naquele dia ele estava de mau humor, então quando Tina começou a tratá-lo como se ele estivesse apenas fazendo o acompanhamento, ele perdeu as estribeiras."Tina Turner acabou indo ao trailer de Elton John. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu lá dentro, mas pouco depois a porta se abriu e os dois voltaram ao palco. O show ia continuar. Elton John pediu desculpas à equipe técnica, segundo Murphy, mas ele e Tina Turner cancelaram a turnê que pretendiam anunciar após o "Divas Live". Tina Turner falou do incidente em entrevista à CBS em 2000: "Cometi um erro quando quis lhe mostrar como tocar 'Proud Mary'. Meu erro foi que não se mostra a Elton John como ele deve tocar seu piano." (Um representante de Elton John não respondeu a nosso pedido de declarações.)Revendo o show hoje e sabendo que o duo tinha acabado de se desentender, temos que reconhecer a maestria de Tina Turner e Elton John. Não se percebe o menor indício de que eles brigaram. Elton cede o palco a Tina Turner na maior parte do tempo – afinal, ele não era uma das atrações principais – e beija a mão dela ao final, numa despedida que ficará na história.E que os desentendimentos se danem: a audiência foi fenomenal. Os discípulos acudiram em massa para assistir aos sermões de suas sacerdotisas. Depois de "Divas Live" de 1998 ter se tornado o programa de maior audiência na história da rede, o de 1999 quebrou esse recorde, atraindo 2,4 milhões de espectadores na noite de estreia.4. O resto é históriaEm 2000, Divas já era suficientemente famoso para permitir que o VH1 mudasse seu formato um pouco, convertendo sua terceira edição em uma homenagem oficial a Diana Ross. O evento imediatamente perdeu um pouco de sua verve. Os produtores cancelaram a transmissão ao vivo, o que acabou sendo uma benção porque o espetáculo levou exaustivas cinco horas e meia para ser filmado, em parte porque Ross (descrita especificamente como "Miss Ross", por exigência dela) levou 20 minutos para cada troca de figurinos entre uma música e outra, segundo Murphy. Parte do público, cansado, começou a abandonar o auditório. Os produtores cortaram algumas das colaborações previstas – a atração principal foi dada por Mariah Carey e Diana Ross, que cantaram "Baby Love" e "Stop! In The Name Of Love" – e desperdiçaram sua fonte de bênçãos religiosas.Os produtores concordam que a homenagem a Diana Ross foi um desastre logístico. A cantora tinha pedido um sistema de som que não funcionou a contento. Ela perambulou no meio da platéia na metade do espetáculo, apesar de as câmeras e a iluminação não estarem configuradas para essa mobilidade. Mesmo assim, os números de audiência foram impressionantes. Todos os produtores concordam que foi um enorme prazer trabalhar com Donna Summer e Faith Hill. Enquanto isso, as integrantes do Destiny's Child, que só iriam lançar "Survivor" um ano mais tarde, ficaram felizes apenas por ser incluídas (como é bom ouvir uma fofoca positiva de vez em quando!). "O Destiny's Child participou do show. Elas estavam tão emocionadas por participar que Beyoncé me contou: 'Estamos ensaiando há quinze dias no hotel'", contou Isaak. "Esse foi o molho secreto: levar as pessoas a fazer uma coisa que elas realmente queriam fazer."Daquele momento em diante, porém, Divas Live perdeu um pouco de sua magia. A edição de 2001 foi uma homenagem a Aretha Franklin – isso já tinha sido feito antes --, e os anos seguintes incluíram figuras que decididamente não eram divas: Kid Rock, Backstreet Boys, Bobby Brown. Mesmo assim, a franquia conseguiu conservar duos deliciosos: Dixie Chicks e Stevie Nicks cantando Landslide, Beyoncé e Jewel apresentando Proud Mary, Patti LaBelle cantando Lady Marmalade com Jessica Simpson e Cyndi Lauper.Divas foi apresentado anualmente até 2004, depois fez uma pausa até 2009, quando seu elenco favoreceu não tanto cantoras clássicas quanto artistas mais contemporâneas. Entre 2009 e 2012, Adele, Katy Perry, Kelly Clarkson, Miley Cyrus, Nicki Minaj, Sugarland, Florence Welch e Ciara estiveram entre as atrações principais. E, embora nada pudesse recapturar a magia dos dois primeiros "Divas", na era pós-Lilith Fair o show continuou a ser um dos principais espaços para cantoras de primeira grandeza se reunirem em um evento musical extravagante e diverso. "Divas" voltou em 2016 para um show especial de fim de ano com Mariah Carey, Chaka Khan, Vanessa Williams, Patti LaBelle e Teyana Taylor.A paisagem sobrecarregada da cultura pop de hoje não consegue converter um evento como Divas Live no milagre que foi nos anos 1990: as artistas não dependem tanto de apresentações promocionais transmitidas pela televisão, e uma rede como a VH1 não tem condições de investir milhões de dólares em transmissões que não têm a garantia de gerar audiência exemplar."Essas coisas às vezes se perdem, são relegadas à história", comentou Zalaznick. "Os programas mais diretos e de longa duração permanecem no cânone histórico, mas não experiências do tipo de Divas Live, que tiveram valor inacreditável por muitas razões."Os devotos jamais esquecem.LEIA MAIS: Beyoncé no Coachella: Insuperável show da cantora faz público vibrar por 'Beychella' O documentário de Lady Gaga é uma espiada divertida e fascinante nos bastidores da cantora

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  • 18 hours ago

Como diriam os antigos, pelo menos aqui no sul do País, "faço um jogo" como você já participou de pelo menos uma reunião desnecessária.Eu já participei. De várias.Você e seus colegas param suas atividades, independente do que estejam fazendo ou dos prazos dos projetos que tenham que entregar, perdem tempo e, geralmente, ouvem um monólogo daquele(a) chefe conhecido(a) por falar o óbvio.Quem nunca, né? (Essa é a hora que você envia o link desse artigo para seus colegas de trabalho).Na última semana presenciei uma cena que me trouxe algumas memórias. Memórias que quase me fizeram bocejar.Estava eu numa loja de uma dessas ~ótimas~ companhias de telefonia brasileira, já que não obtive êxito ao tentar cancelar um plano pelo celular, quando percebi que atrás do balcão havia uma salinha com paredes de vidro onde quatro funcionários assistiam um vídeo num tablet enquanto do outro lado da mesa uma mulher, que imagino ser a gestora desse pessoal, olhava algo no celular.Como o atendimento demorou um bocado, consegui espiar o que aconteceu após eles assistirem o vídeo. Reunidos em forma de círculo, cada um parecia explanar suas impressões sobre o que havia sido apresentado.Obviamente não faço ideia do conteúdo do tal vídeo, porém, já participei de reuniões do tipo e sei o quanto elas são improdutivas. O(a) chefe reune a equipe, mostra um vídeo bonitinho motivacional e pergunta o que cada um aprendeu com aquilo ali.Ok, talvez eu tenha usado um exemplo extremo de perda de tempo, mas, e aquelas reuniões onde cada membro da equipe deve apresentar uma ideia sobre determinada coisa e, no final, o que vale é o que o(a) chefe já havia pensado? Manda e-mail então, pô. Ou utilize um app de mensagens instantâneas – spoiler: você pode enviar até áudios!É claro que algumas reuniões são essenciais. E e-mails podem ser mal interpretados – ou mal escritos. Mas, lembre-se que tempo é dinheiro. Será que você está, realmente, utilizando o seu tempo e o da sua equipe de maneira produtiva?Não me responda. Apenas reflita.O que eu acho:As reuniões se tornaram algo tão banal que muitas pessoas não as respeitam mais – e eu as entendo totalmente por isso.E que sugestões eu dou para mudar isso?Bom, em primeiro lugar, não vou te chamar para uma reunião. É só continuar lendo aqui – o que pode ser uma baita perda de tempo para você, não te garanto nada.Porém, essas três dicas abaixo talvez te façam recuperar o respeito da galera – sim, você deveria ver a cara que eles fazem quando chega um e-mail seu com o assunto "Reunião"...Vamos lá? Não é nada pessoal. Eu juro.1 - Considere não ter uma reuniãoSim. Começa por aí. O primeiro passo para ter uma reunião produtiva é considerar se ela é realmente necessária.Defina o objetivo do possível encontro. Se perceber que o assunto não precisa ser discutido presencialmente (e você perceberá que isso acontecerá com frequência), envie um e-mail e deixe sua equipe trabalhar em paz.2 - Chame apenas quem realmente precisa estar aliOutra coisa que me irritava muito era ser chamado para reuniões em que eu realmente não precisava estar presente.Tanto faz sua reunião ter cinco ou vinte funcionários: não é o número de pessoas que fará ela ser ou não produtiva.3 - Defina os tópicos – e avise seu pessoal por e-mailVocê já foi numa reunião onde não sabia o assunto a ser tratado? Geralmente são aquelas que você fica sabendo em cima da hora quando te chamam num corredor.Se você definiu o objetivo da reunião e listou quem realmente precisa estar presente, use o e-mail para enviar os tópicos que devem ser debatidos. Isso economiza tempo desnecessário de conversa fiada e ainda possibilita que sua equipe se prepare melhor para o encontro.E o que você pensa sobre o assunto?Me fala nos comentários. Lembrando que você não precisa me xingar se não concordar com a minha opinião.*Texto publicado originalmente no blog matheusdesouza.com.*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.LEIA MAIS 6 dicas para ter uma rotina pela manhã que melhore a produtividade Estes 9 hábitos aparentemente inocentes estão destruindo sua produtividade no trabalho 7 dicas valiosas para deixar o medo e investir na produtividade

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  • 18 hours ago

Hoje é um dia muito especial para a Família Real. Nasceu o 3º bebê de Kate Middleton e do princípe William na manhã desta segunda-feira (23).Ele é um menino de 3,8 kg e ainda não teve o seu nome divulgado. Mãe e filho estão bem, de acordo com informações do Palácio de Kensigton.Her Royal Highness The Duchess of Cambridge was safely delivered of a son at 1101hrs. The baby weighs 8lbs 7oz. The Duke of Cambridge was present for the birth. Her Royal Highness and her child are both doing well. — Kensington Palace (@KensingtonRoyal) 23 de abril de 2018A Duquesa de Cambridge foi hospitalizada nessa manhã para o trabalho de parto. Admiradores estão levando flores até a porta do hospital de St. Marry, em Londres, em homenagem ao bebê.Her Royal Highness The Duchess of Cambridge was admitted to St. Mary's Hospital, Paddington, London earlier this morning in the early stages of labour. The Duchess travelled by car from Kensington Palace to the Lindo Wing at St. Mary's Hospital with The Duke of Cambridge. — Kensington Palace (@KensingtonRoyal) 23 de abril de 2018O novo herdeiro receberá o título de príncipe de Cambridge, ao lado dos irmãos mais velhos George e Charlotte.O menino é o 5º na linha de sucessão do trono Real, após o seu avô, o Príncipe Charles, o seu pai, Príncipe William e os seus irmãos, Príncipe George e Princesa Charlotte. Ele dificilmente chegará a ocupar o trono.LEIA MAIS Família Real britânica divulga primeiras fotos oficiais do noivado de príncipe Harry e Meghan Markle Família real britânica divulga foto para o cartão de Natal Como Príncipe Harry e Meghan Markle já estão revolucionando o 'protocolo' da Família Real

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  • 20 hours ago

Em uma estratégia a fim de dominar o debate sobre a descriminalização do aborto, a bancada da Bíblia aprovou 4 requerimentos para convidar nome contrários à interrupção da gravidez para discutir o assunto no Congresso Nacional.Na semana passada, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados aprovou um pedido para fazer um seminário a fim de discutir a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 444 que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal). A ação pede a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, período considerado seguro para a mulher.Apresentado pelo deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), um dos principais nomes da bancada evangélica, o documento pede que sejam convidados 10 especialistas, todos contrários aos direitos reprodutivos. Também está na lista um representante do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política, além da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, da advogada-geral da União, Grace Mendonça, e do advogado-geral do Senado, Alberto Cascais.Especialistas convidados pela Bancada da Bíblia para debater abortoDra. Angela Vidal Gandra Martins, Pesquisadora na Harvard Law School e Professora de Fundamentos Antropológicos do Direito.Dom João Bosco, Presidente da Comissão Vida e Família da CNBB.Padre Rafael Solano, Mestre e doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e pós-doutorado em Teologia Moral e Familiar pelo Pontifício Instituto João Paulo II de Roma, Universidade Lateranense de Roma. Professor de Teologia Moral e Bioética na PUC (PR), Campus Londrina.Dr. Leslei Lester dos Anjos Magalhães, advogado da União, mestre em Direito Constitucional, autor do livro: "O princípio da dignidade da pessoa humana e o direito à vida, editora Saraiva, 2012;Professora Lília Nunes dos Santos – Advogada e professora de direito. Mestre em Direitos Humanos pela Universidade Católica de Petrópolis - UCP, consultora jurídica do Centro Especial de Orientação à Mulher de São Gonçalo, com formação em bioética pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC/RJ e especialista em processo civil e empresarial pela Universidade Veiga de Almeida – UVA;Dr. Elival da Silva Ramos, professor da USP/SP, procurador geral aposentado do Estado de São Paulo, Mestre e doutor em Direito do Estado e livre-docente em Direito Constitucional pela USP;Dr. Henrique Lima, procurador do ministério público de contas do estado do Rio de janeiro, graduado em direito pela universidade do RJ, tem experiência na área de direito com ênfase em Direito Público, mestrando em filosofia pela UFRJ;Dra. Liliana Bitencourt, juíza de direito da Vara de Família do Goiás, membro da entidade Rede Nacional de Direitos e Defesa de Família;Dr. José Paulo Leão Veloso Silva, procurador de Sergipe, lotado na Procuradoria Especial do Contencioso Fiscal, graduado pela Faculdade de Direito Cândido Mendes do Rio de Janeiro;Pe. Evandro Arlindo de Melo, chanceler da Diocese de Palmas-PR;Na justificativa, Sóstenes afirma que a ação no STF é uma usurpação de poder do Poder Legislativo por parte do Judiciário. "Não há inconstitucionalidade a ser declarada, e essa tentativa é um flagrante desrespeito que turba a organização dos poderes e uma clara usurpação de competências", escreveu.A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou o requerimento, mas estabeleceu que deve haver participação equânime de expositores com opiniões diversas sobre o tema.Pedido idêntico foi aprovado também na quarta passada (18) na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. Apresentado por Diego Garcia (Podemos-PR), relator do Estatuto do Nascituro, o documento é assinado por Sóstenes e por outros deputados conservadores, como o relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Cavalo de Tróia, que inviabiliza o aborto mesmo nos casos previstos em lei, Tadeu Mudalen (DEM-SP), e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).Em conjunto, foi aprovado requerimento da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que pede a inclusão de entidades a favor dos direitos reprodutivos. Estão na lista as Católicas Pelo Direito de Decidir, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Grupo Curumim, Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher e Anis Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.Na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara, por enquanto, o debate está nas mãos da bancada religiosa. Requerimento com o mesmo texto foi aprovado também nesta quarta-feira, mas sem a contrapartida de representantes do outro lado.No Senado, texto idêntico foi apresentado pelo senador Magno Malta (PR-ES), pastor evangélico, na Comissão de Direitos Humanos. O pedido foi aprovado, com a ressalva de garantir ampla participação no debate, incluindo mulheres.O instituto Anis é autor, junto com o PSol, da ação no STF. Na ação, as advogadas autoras do pedido afirmam que a proibição é ineficaz e que o Estado brasileiro, em última instância, acaba sendo conivente com práticas semelhantes à tortura às quais as mulheres se submetem para interromper a gestação.O aborto só é permitido em caso de estupro, risco de vida da mulher ou feto anencéfalo. De acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto 2016, 503 mil mulheres interromperam voluntariamente a gravidez no País em 2015.Relatora da ação, a ministra Rosa Weber determinou a realização de uma audiência pública no STF sobre o tema. O debate está previsto para o início de junho, mas ainda não tem uma data marcada.PEC Cavalo de TroiaNa comissão especial da PEC 181, que inviabiliza o aborto inclusive nos casos previstos em lei, foi adotada a mesma estratégia pela bancada conservadora. Há registros de apenas 3 audiências públicas no colegiado. Nas reuniões, todos especialistas ouvidos eram contrários à descriminalização do aborto, de acordo com o parecer de Mudalen.Entre eles, estavam integrantes da Rede Nacional em Defesa pela Vida e da Confederação Nacional das Entidades de Família (CNEF), além de Caio de Souza Cazarotto, autor de dissertação intitulada "O direito à vida do Nascituro: em busca da efetividade do direito".Conhecida como PEC Cavalo de Troia, já que inicialmente tratava da licença-maternidade de bebês prematuros, a proposta teve seu texto-base aprovado em novembro, com 18 homens a favor e uma mulher contra. A comissão não concluiu a votação dos destaques. Após essa etapa, o texto está pronto para o plenário, onde são necessários 308 votos, em duas sessões, para seguir para o Senado.Trecho do parecer de Mudalen prevê uma alteração do texto constitucional para estabelecer que a vida começa na concepção. Se a emenda à Constituição for aprovada, ela pode levar a um questionamento no STF e eventualmente a um retrocesso para o aborto legal, previsto no Código Penal.LEIA MAIS Nove meses de luto: 7 mil grávidas são obrigadas a velar seus filhos por ano no Brasil Como é receber a conta a pagar por sofrer um aborto espontâneo

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  • 1 day ago

Mas no Centro? Como é morar no Centro de São Paulo? Essa é uma pergunta que ouvimos algumas vezes quando contávamos para os amigos o nosso novo endereço. É uma pergunta que vem em diferentes tons, a depender do quão bem informado é o autor.Se for antenado com o que está acontecendo na cidade, com as transformações da metrópole que se reinventa a cada dia, o tom será de curiosidade genuína, fruto de quem já percebeu o movimento e também vem pensando em participar dele. É gente que está antenada e gosta de novidade, da vida urbana e suas facilidades.Outras vezes o tom é de desconfiança, quase uma crítica — e aí a gente já sabe que a pessoa parou no tempo, ainda tem informações do fim do século passado e, mesmo sem ver, sai por aí dizendo que o Centro "é um lixo".É verdade que o poder público ainda não acordou para suas responsabilidades e para a necessidade de cuidar da cidade de verdade, mantendo calçadas e ruas limpas e sem buracos.Mudança pelas pessoasSe as coisas estão mudando para melhor no Centro de São Paulo, não é por conta de uma ação coordenada do governo. Ela se deve às pessoas. Que estão montando negócios interessantes na região — seja patrocinando centros culturais em edifícios históricos, seja montando bares e restaurantes que agradam não apenas à vizinhança, mas deslocam paulistanos de outras partes da cidade para lá. Alguns, na verdade, atraem gente de todo o Brasil e até de fora.É justamente isso o que atrai no Centro: a imensa oferta de tudo, bem ali, ao alcance dos pés. Tem loja popular ao lado do restaurante do chef estrelado. Tem padaria pra comer pão na chapa, mas também tem boulangerie com pão de fermentação natural. Tem teatros alternativos, mas também tem show de figurões. Tem aquela lanchonete que praticamente inventou o sanduíche na cidade e tem hamburgueria moderninha.E tem também morador de rua, camelô, tem o senhor que vende plantas no carrinho, tem de tudo. Gente de todas as partes do Brasil e do mundo — igualzinho nossos antepassados europeus, que chegaram aqui há pouco mais de um século, em busca de oportunidade e uma vida melhor. Só que esses, agora, são chamados de refugiados.O Centro tem também — e isso é uma surpresa para muita gente — muito verde e áreas abertas, oásis no meio do trânsito caótico da metrópole. Apenas para citar alguns: a Praça Dom José Gaspar, ao lado da Biblioteca Mário de Andrade (e a própria biblioteca) e em frente à parisiense Avenida São Luiz, o Vale do Anhangabaú, um dos lugares mais lindos do Centro, o Copan e sua diversidade de lojinhas, cafés, restaurantes e bares, mistura de espaço público e privado que é uma delícia.E o mais legal de todos: a Praça Roosevelt. Reformada e entregue em 2012, a praça foi aos poucos ganhando sua identidade. Eclética, com públicos que se revezam ao longo do dia — e da noite —, é frequentada por públicos distintos, de moradores com seus pets a skatistas de toda a cidade, além de artistas e jovens que ressuscitam o tradicional encontro na praça de outras épocas. Todos dividindo e compartilhando o espaço público, apesar dos esforços de uma minoria de expulsar a diversidade do local. O agito noturno contrasta com a tranquilidade e o silêncio que reina por ali durante o dia.E para mostrar essa São Paulo que muita gente não conhece, onde moradores passeiam com seus cachorros, conhecem e cumprimentam e o lazer é facilitado pelas inúmeras opções que podem ser percorridas em caminhadas de 10 ou 15 minutos, resolvemos fazer uma série de vídeos. Melhor do que contar é mostrar.Este primeiro video traz depoimentos de quatro pessoas: Ivam Cabral, ator, diretor e dramaturgo premiado, cofundador da Cia de Teatro Os Satyros, o casal Débora Suconic e Celso Fonseca, respectivamente acupunturista e jornalista, e a atriz e advogada Lorena Garrido. Todos escolheram o Centro para morar.Quer saber como é? Assista aqui:*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.LEIA MAIS: Por que você vai refletir, rir e chorar com a nova peça dos Satyros Edgard Villar, do Rinconcito Peruano, é o rei da comida peruana em São Paulo São Paulo: Uma cidade para os carros ou para as pessoas?

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  • 2 days ago

Que o casal Fátima Bernardes e Túlio Gadêlha é o mais shippado deste ano não é novidade para ninguém. Prova disso é o Carnaval apaixonado no Rio e em Pernambuco. E tantas declarações de amor via Instagram.Mas a entrevista de Túlio à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (22) mostrou claramente o que pensa o político e ativista de esquerda sobre o relacionamento com a jornalista."Acho que há um pouco de machismo nisso de atribuir só a mim o momento atual dela... Eu já encontrei ela assim; realizada profissionalmente, pessoalmente", disse no texto na coluna de Mônica Bergamo. Foi uma referência dele aos comentários sobre a fase badalada de Fátima. Pelo visto, a apresentadora aprovou as declarações do namorado. Ela postou no Instagram a imagem da coluna, acompanhada de um coração:❤️A post shared by Fátima Bernardes (@fatimabernardes) on Apr 22, 2018 at 7:59am PDTE não foi só Fátima que amou o pensamento do namorado dela contra o machismo. Diversas seguidores da apresentadora deram seu recado. Acompanhe algumas das declarações do fã-clube deste casal:Lilia Campos:"Fátima Bernardes, fico muito feliz em lhe ver tão bem! Mas não posso deixar de parabenizar seu amor, Túlio, por esta reportagem!! Sensibilidade demais!! Um homem traz, sim, felicidade a uma mulher, mas se ela estiver bem consigo mesma!! Isso você nos mostra todos os dias!! Felicidades ao casal!!"Cida Timboni:"Lindos!!! O mundo tá precisando de leveza na alma... Inveja boa!!!"Keila Sanchez:"Por que uma mulher não pode ser feliz depois de ter acabado um casamento?? O que impede ela de reconstruir sua vida??? Adoro você, Fátima. ❤️Felicidades ao casal!"Jana Braga:"Claro que Fátima é poderosa por ela mesma. E é uma grandeza do companheiro reconhecer isso. Parabéns aos dois."Sandra Pessoa:"Ele tem meu Respeito! Complementando...Ela está PLENA porque decidiu estar PLENA!"Jeane Silva:"Essa declaração foi tão importante e necessária. Fatinha é um mulherão da [email protected] e não precisa de ninguém pra ser o que é. Ela precisa apenas DELA. E você, Túlio, cada dia mais prova que é um homão da [email protected] por entender isso e falar pra todo mundo, sim. Ainda bem que Deus juntou vocês. Felizmente eu amo um casal que se completa ❤"Com essa torcida e tanto carinho dos fãs, o amor de Fátima e Túlio só multiplica! LEIA MAIS: Fátima Bernardes. Túlio Gadêlha. E as provas de que não se deve perder a fé no amor 10 vezes em que as dancinhas de Fátima Bernardes roubaram a cena no 'Encontro' 'Encontro': Fátima Bernardes prova que tem talento e dança muito com Ludmilla em programa

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  • 2 days ago

Uma máquina de refrigerante, um carrinho giratório — que toca música da Frozen, super-atual —, uma mão-mecânica e um aspirador de pó. Tudo feito com materiais recicláveis. Ela traz os objetos em uma sacola, com muito cuidado. Expõe com orgulho, frisa que tudo funciona. Acha lindo, dá para ver. Cada uma dessas criações foi feita por alunos da escola pública em que Débora Garofalo, 38 anos, dá aula na zona sul de São Paulo.Há 3 anos ela atua como professora orientadora de Informática Educativa e trabalha robótica com o uso de materiais recicláveis encontrados na Cidade Leonor. "Eu dou aula em uma comunidade muito carente, não tem saneamento básico, tem um problema sério de acúmulo de lixo e achei que podia dar uma solução nisso e que poderia partir das crianças."Com essa visão de que poderia usar a comunidade como material de estudo, digamos assim, levou os alunos para fora da escola. "A gente fez algumas aulas públicas na rua, e trazíamos esses materiais recicláveis para a sala de aula e nasceu esse projeto de robótica com sucata, dando uma destinação a esse material que era descartado e também aumentando a sensibilidade da comunidade em relação ao lixo." Segundo Débora, o projeto já retirou mais de 500 kg de sucata das ruas do bairro. E, nas mãos dos alunos, muita coisa ganhou outro destino — e uma nova função. ​​​​​​[Este projeto] quebrou um pouco a ideia de que tudo tem que ser na sala de aula, fechada, todo mundo sentado. Eles viram que podem colocar a mão na massa, ir para o chão, testar. Isso está mudando a cara dessa comunidade.No começo muita gente criticou a ideia. As próprias crianças não viam muito no que isso ia dar. A primeira criação foi um carrinho movido a bexiga. Quando a turma viu o veículo funcionar, foi uma festa. E as coisas começaram a mudar. "Eles não enxergavam o potencial do material. Mas aos poucos isso foi mudando, dá mais significado ao trabalho delas e quebrou um pouco a ideia de que tem que ser tudo na sala de aula, fechada, todo mundo sentado. Eles viram que podem colocar a mão na massa, ir para o chão, testar. É bonito de ver e vem mudando a cara dessa comunidade."Além disso, esse projeto une diferentes frentes de discussão em classe. "Agregamos vários áreas do conhecimento. Falamos de questão ambiental, matemática para fazer um eixo para o carro girar, houve uma interdisciplinaridade. E pegar um problema social, a questão do lixo, e ter a possibilidade de mudar isso um pouco e integrar a comunidade é muito legal. Quis mostrar que eles podem intervir na comunidade deles e ter um resultado positivo."Hoje, Débora trabalha com cerca de 1.000 crianças na escola em que leciona e conta que é procurada por outros professores para falar sobre o projeto e fazer oficinas sobre a disciplina. É tudo que ela sempre quis.​​​​​​Queria ficar em escola pública, porque é onde eu achava que podia transformar.Quando era criança, Débora andava para cima e para baixo com sua lousinha pronta para ajudar os colegas de classe. Já dava sinais do que faria quando pudesse escolher. Aos 13 anos, arrumou seu primeiro emprego e trabalhava com recreação em uma escola. Dali fez magistério e foi estudar letras. Afastou-se um pouco da sala de aula por necessidade, mas logo retomou o plano. "Queria conhecer outras coisas e o salário [em escola] não dava para pagar a faculdade e fui para banco, trabalhar em indústria, mas queria ficar em escola pública, porque é onde eu achava que podia transformar. Então fiz concurso e ingressei no Estado. Por muitos anos trabalhava na indústria durante o dia e dava aula no EJA (Educação de Jovens e Adultos) à noite." Mas, em 2008, decidiu que queria se dedicar somente a educação e foi o que fez.​​​​​​Quero que eles despertem para esse protagonismo que eles podem ter.Desde 2015, o seu foco é o projeto de robótica e não poderia estar mais feliz com o seu trabalho e o reconhecimento como educadora que tem recebido. Débora participa de eventos, palestras, congressos. E vê ali mais um motivo para continuar com isso. "A maioria desses congressos só tem homem. Então vejo que eu estar ali também serve como um exemplo para as minhas meninas porque elas não foram criadas para isso [trabalhar com tecnologia e robótica]. É importante porque podem sair da minha aula mulheres cientistas. O trabalho também vai por essas outras vertentes. Quero que eles despertem para esse protagonismo que eles podem ter." O poder de transformar uma garrafa pet em um aspirador de pó. A força de criar algo do zero. Esses pequenos feitos que, para ela, podem mudar uma comunidade e o futuro dos alunos, sem querer ser pretensiosa. Mas Débora acredita. Leva hoje, embaixo do braço, essa sacola com criações para mostrar para as pessoas. Uma versão atualizada da sua pequena lousa da infância, sempre preparada para ensinar e ajudar. ​​​​​​Ficha Técnica #TodoDiaDelasTexto:Ana IgnacioImagem:Caroline LimaEdição:Diego IrahetaFigurino:C&ARealização:RYOT Studio BrasilO HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delaspara celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail para [email protected] assunto "Todo Dia Delas" ou fale por inboxna nossa página no Facebook.LEIA MAIS: Marta Krafta: A bióloga que foi até a Antártida e quer cruzar novos limites Ana Costa, a cadeirante que acelera na leveza e no bom humor Kátia Najara, a autônoma de sangue que é 'empresa de uma mulher só' Thaisa Storchi Bergmann, a cientista cuja vida gira em torno dos buracos negros Aíla Oliveira: A jovem que está vingando pais e antepassados ao avançar na educação Tamires de Souza: Ela venceu dificuldades após se tornar órfã e mãe no mesmo dia Luiza Pannunzio: A mãe que construiu pontes para lidar com fissura facial em crianças

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  • 2 days ago

Se o ser humano fosse um livro aberto de fato, o cinema dificilmente teria tanta e tão rica matéria-prima para seus enredos.Desde sua criação, em 1895, entre outros propósitos, o cinema tenta ilustrar, decifrar ou compreender a mente humana, as relações entre as pessoas e as diversas maneiras de o sujeito estar no mundo. Os filmes colocavam na tela o equivalente dos sonhos: enigmas, metáforas e um sem-número de sentidos.Quantas vezes nos identificamos com uma personagem e dela extraímos uma lição para algo particular nosso? Ao articular o imaginário, o cinema possibilita compreender eventos da nossa vida, até mesmo quando achamos que nosso dia a dia não vale um filme de sessão da tarde.Mas os filmes nem sempre são apaziguadores. Eles são capazes de despertar em nós o que há de mais agudo e essencial, problematizando a realidade e nos convidando a encarar nossas próprias fraquezas e contradições.Se entretenimento ou não, o fato é que os filmes nos mobilizam. Entre ficções e documentários, reunimos 14 filmes disponíveis na Netflix para quem gosta de pensar a complexidade da mente humana, os desafios do cotidiano e as diversas formas de sofrimento que aparecem ao longo dos anos (transtornos mentais incluídos).Vale para quem se interessa por psicanálise, psicologia, psiquiatria ou neurociências e também para todos que quiserem conhecer um pouco mais das nuances do ser humano, que apesar de pretender ser uma máquina programável, está cada vez mais longe da obviedade.Gosta de Cisne Negro, Um Estranho no Ninho, O Lado Bom da Vida, Amnésia, Um Método Perigoso e Tempo de Despertar? Então são grandes as chances de você gostar de algum dos títulos abaixo:À Procura(The Captive)Atom Egoyan – Canadá, 2014O diretor egípcio naturalizado canadense Atom Egoyan é bastante interessado nos mistérios humanos. Em O Doce Amanhã (1997), ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes, ele mostra os efeitos de futuro comprometido de uma comunidade quando crianças morrem em um ônibus escolar. À Procura também vai falar da infância, mas de uma infância subtraída. A filha de Matthew (Ryan Reynolds) e Tina (a fantástica Mireille Enos, da série The Killing) desaparece. Mais tarde, descobrimos que ela foi sequestrada por uma rede de pedofilia online. Sabemos quem é a vítima e sabemos quem são os criminosos. O perturbador deste filme é a tortura mental que um dos sequestradores (Kevin Durand, em uma atuação assustadora) faz nos pais e na vítima. Egoyan usa esta narrativa para discutir nossa relação com o voyeurismo e com a internet.TowerKeith Maitland - EUA, 2016Tiroteios em massa têm uma alarmante recorrência nos EUA, e o massacre de Columbine, em 1999, costuma ser usado como referência para tragédias assim. O impressionante documentário Tower dá um salto no passado para contextualizar um presente de muita perplexidade. Em 1966, um atirador na Universidade do Texas matou 16 pessoas e feriu 33. Para recriar os depoimentos coletados com mais de cem testemunhas, o diretor Keith Maitland usa a animação como linguagem. Sem apelo ao sensacionalismo, o filme foca nas vítimas e evita a armadilha de exaltar o atirador. A emoção vem de se falar sobre o assunto – para alguns dos sobreviventes, o reencontro com a situação traumatizante por meio do documentário foi fundamental para se reconhecer a dor do momento e expressá-la, mesmo depois de algumas décadas.Nise: O Coração da Loucura Roberto Berliner - Brasil, 2016A fronteira entre loucos e sãos permanece embaralhada, com contornos trazidos de acordo com a conveniência, principalmente se o objetivo for a exclusão de alguém que é diferente. A psiquiatra alagoana Nise da Silveira foi pioneira e revolucionária ao propor um tratamento humanizado de pacientes psiquiátricos, trazendo novas perspectivas a partir da arte. Faltava um filme que levasse a dimensão do seu trabalho ao conhecimento de mais pessoas, e Nise de fato consegue essa divulgação de forma bastante sensível, com Gloria Pires interpretando a alagoana. "Ninguém suporta pessoas que dão respostas inadequadas para as solicitações da vida. Queremos elas o mais longe possível", lamentou o diretor, Roberto Berliner, em entrevista ao HuffPost Brasil durante o lançamento do filme. Durante as quase duas horas da cinebiografia de Nise, a loucura deixa de ocupar seu lugar marginal.Se Enlouquecer Não se Apaixone(It's Kind of a Funny Story)Anna Boden e Ryan Fleck - EUA, 2010Este belo filme mostra como o suicídio pode levar à redescoberta do desejo de viver. Craig é um adolescente com depressão que não encontra saída para seu sofrimento e resolve buscar ajuda em um hospital psiquiátrico. Como os EUA tanto gostam, essa é uma comovente história de segunda chance, mas sem as pieguices costumeiras. Viola Davis e Lauren Graham (a eterna Lorelai, de Gilmore Girls) têm atuações pequenas, mas bastante notáveis. Além disso, há uma maravilhosa cena ao som do clássico Under Pressure. O filme é baseado no livro homônimo de Ned Vizzini, que passou por uma internação psiquiátrica para tratar da depressão. Lançada em 2006, a publicação foi bastante elogiada por público e crítica.Dançando em Silêncio (Dancing Quietly)Philipp Eichholtz - Alemanha, 2017Neste filme bastante despretensioso, acompanhamos alguns dias da vida de Luca, uma jovem que está superando uma depressão que a abalou por anos. A moça traz humor, apatia e melancolia em medidas variadas, com uma interpretação graciosa de Martina Schöne-Radunski. É um filme sobre superação, mas sem os fogos de artifício e a superficialidade que comumente eclipsam o doloroso e particular processo de lidar com o sofrimento.The Mask You Live InJennifer Siebel Newsom - EUA, 2015Que preconceitos, repressões e crueldades se escondem por trás das palavras de ordem "seja um homem"? Este documentário aborda frontalmente os prejuízos de uma cultura que não permite que os homens lidem com suas fraquezas e vulnerabilidades em nome de uma "assegurada masculinidade". Depoimentos de crianças, adolescentes, atletas e detentos dialogam com reflexões propostas por diferentes profissionais, de técnicos de times a psicólogos. O filme se propõe a criticar a sociedade norte-americana, mas sabemos que a análise serve bem aos brasileiros. É um pungente retrato sobre emoções represadas e as dolorosas consequências disso.O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de sus Ojos)Juan José Campanella - Argentina, 2009Neste belíssimo drama policial estrelado por Ricardo Darín, acompanhamos os diferentes rumos tomados em nome do amor. A investigação de um crime brutal aos poucos vai se revelando como uma investigação das relações humanas e da complexidade dos sujeitos. Não há qualquer tipo de previsibilidade na trama. O filme venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010.Quando te Conheci (Equals)Drake Doremus - EUA, 2015Nesta distopia, as pessoas convivem pacificamente e supostamente não têm necessidades em um mundo completamente igualitário. As emoções são banidas e consideradas uma doença sem cura. Mas esse arranjo visivelmente purista fica completamente abalado quando Nia (Kristen Stewart) e Silas (Nicholas Hoult) descobrem o amor. O amor proibido é um tema super-explorado no cinema, mas as sutilezas neste filme o diferenciam e se encarregam de nos dar uma experiência tão amarga quanto bonita.Life, AnimatedRoger Ross Williams - EUA, 2016Somos seres da linguagem e, por meio dela, pudemos ser criativos nas mais impossíveis situações ao longo da hHistória. Quando a linguagem encontra mais percalços do que comunicação, como ocorre nos casos de transtorno do espectro autista, é grande a angústia. Mas isso não significa que deva ser definitiva. Aí entra a poderosa reinvenção dos seres humanos. Este documentário traz a comovente história de Owen Susking, que aos três anos parou de falar e recebeu o diagnóstico de autismo. Muitos especialistas se debruçaram sobre sua condição, mas foram os filmes da Disney que ressignificaram a relação de Owen com o mundo, retirando sua existência do silêncio. Diferentemente dos moralismos existentes nesses filmes, o documentário mostra as dificuldades reais na vida de Owen, o que deixa a narrativa ainda mais afetuosa.O Começo da VidaEstella Renner - Brasil, 2016Este delicado documentário vai às origens da vida para mostrar como nossa sociedade atual repercute os primeiros meses de cada ser humano que aqui habita. A diversidade de maneiras com que podemos existir no mundo reflete os cuidados (ou a ausência deles) que recebemos naquele período de total dependência. Os depoimentos vêm de ângulos diferentes, como pais, educadores, profissionais psi, ativistas e pesquisadores, o que enriquece a discussão.Conspiração e Poder(Truth)James Vanderbilt – EUA, 2015Nada como o poder para revelar os limites - e a ausência deles - nos seres humanos. Baseado em fatos reais, o filme conta os bastidores de uma denúncia jornalística contra o ex-presidente George W. Bush durante a campanha de reeleição, em 2004. Assim que a reportagem é divulgada, opositores começam a questionar sua veracidade. Em tempos de pós-verdade, a credibilidade nas informações é praticamente um verbete nostálgico. Há uma fala de Mary Mapes (brilhantemente interpretada por Cate Blanchett) que define bastante os humores atuais: quando a verdade se revela insuportável e sem sentido, preferimos a ficção. The Fundamentals of CaringRob Burnett - EUA, 2016Paul Rudd é cuidador de um garoto com deficiência que percebe que o trabalho pouco tem a ver com empatia gratuita. O convívio entre os dois deixa dúvidas quanto a quem precisa de cuidados, e aí você já sabe que o cinema independente americano vai retomar uma de suas narrativas favoritas, a da segunda chance. Um ponto alto é que o filme é comovente sem pieguice ou condescendência.Donnie Darko Richard Kelly - EUA, 2001Este filme independente se tornou um cult dos anos 2000. O fim do mundo está próximo e é anunciado por um homem fantasiado de coelho a Donnie (Jake Gyllenhaal, em começo de carreira), um adolescente tido como problemático. Aos pais, o psiquiatra diz que o garoto apresenta sintomas de esquizofrenia. Donnie passa a se questionar sobre suas visões, enquanto eventos misteriosos começam a acontecer em sua cidade.The Discovery Charlie McDowell - EUA/Reino Unido, 2017A ficção científica sempre teve bastante apelo por antecipar a constatação de comportamentos inquietantes, deixando um certo tom assustador ao percebermos que não estamos falando do futuro, mas sim, do presente. Black Mirror é um exímio representante deste talento. Em The Discovery, a ameaça à vida é a existência de uma vida após a morte, e não os derivados de nossa existência, como guerras ou a violência urbana. A partir dessa constatação, feita por um cientista, viver deixa de ter um valor absoluto, o que pode ser insuportável para alguns.LEIA MAIS: Tudo que você sempre quis saber sobre terapia e análise pela internet O desconcertante experimento de Milgram sobre o comportamento humano Como '13 Reasons Why' nos alerta das metáforas do desespero adolescente

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  • 2 days ago

Ansiedade é um transtorno da vida moderna e os brasileiros são os que mais sofrem com ele. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 18,6 milhões de pessoas no Brasil viviam com o transtorno em 2015, o que coloca o país como 1º nesse tipo de diagnóstico.Apesar de não ser a causadora do transtorno, a alimentação inadequada pode agravar o problema. Diversos estudos mostram que há uma relação profunda entre a ansiedade e a nossa alimentação e estilo de vida."Alguns alimentos podem, sim, atuar no organismo aumentando o estresse e ansiedade", diz o médico Patrick Rocha, presidente do Instituto Nacional de Estudos da Obesidade e Doenças Crônicas."Dependendo da alimentação há uma maior oxidação de células, o que consequentemente intensifica a ansiedade, aumenta a sensação de fome em certos casos, promove a compulsão alimentar e acaba gerando mais frustrações e compensações. Funciona como um círculo vicioso", explica o especialista ao HuffPost Brasil.O açúcar e o trigo, presentes nos doces, barrinha de cereal, pães e massas, por exemplo, são ingredientes que devem ser consumidos com moderação."Quando comemos alimentos com excesso de carboidratos e açúcares, engordamos e podemos desenvolver diversas doenças relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2", diz Patrick. "Além disso, eles geram uma fome terrível. Eles ativam centros de prazer no cérebro, porém esse prazer é rápido, e gera mais ansiedade em comer e ter o prazer novamente. Eles geram uma fome persistente, que leva ao ciclo de ansiedade", explica.Se o trigo e o açúcar são como gatilho, não se desespere; há uma luz no fim do túnel. Existem alguns alimentos e nutrientes que ajudam aliviar os sintomas da ansiedade.O médico Patrick Rocha, que é autor do livro Diabetes Controlada: o programa para controlar a diabetes e voltar a viver bem (2017), publicado pela Editora Gente, listou 6 alimentos que têm componentes poderosos para aliviar a ansiedade e o estresse, devidamente comprovados por diversos estudos. Conheça:Chocolate amargo"O chocolate preto, aquele com ao menos 70% de cacau em sua composição, é um ótimo alimento para reduzir a ansiedade", afirma Rocha. De fato, estudos mostram que consumir chocolate pode diminuir o estresse.O chocolate amargo (70% a 85% cacau) aumenta os níveis de serotonina, hormônio ligado ao prazer e bem-estar. Com níveis altos de serotonina, a pessoa tende a ficar mais calma, relaxada.Além disso, o chocolate preto atua na diminuição dos radicais livres por meio dos antioxidantes que possui. "O chocolate amargo é rico em flavonóides, tipo de antioxidante presente no cacau. Então ele atua no nosso corpo em duas vias: aumenta os níveis de serotonina e diminui os radicais livres", resume Rocha.Quantidade: o ideal é comer todos os dias uma porção de 40 gramas, mas tem que ser chocolate de, no mínimo, 70% cacau. Abaixo disso, ressalta o médico, o chocolate terá açúcar e gordura hidrogenada e, por isso, causará um efeito inverso. "A pessoa cairá no ciclo que disse: mais açúcar no sangue, pico de glicose e mais vontade de comer e ansiedade."Chá verdeQuerido entre o os chineses, o chá verde tem excelentes componentes que combatem o estresse e a ansiedade. O chá contém uma substância chamada L-Teanina, substância que aumenta o GABA, neurotransmissor que acalma a mente, conforme explica Rocha:"Quando falamos em combater a ansiedade, falamos basicamente em duas questões de neurotransmissores do cérebro: queremos aumentar a serotonina e aumentar o GABA. E é exatamente assim que o que os remédios tarja preta funcionam, porém eles têm diversos efeitos colaterais... Quando aumenta o GABA, a pessoa dorme melhor, porém, o chá verde estimula o aumento desse transmissor de uma forma mais natural."O chá verde também contém epigalocatequina-3-galato (EGCG), um antioxidante que aumenta o GABA e reduz o cortisol no corpo. "O cortisol não pode estar alto sangue e cérebro, e o chá verde ajuda neste controle. Altos níveis de cortisol deixam o corpo inflamado e geram diversas doenças", acrescenta o médico. "Ele [chá verde] aumenta o GABA e diminui o cortisol."Quantidade: para quem gosta de fazer o chá, precisa beber de 500 ml a 1 litro ao longo do dia. Ele pode ser tomado gelado ou quente. Evite chá de sachê industrializado, prefira comprar a erva natural. Se você não é muito fã do chá, a melhor opção é tomar cápsulas, de 1 a 2 gramas por dia.Lembre-se: apesar do nosso paladar viciado, tente não adoçar o chá ou use o Stevia, adoçante natural.AçafrãoO açafrão tem em seu princípio básico a cúrcuma, que tem um papel importante no alívio da ansiedade. "A cúrcuma tem uma série de antioxidantes e anti-inflamatórios que acalmam a mente, melhoram a saúde mental e combatem a ação dos radicais livres no cérebro", diz Patrick Rocha.Além disso, o médico diz que a cúrcuma também diminui marcadores inflamatórios, chamados de citocina, que deixam as pessoas agitadas. "Então o açafrão tem um efeito natural na redução da ansiedade, uma vez que ele diminui as citocinas e os radicais livres no cérebro."Quantidade: neste caso, o médico recomenda o uso de cápsulas. "É possível usar o açafrão em pó para temperar frangos e peixes, mas para assegurar seus efeitos anti-inflamatórios, seria preciso utilizar cerca de 1 a 2 gramas. Ficaria um tempero bem forte", diz, acrescentando que, associada à pimenta preta, a absorção da cúrcuma fica até 100% maior.IogurteCuidar da saúde mental também envolve cuidar do bom funcionamento do nosso segundo cérebro. Rico em probióticos, bactérias fundamentais para a saúde do intestino, o iogurte natural integral tem gordura do bem, que além de alimentar, promove sensação de saciedade por mais tempo."O intestino hoje é considerado nosso segundo cérebro, pois ele produz uma série de neurotransmissores que contribuem com a saúde cerebral e estão ligados à ansiedade", diz Rocha. Ele explica:"Uma flora intestinal saudável, ou seja, estamos falando de uma alimentação pobre em carboidratos e rica em proteínas e gorduras saudáveis, que tem muitos probióticos que absorvem melhor os nutrientes, vitaminais e minerais, e deixa de absorver as toxinas. Podemos dizer muito sobre a saúde das pessoas pelas bactérias de sua flora intestinal."Se não curte iogurte, existem alternativas como a coalhada e o Kefir.O médico ressalta que iogurte precisa ser natural e integral e não aconselha iogurtes adoçados, lights e desnatados. "As pessoas se assustam com as calorias do iogurte natural, mas elas são saudáveis. O que não é saudável é tirar a gordura que a natureza trouxe e colocar em um alimento industrial um açúcar escondido, e ainda cobrar mais caro pra isso", critica.Ômega 3Encontrado nos peixes de águas profundas e frescos, o ômega 3 regula os níveis de componentes fundamentais para o cérebro: o EPA e o DHA. Esses componentes regulam a produção da serotonina e da dopamina — que juntas ajudam a manter a mente relaxada. Além disso, o ômega 3 é um poderoso anti-inflamatório.O problema é que os peixes de cativeiro não têm tanto ômega 3 como os peixes vindos do Canadá, do Chile e de outros países. Por isso, o médico aconselha optar por um suplemento de boa qualidade. "Quem mora perto do mar e gosta de peixe fresco, comer três porções de 200 gramas por semana é o ideal", resume.Amêndoas, nozes, ovo caipira e chia também têm ômega 3, porém em quantidades muito pequenas.MagnésioO mineral aumenta o GABA e ajuda a promover uma boa noite de sono — essencial para o controle da ansiedade. "Ele não é um indutor de sono, mas acalma a mente e, assim, o sono vem naturalmente", explica Rocha.Quantidade: seja cloreto ou nitrato, o ideal é ingerir de 1 a 1,5 grama por dia, em forma de suplemento.Como combinar?É quase impossível combinar todos os alimentos e nutrientes descritos anteriormente em um só dia. E isso não é necessário, conforme informou o médico Patrick Rocha. "Com esses alimentos, você pode escolher e combinar dois ou três deles, o que for mais prático no dia a dia."Antes de consumi-los, o acompanhamento de um profissional especializado é fundamental.É preciso enfatizar que a ansiedade é multifatorial, ou seja, não está relacionada só com a alimentação. "Não basta adotar uma dieta, é uma escolha por um estilo de vida. Além da alimentação, boas noites de sono e descanso são essenciais, assim como a prática de atividades físicas que trabalhem o corpo e a mente, como yoga, pilates e corridas leves", finaliza o médico.Os sintomasÉ preciso lembrar que a ansiedade é uma reação normal dos animais diante de situações que provocam medo e expectativa. Temos ansiedade, por exemplo, antes de uma entrevista de emprego ou de uma viagem, pois ela é um sinal que prepara o nossa mente para enfrentar este desafio e deixá-la mais atenta às próximas mudanças.Porém, como saber que você sofre do transtorno de ansiedade? De acordo com o médico Dráuzio Varella, o distúrbio é caracterizado pela "preocupação excessiva ou expectativa apreensiva", ou seja, uma ansiedade persistente que tende a sair do controle e perdura por meses. Outros sintomas são: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono.LEIA MAIS: Este exercício de respiração vai te ajudar a controlar a ansiedade e a insônia 6 aplicativos de meditação que ajudam a controlar a ansiedade Por que a troca de mensagens gera mal-entendidos, dúvidas e ansiedade

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  • 3 days ago

Londres acordou animada na manhã deste sábado (21). Como é tradicional no aniversário de Sua Majestade Rainha Elizabeth II, foram usados 41 tiros de canhão no Hyde Park e outros 62 na Torre de Londres em celebração aos 92 anos da rainha.Uma orquestra formada pelos guardas reais também cantou parabéns para a realeza.This morning The Band of the Irish Guards @IrishGuardsBand played Happy Birthday during changing of the Guard for The Queen's 92nd Birthday. @ArmyInLondon#HappyBirthdayHerMajesty#QueensBirthdaypic.twitter.com/kQmogKs2nP — The Royal Family (@RoyalFamily) 21 de abril de 2018Nascida em 21 de abril de 1926, a rainha Elizabeth II carrega a coroa desde 1952. Em celebração ao novo ano da majestada, no fim do dia também acontecerá um concerto com a participação de artistas dos 53 países da Commonwealth.Thanks to all the organisations talking about the work they do in the Commonwealth today & for following throughout #CHOGM2018#OurCommonwealth Find out more here 》https://t.co/Aj4rMdmFaxpic.twitter.com/psfVvWyXje — The Royal Family (@RoyalFamily) 21 de abril de 2018No Twitter, adoradores da família real parabenizaram a vida longeva de Elizabeth II:Rainha Elizabeth II fazendo 92 anos bicho... ícone milenar pic.twitter.com/DhMozeymg4 — løve, lucas💧 (@explictroye) 21 de abril de 2018Só queria chegar aos 92 anos de idade assim como a Rainha Elizabeth II. Deus a abençoe com mais anos de vida e saúde!#QueensBirthday#HappyBirthdayHerMajestypic.twitter.com/W228Ru68Xd — Adna Bernardino (@AdnaBernardino) 21 de abril de 2018Elizabeth II é a monarca britânica mais longeva da história e a Rainha Reinante e Chefe de Estado mulher com mais tempo de trono do mundo, com 66 anos de reinado.

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A pesquisa do DataPoder360 de intenção de votos para presidente da República publicada neste sábado (21) traz Joaquim Barbosa (PSB) no 2º lugar da lista dos presidenciáveis mais competitivos, com 16,3%. O ex-ministro aparece logo atrás do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL), com 22,4%, que lidera a pesquisa.O cenário ainda é embaralhado para as eleições de 2018. O DataPoder360 avaliou a possibilidade da disputa ocorrer entre os 7 candidadatos cuja exposição indicasse intenção de voto acima de 5%. A soma de brancos e nulos com aqueles que ainda não possuem candidatos ou não responderam fica na casa dos 25%.Sem Lula, a pesquisa traz uma disputa embolada para a 3ª posição. Diferentemente do que foi refletido no último Datafolha, há um crescimento potencial do possível herdeiro político e partidário do ex-presidente. Fernando Haddad (PT) tem 7,4% das intenções de voto e empata tecnicamente com Ciro Gomes (PDT), com 8,4%, Marina Silva (REDE), 8,2%, e Alvaro Dias (PODEMOS), 6,3%.O tucano Geraldo Alckmin aparece abaixo com 5,5% das intenções de voto. Nos cenários do teste, Bolsonaro ganharia com folga do candidato do PSDB em um possível 2º turno.Veja o quadro:DISPUTA PRESIDENCIALJair Bolsonaro (PSL) - 22,4% Joaquim Barbosa (PSB) - 16,3% Ciro Gomes (PDT) - 8,4% Marina Silva (REDE) - 8,2% Fernando Haddad (PT) - 7,4% Alvaro Dias (Podemos) - 6,3% Geraldo Alckmin (PSDB) - 5,5% Branco ou nulo - 17,3% Não sabe ou não respondeu - 8,2%O estudo foi realizado entre os dias 16 e 19 de abril e contou com 2.000 entrevistados em 278 cidades brasileiras. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais.Veja a pesquisa completa no site do Poder360.LEIA MAIS Datafolha: Sem Lula, Marina cola em Bolsonaro na disputa presidencial PSB aposta em Joaquim Barbosa para unir ‘mortadela e coxinha’ na eleição O impacto de Joaquim Barbosa nas eleições 2018

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  • 3 days ago

"Uma dupla e um mate!", grita um cliente da mais tradicional pizzaria em Brasília, a Pizzaria Dom Bosco.O pedido, que se traduz como duas fatias de pizza formando um sanduíche e o famoso chá mate bem gelado, é uma das marcas registradas da casa, primeira pizzaria da cidade.Fundada por Enildo Veríssimo Gomes em 1960, a pizzaria Dom Bosco mantém suas características intactas. Em um balcão, ela serve apenas um sabor de pizza (massa, queijo mussarela e molho de tomate fresco), as mesmas bebidas — mate ou suco de caju ou laranja — e alguns [email protected] publicação compartilhada por Pizzaria Dom Bosco (@pizzariadombosco) em 23 de Fev, 2016 às 2:43 PST"Quando meu pai abriu a pizzaria, Brasília ainda estava em construção. Só tinha a igrejinha, que é a Nossa Senhora de Fátima, e pouco comércio", recorda Romero Veríssimo Carreiro Gomes, filho de Enildo, em entrevista ao HuffPost Brasil. Hoje, Romero toma conta de uma das lojas.Localizada na 107 Sul, a primeira pizzaria de Brasília nasceu com a alma da época: com tantas construções, os trabalhadores não tinham tempo para almoçar e pediam algum lanche para saciar a fome, em pé mesmo, antes de voltar ao trabalho. "Na época, quase não tinha transporte público em Brasília, então as pessoas tinham que lanchar rapidinho para não perder o horário que passava o ônibus e ir para casa. Aí essa moda pegou e está até hoje."Cerca de 58 anos depois, todas as 5 lojas ainda comandadas pela família Gomes servem a pizza em um balcão, sem mesas. "Tentamos colocar umas mesinhas na última loja que abrimos, mas o pessoal não se adaptou", disse Romero, que conta com a ajuda do pai, dos irmãos e do primo para gerenciar as unidades espalhadas por Brasília.Para não dizer que nada mudou desde a década de 60, Romero lembra que uma das lojas começou a utilizar delivery — mas em apenas uma das lojas (Dom Bosco da 214 Sul).#pizzadombosco#tradicao #dupla #quentinha 🍕🍕 #repost @dudamaiaUma publicação compartilhada por Pizzaria Dom Bosco (@pizzariadombosco) em 5 de Nov, 2016 às 3:12 PDTQuestionado sobre a possibilidade de tornar a marca uma franquia, Romero logo rejeita a ideia. "Já tivemos propostas de ir ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e até para os Estados Unidos, mas nunca nos animamos de sair de Brasília. Não conhecemos os hábitos daquelas cidades, não sabemos se daria certo", diz.Levando o velho ditado "em time que está ganhando, não se mexe" à risca, a família Gomes parece acertar ao tornar a "dupla e um mate" um dos "patrimônios" da cidade: são 100 pizzas vendidas — ou 1000 fatias — por dia. Que sucesso!#repost @vivicosta_ge 🚴🏿🏊🏼🎥📺🍕🍕🙌🏼👍Uma publicação compartilhada por Pizzaria Dom Bosco (@pizzariadombosco) em 20 de Set, 2016 às 5:15 PDTServiçoPreços:Fatia: R$ 3,40 (a dupla fica R$ 6,80)Pizza inteira de mussarela:R$ 32Lojas:107 Sul 214 Sul 306 Norte CLSW 303 - Sudoeste Av. Castanheiras, Loja 820 - Águas ClarasLEIA MAIS: Restaurant Week em Brasília: 9 pratos para te deixar com água na boca Brasília, cidade criativa

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  • 3 days ago

Marta Krafta é uma mulher de extremos — ao menos, geograficamente falando. Nos últimos dois anos, foi de uma cidade de 27 mil para outra de 24 milhões de habitantes. E, de lá, para um território com cerca de 500 pessoas. Mudanças não assustam essa bióloga de 25 anos. Pelo contrário. Marta já nasceu cidadã do mundo, em Oxford, no Reino Unido, filha de pais brasileiros. Foi criada em Porto Alegre, em um ambiente multicultural e bilíngue que viria a definir o estilo de vida dela e também da irmã, ambas sempre de malas prontas.Sua carreira profissional foi moldada por desafios. Primeiro, de deixar a pesquisa para trabalhar com gestão de projetos. Depois, de sair de Porto Alegre para trabalhar em São José do Norte, cidade espremida entre o mar e a Lagoa dos Patos, cuja ligação com o continente se faz apenas de barco. Lá, no extremo sul do Rio Grande do Sul, Marta capitaneou boa parte da construção do EBR, estaleiro erguido pela Toyo Setal para a montagem de plataformas petrolíferas. ​​​​​Em São José do Norte, o escritório era eu, um notebook e um celular.Ela era o crachá 0001, ou seja: foi a primeira funcionária da empreiteira a fincar pé, em 2011, no vilarejo de pescadores, que nos anos seguintes se transformaria junto com o resto da região graças aos investimentos vultosos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em infraestrutura de portos. O funcionário número 2 só chegou em 2013. "Quando fui para São José do Norte, o escritório era eu, um notebook e um celular." Como responsável pelos contratos terceirizados da obra, pelas mãos de Marta passaram todas as providências para que o canteiro começasse a operar — do aluguel de banheiros químicos a (principalmente) licenciamentos ambientais diversos. A primeira licença saiu em março de 2013 — "uma sexta-feira 13". A última, que tornou o estaleiro operacional e encerrou o ciclo da bióloga no pólo naval, em fevereiro de 2016. A situação do empreendimento era complicada desde setembro de 2014, quando Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal, fez o primeiro acordo de delação premiada entre os empreiteiros denunciados na Operação Lava Jato. "Fiquei lá até conseguir a última LO [licença de operação]. Ali, fechei meu ciclo. Estava tudo cumprido."Aprendi a prestar muita atenção à natureza, porque na Antártida é ela que diz o que se pode ou não fazer.Seis meses depois, viria o convite que a levaria para sua maior aventura até hoje. Marta estava em Londres, onde pretendia morar, quando foi indicada para uma vaga na China Export and Import Electronic Corporation (Ceiec), estatal que venceu a licitação da Marinha brasileira para construir a nova Estação Comandante Ferraz, na Antártida (substituindo aquela que pegou fogo em fevereiro de 2012, matando duas pessoas). Não pensou duas vezes. "Em cinco dias, eu estava em Xangai."Na China, ficou um ano, trabalhando como gerente de projetos assistente. Seu trabalho era principalmente intermediar os contatos, documentos e decisões entre a estatal chinesa e a Marinha brasileira. O ápice foi em dezembro de 2017, quando ela partiu para a ilha Rei George com a equipe de mais de 200 pessoas (sendo apenas quatro civis brasileiros) responsáveis pela construção. "Aquela paisagem, não tem nada igual. O mar cada dia tem uma cor diferente. Aprendi a prestar muita atenção à natureza, porque na Antártida é ela que diz o que se pode ou não fazer", comenta. E quem manda mais é o vento. As rajadas facilmente chegam a 200 km/h, o que torna inviável erguer um guindaste, por exemplo. Por conta desses fatores, além do fato de que a obra só pode ser tocada no verão antártico (dezembro a março), os trabalhos não param: o ritmo é 24/7. Não tem Natal, Ano-Novo nem Carnaval. A única folga foram dois dias no Ano-Novo chinês. Muita gente fala que eu tenho muita sorte. Não acho; eu trabalho pra caramba.Esta foi a 2ª oportunidade em que Marta se candidatou a ir para o Pólo Sul com a equipe. No ano anterior, o fato de ser a única mulher cotada tornou a missão impossível. "Levar uma mulher só é um problema logístico, pois lá o espaço é escasso, e teria de haver um banheiro e um dormitório exclusivos." Desta vez, ela pôde partir porque haveria mais cinco chinesas na comitiva. "Muita gente fala que eu tenho muita sorte. Não acho. Muitas pessoas têm as oportunidades e não aproveitam. Mas eu trabalho para caramba! Obra grande é jornada de 12 horas, com frio, vento, chuva, o tempo todo no rádio ou no telefone." E, no entanto, obra é o que ela quer seguir fazendo. A bióloga está se preparando para obter uma certificação internacional em gestão de projetos, um documento para atestar o que ela já aprendeu na prática. "Sempre fico devendo, porque trabalho na gestão mas sou bióloga; trabalho em obra, mas não sou engenheira."Quem sabe em que canteiro Marta vai aterrissar agora?Ficha Técnica #TodoDiaDelasTexto: Isabel MarchezanImagem:Caroline BicocchiEdição: Diego IrahetaFigurino: C&ARealização:RYOT Studio BrasilO HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail para [email protected] com assunto "Todo Dia Delas" ou fale por inbox na nossa página no Facebook.LEIA MAIS: Ana Costa, a cadeirante que acelera na leveza e no bom humor Kátia Najara, a autônoma de sangue que é 'empresa de uma mulher só' Thaisa Storchi Bergmann, a cientista cuja vida gira em torno dos buracos negros Aíla Oliveira: A jovem que está vingando pais e antepassados ao avançar na educação Tamires de Souza: Ela venceu dificuldades após se tornar órfã e mãe no mesmo dia Luiza Pannunzio: A mãe que construiu pontes para lidar com fissura facial em crianças Regina Ferreira: Ela encarou os 'nãos' e se lançou em sua própria passarela

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  • 3 days ago

#memorialjk #brasilia #pontoturisticobrasilia #ofundadorUma publicação compartilhada por Fábio (@fabioscont) em 20 de Abr, 2018 às 3:11 PDTDesconfio que sejam as vias largas, o espaçamento entre os prédios, a setorização (até dos sentimentos)... Às vezes acho que é a procissão de ipês, é roxo, amarelo, rosa, branco... Talvez sejam as piscinas geladas da Água Mineral, a arquitetura, o salão verde da Câmara ou a beleza do Palácio do Planalto.A verdade é que existe alguma coisa que te conquista. Brasília é uma cidade difícil, que afasta as pessoas, mas que também junta. Nem que seja nos protestos. No meio do gramado da Esplanada ou reclamando deles.Ou na falta do que fazer. É quase um interior quando você procura alguma coisa para fazer numa quinta-feira na última semana do ano e não tem nada. Absolutamente nada para fazer. Chega a parecer que a sessão eventos do Facebook está sem conexão. Não tem um evento.Mas sempre tem. Sempre tem a casa de alguém de portas mais que abertas. "Não tem nada para fazer, mas chega aqui, traz umas cervejas." E no caminho estão as vias largas, os espaços em branco, o céu mais bonito do País (não tem nem discussão), os cobogós. Em muitos momentos, é como estar em uma obra de arte.O que dizer dos prédios da 107 Norte? Ou melhor, da poesia dos prédios de 6 andares. Diz que a ideia foi do Lúcio Costa, porque até o alto do sexto andar uma mãe consegue chamar seu filho embaixo do prédio.Ainda tem o sotaque que só nós brasilienses não percebemos que temos. Aliado a isso, o vocabulário. O verbo lanchar, o 'bora', o nosso significado para Piauí, Pôr do Sol e toda a 408 Norte.Será o Parque da Cidade? Mas talvez sejam os azulejos do Athos Bulcão. Acho que são eles. Não! É o conjunto, e até as falhas. Tenho certeza. É essa mistura de Norte e Sul do País que fazem meus olhos brilharem toda as vezes que alguém me pergunta de onde eu sou. É com uma voz saudosa que eu respondo: sou de Brasília. Dessa cidade que hoje faz 58 anos e que eu morro de saudade todos os dias.//Salão verde + Athos BulcãoVentania #congressonacional #salaoverde #athosbulcao #fundathos #Ventania #tiles #azulejos #oscarniemeyer #brasilia #df #reflexo #modernismo #arquiteturaUma publicação compartilhada por Mario Rodrigues (@marodriguesjr) em 18 de Abr, 2018 às 10:45 PDTPrédio da 107 Norte projetado por Mayumi Watanabe de Souza Lima e Sérgio de Souza Limacastelo #brasilia #sqn107Uma publicação compartilhada por Diogo Cão (@diogocao) em 11 de Jun, 2017 às 9:43 PDT Piscina pública do Parque Nacional da Água Mineral#nikon #nikonphotography #brasilia #brasil #brazil #df #distritofederal #parquenacional #aguamineral #parqueaguamineral #lagoa #lake #agua #water #contraste #contrast #parquenacionaldebrasilia #landscape #landscaping #paisagem #picoftheday #photooftheday #horizon #horizonteUma publicação compartilhada por Jam's Temoteo (@jamst1978) em 15 de Mai, 2017 às 1:01 PDTUm céu que nasceu com vocação para obra de arteAmanhecer em Brasília, sem filtros!Uma publicação compartilhada por Matheus Ferreira (@matheusgf) em 20 de Abr, 2018 às 3:00 PDTNão disse que parece obra de arte?Bom dia! Ótima sexta feira! #bomdia #goodmorning #buenosdias #amanhecer #ceudebrasilia #torredetv #towner #beautiful #cool #cuteUma publicação compartilhada por Henrique (@_henrique_rique_) em 20 de Abr, 2018 às 2:30 PDTÉ uma obra de arteCandy colors in the skyUma publicação compartilhada por Flávia CosFer (@fcosfer) em 19 de Abr, 2018 às 3:00 PDTUma lua dessas, bichoComemoração ao aniversário de Brasília. . . . . . 📸@fotografiaeastronomia registro perfeito. . . #Misturadetons #ceudebrasilia #capital #brasilia #Bsb #DF #minhacapitalbrasilia #euamobrasilia #minhacidademaravilhosa #euamoesselugarUma publicação compartilhada por Eu ❤️ Brasilia (@minhacapitalbrasilia) em 19 de Abr, 2018 às 3:32 PDTCongresso Nacional e o céu que não tem concorrênciaAmanhã é o grande Dia. Aniversário de Brasília. . . . . . . . @fotografiaeastronomia. . . #Misturadetons #ceudebrasilia #capital #brasilia #Bsb #DF #minhacapitalbrasilia #euamobrasilia #minhacidademaravilhosa #euamoesselugarUma publicação compartilhada por Eu ❤️ Brasilia (@minhacapitalbrasilia) em 20 de Abr, 2018 às 4:20 PDTPalácio do Planalto e os ipês de BrasíliaOLHARES DO PLANALTO Os ipês do Planalto encantam. É com essa beleza floral que o Palácio recebe a visita de políticos, ministros, chefes de Estado e também você. ㅤ Agende sua visita pelo site . #VisiteOPlanalto 📸 Foto: Guilheme Britto ㅤ #PalaciodoPlanalto #Planalto #Brasil #ArteBrasileiraUma publicação compartilhada por Planalto (@planalto) em 17 de Abr, 2018 às 4:02 PDTAh, os ipêsQue o novo ano não seja como o outono da vida onde as folhas caem deixando apenas lembranças de dias bons e ruins, mas que seja como a primavera da vida que produz frutos e dos frutos sementes onde podem ser plantadas a cada dia e colhidas a cada amanhecer... #desafiocanon140 #jhosesilvafotografi #ipe #ipedebrasilia #ipê #brasilia #amobrasilia #flores #photography #lifestyleUma publicação compartilhada por Jhose Silva (@jhosesilvafotografi) em 20 de Abr, 2018 às 2:32 PDTLEIA MAIS Estes 5 perfis no Instagram mostram por que esta é a melhor época de Brasília Você vai ficar impressionado com a beleza dos ipês rosa em Brasília

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Poeta, dramaturga e ficcionista, Hilda Hilst é um dos principais nomes da literatura brasileira do século 20.A autora nasceu na cidade de Jaú, em São Paulo, há exatos 88 anos. Considerada hermética, enigmática e até estranha por alguns de seus críticos, Hilda Hilst é nome indispensável para quem quer conhecer um pouco mais da produção das poetas brasileiras.Tamanha a importância de seus escritos, ela será homenageada na edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) em 2018. A escolha de Hilda se deu em um contexto em que sua obra tem circulado mais até do que quando a escritora era viva. Hilda Hilst morreu em 2004, aos 73 anos, por complicações de saúde."A Hilda ia estar muito contente. Ela dizia que seu sonho era ter a obra lida nos bondes, nos salões de beleza, nas ruas - acho que está chegando essa hora", compartilhou Daniel Fuentes, diretor do Instituto Hilda Hilst, em entrevista à Folha de S.Paulo.Para Joselia Aguiar, curadora da festa literária, a obra de Hilda se relaciona aos temas mais existenciais, que devem pautar o evento literário deste ano."A Hilda é uma autora de uma obra densa, que inclui poesia, prosa, teatro. Como pessoa pública, tinha muitas ideias e não era nem um pouco banal ou óbvia."Conheça alguns poemas de Hilda HilstDez chamamentos ao amigoSe te pareço noturna e imperfeitaOlha-me de novo. Porque esta noiteOlhei-me a mim, como se tu me olhasses.E era como se a águaDesejasseEscapar de sua casa que é o rioE deslizando apenas, nem tocar a margem.Te olhei. E há tanto tempoEntendo que sou terra. Há tanto tempoEsperoQue o teu corpo de água mais fraternoSe estenda sobre o meu. Pastor e nautaOlha-me de novo. Com menos altivez.E mais atento.AmavisseComo se te perdesse, assim te quero.Como se não te visse (favas douradasSob um amarelo) assim te apreendo bruscoInamovível, e te respiro inteiroUm arco-íris de ar em águas profundas.Como se tudo o mais me permitisses,A mim me fotografo nuns portões de ferroOcres, altos, e eu mesma diluída e mínimaNo dissoluto de toda despedida.Como se te perdesse nos trens, nas estaçõesOu contornando um círculo de águasRemovente ave, assim te somo a mim:De redes e de anseios inundada.(II)* * *Descansa.O Homem já se fezO escuro cego raivoso animalQue pretendias.Poemas aos Homens do nosso tempoAmada vida, minha morte demora.Dizer que coisa ao homem,Propor que viagem? Reis, ministrosE todos vós, políticos,Que palavra além de ouro e trevaFica em vossos ouvidos?Além de vossa RAPACIDADEO que sabeisDa alma dos homens?Ouro, conquista, lucro, logroE os nossos ossosE o sangue das gentesE a vida dos homensEntre os vossos dentes.***********Ao teu encontro, Homem do meu tempo,E à espera de que tu prevaleças À rosácea de fogo, ao ódio, às guerras,Te cantarei infinitamente à espera de que um dia te conheçasE convides o poeta e a todos esses amantes da palavra, e os outros,Alquimistas, a se sentarem contigo à tua mesa. As coisas serão simples e redondas, justas. Te cantareiMinha própria rudeza e o difícil de antes,Aparências, o amor dilacerado dos homensMeu próprio amor que é o teuO mistério dos rios, da terra, da semente.Te cantarei Aquele que me fez poeta e que me prometeuCompaixão e ternura e paz na TerraSe ainda encontrasse em ti, o que te deu.Vida e obra de Hilda HilstHilda Hilst iniciou a sua produção literária em São Paulo em 1950, quando tinha apenas 20 anos, com o livro de poemas Presságio. Aos 22, ela se formou em Direito pela Universidade de São Paulo, onde conheceu a escritora Lygia Fagundes Telles, com quem manteve uma longa amizade.Mais tarde, em 1965, ela se muda para Campinas onde construiu a "Casa do Sol". O espaço serviu como um porto seguro para a sua sua criação e foi ali que ela realizou mais de 80% de sua obra.A autora produziu mais de 40 títulos, entre poesia, teatro e ficção, e escreveu por quase 50 anos, recebendo importantes prêmios literários no País. Em seus textos, Hilda trata da incansável busca pelos significados e representações da condição humana."Fiquei sem luz, li com as velas e pensei pensei. Por que, Hilda, você é toda pungente? Trágica? Impulsiva? E o que há com teu corpo?"O trecho escrito à caneta azul no dia 25 de fevereiro da agenda de 1973 de Hilda Hilst é parte de seu diário que foi reproduzido pelo Instituto Hilda Hilst.LEIA MAIS Hilda Hilst mais viva do que nunca Por que crianças norte-americanas estão escrevendo livros sobre suas heroínas preferidas Filmes para ouvidos ou livros de ouvir? Como a indústria dos audiolivros está se transformando

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Sempre ouvi falar que o Aldo Rebelo era um conciliador. Os 40 anos no PCdoB, a habilidade para ser líder de governo, depois para liderar a redação do Código Florestal, o comando do Ministério dos Esportes, com as pedradas do #nãovaiterCopa, e em seguida do Ministério da Defesa são algumas das credenciais que evidenciam a ação política.Ação capaz de "aliança estranha", como ele define a formação do bloco que disputou a presidência da Câmara em 2011. Naquele ano, Aldo, apoiado pelo PSB e DEM, se lançou candidato. A candidatura vitoriosa de Marco Maia (PT) incluía outra aliança estranha - PT, PSDB e PMDB. "Nós perdemos, mas faz parte da vida e do jogo", disse Rebelo ao HuffPost Brasil.As primeiras palavras do ex-ministro mostram até onde vai essa espectro conciliador que entende "o jogo". Na primeira pergunta sobre a passagem por 3 partidos em 6 meses - PCdoB, PSB e hoje Solidariedade -, Aldo entrega: "minha agenda sempre foi uma agenda mais geral, da união". Uma agenda que parece aceitar de tudo - DEM, PT e o próprio Solidariedade que tem como líder o deputado da tatuagem pró-Temer Wladmir Costa -, mas que tem um limite: o Judiciário.O tom só sobe ao falar das injustiças da Justiça. Não precisa de muito mais para entender a passagem meteórica pelo PSB. Os socialistas planejam lançar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa à Presidência da República, mesma cadeira que Aldo também deseja disputar nas eleições deste ano. Na avaliação do mais novo integrante do Solidariedade, os ministros do STF "se julgam deuses".No Brasil, sempre houve muita punição. E houve pouca Justiça. O Judiciário no Brasil sempre foi protagonista de erros graves.E as críticas não se restringem ao Supremo: "Você tem um juiz que vive como celebridade, que vive nos Estados Unidos, que vive em convescotes de empresas, rádio e TV, é uma coisa muito diferente daquilo que se espera, da descrição, do pudor de quem tem atribuição de julgar". É ao falar sobre Lula que Aldo Rebelo mais uma vez sobe o tom. "Todo mundo sabe que o sítio não é do Lula. Como é que a Justiça não sabe?", diz, em tom de indignação.Além das críticas ao Judiciário, o ex-ministro falou ao HuffPost sobre o cenário de polarização e intolerância, intervenção militar, reformas e o governo do presidente Michel Temer.Leia trechos da entrevista.HuffPost Brasil: Em 6 meses, o senhor, que tinha uma trajetória de estabilidade no PCdoB, passou por 3 partidos, por quê?Aldo Rebelo: Entrei no PCdoB numa época muito distinta da de hoje. A agenda do País e das pessoas era outra. Nós estávamos voltados mais para aquilo que unia. E hoje nós vivemos uma agenda de fragmentação. As agendas identitárias, as agendas politicamente corretas são agendas fragmentadas e eu fui perdendo a identidade com essa agenda. Minha agenda sempre foi uma agenda mais geral, da união. Saí do PCdoB, mas saí em paz com todos eles. E tenho uma relação até de cooperação. Quando posso ajudo o partido.E fui para o PSB, mas senti que havia ou que começou a haver uma inclinação para a candidatura do ex-ministro Joaquim Barbosa, cuja agenda para mim era desconhecida, mas eu sabia que era uma agenda de negação da política. Ele sempre teve uma posição muito distante e de manifesta desconfiança da política. Ao sentir essa inclinação preferi procurar o meu caminho. Não teria ficado para fazer um enfrentamento ou travar uma batalha quando o partido tem todo direito de ter as suas inclinações e preferências.Quem me fez um convite para disputar uma eleição presidencial com a plataforma voltada para retomada do crescimento, do desenvolvimento, de redução das desigualdades e de consolidação da democracia foi o Solidariedade. Temos uma relação muito próxima por conta da agenda trabalhista, sindical. Quando lancei o manifesto pela união nacional ano passado quase todos os dirigentes do Solidariedade e da Força Sindical assinaram o manifesto. Isso facilitou, e eu fiz a minha filiação.E foi chamado pelo Paulinho da Força de um "comunista quase capitalista". Como foi isso?Sempre fui um defensor do desenvolvimento do Brasil e desenvolvimento em um país capitalista é essencialmente desenvolvimento capitalista. O que nós queremos é que esse capitalismo tenha espaço para os direitos dos trabalhadores, que pague os tributos para gerar serviços públicos necessários, como educação, saúde, transporte, defesa. Creio que a expressão é mais para buscar a minha forma de fazer política colocando o interesse nacional em primeiro lugar.Com quais propostas?Nós vivemos um momento de desorientação. A agenda da intolerância, infelizmente, tem prevalecido sobre a agenda dos debates dos rumos do Brasil. Primeiro consenso que deveríamos buscar é o de que é preciso haver um ambiente de respeito e tolerância para que os programas sejam discutidos. Ou você vai ter uma caça entre as correntes político-ideológicas, com militantes de um candidato caçando literalmente os militantes do outro candidato. É preciso colher as opiniões dos candidatos e partidos em torno de temas-chave. Primeiro tema, acho que deveria ser a retomada do desenvolvimento do País.Aprendi pelo menos uma coisa em 30 anos de governo, Câmara, Congresso, ministérios, quando o país cresce, você tem dinheiro para tudo. Tem dinheiro para educação, para saúde, você faz projetos, melhora a educação, faz novas universidades, faz bolsa família. Quando o país não tem dinheiro, você não faz nada. Quando o país não cresce, você não tem dinheiro para nada.Quando o país não tem dinheiro, você não faz nada.Aí vai se discutir as reformas. Eu vi candidato dizendo que no primeiro dia vai mandar quatro reformas. Todos os candidatos fizeram isso e nenhuma reforma aconteceu. Não basta mandar reforma. Se você não tiver maioria para aprovar, não adianta. Você faz uma bravata. Uma promessa vã. Como aquele que diz que precisa reinventar a política. Ele vai aposentar todo o esforço dos gregos e romanos que inventaram a política e agora vai reinventar. É coisa de quem não tem o que dizer. Tive 6 mandatos de deputado, em todas as legislaturas nós discutimos reforma política, tributária, da Previdência... discutimos, poucas andaram porque às vezes não tinha força para aprovar. Fernando Henrique perdeu uma reforma da Previdência por um voto. O Lula apoiou uma reforma ainda tímida, mas precisou de apoio de deputados do DEM e do PSDB, eu era o líder do governo. Reforma tributaria nós chegávamos perto aí desandava por uma diferença entre estados. As reformas são importantes para fazer o país voltar a crescer, são necessárias...Não basta mandar reforma. Se você não tiver maioria para aprovar, não adianta.O governo Temer começou com maior bancada dos últimos tempos e teve pouco sucesso...Não conseguiu fazer nada porque é um governo fraco, um governo com pouca autoridade e com pouca legitimidade. Eu sabia desde o começo... Teve gente que andou vendendo para o mercado terreno na Lua, dizendo que a reforma da Previdência seria aprovada. Eu conhecia um pouco, embora estivesse fora do governo fora do Congresso, sabia que essa reforma ia ter muito problema porque precisa de o governo dividir o ônus de reformas que não são muito populares com o Congresso. O governo do presidente Temer não podia dividir esse ônus porque não tinha prestígio, força política, para ceder.Aí você tem uma outra agenda que é a redução das desigualdades. O Brasil é um país muito desigual, que infelizmente tem se aprofundado. Tem escolas em São Paulo que custam R$ 10, 15 mil de mensalidade onde as crianças são ensinadas 3, 4 línguas e você tem milhares de escolas não interior do Brasil que não tem água nem luz. Estou dizendo porque vi. Que promessa de democracia você oferece a uma criança estudando em uma situação dessa. Você pode falar de democracia, mas sabendo que isso é uma farsa, uma mentira, uma enganação, que você não está prometendo nenhum futuro de igualdade, de possibilidades. Não é igualdade de renda ou moradia, é a mínima que a educação pode oferecer. Quando falo em reduzir as desigualdades é reduzir na prestação de serviços essenciais, como a educação. Saúde, você quebra o joelho, vai ao hospital e conserta. Agora a educação mal feita é uma deformação que você leva pro resto da vida, não tem como corrigir depois. Não tem como refazer um ensino fundamental mal feito.Quando falo em reduzir as desigualdades é reduzir na prestação de serviços essenciais, como a educação.O terceiro eixo é a democracia, a capacidade de conviver, mas hoje você não quer conviver, não quer tolerar. Você quer o direito de ir e vir, quer o direito de debater, o direito de dizer o que pensa, de frequentar as universidades, os auditórios e você quer também negar esse direito ao seu adversário. Isso não se sustenta. O fiador do seu direito é o direito do seu adversário. Quando o direito dele não estiver garantido pode ter certeza que o seu também não estará.Você quer o direito de ir e vir, quer o direito de debater, o direito de dizer o que pensa, de frequentar as universidades, os auditórios e você quer também negar esse direito ao seu adversário. Isso não se sustenta.Quando eu vejo os seguidores do Bolsonaro atirando em uma caravana de dois ex-presidentes da República porque estavam ali Lula e Dilma, eu acho que nós perdemos a noção do respeito da tolerância. Vai agir da mesma forma, aí eu vi um general da reserva que foi fazer um debate foi agredido por um militante da esquerda. É esse o país que vai encontrar um meio de resolver os seus problemas? Não. Tem que ter tolerância. Bolsonaro tem que ter direito de fazer a campanha dele porque a democracia assegurar isso desde que ele respeite as regras do jogo e o Lula e a Dilma terão direito de fazer as suas caravanas e as suas campanhas. Se esse princípio não for respeitado é muito difícil o país canalizar o melhor das suas energias para resolver os seus problemas.O que levou o país a tamanha intolerância?Creio que é a desorientação, é um ideia errada de que esse país é o país da impunidade. Esse país nunca foi o da impunidade. Ele pode ter sido em muitos momentos o país da injustiça. Se nós examinarmos a História do Brasil, quando os índios eram amarrados nas bocas dos canhões para serem punidos por algum delito ou quando Zumbi foi morto... você pode chamar isso de tudo, menos de justiça. Isso não foi justiça, foi vingança. E assim nós tivemos vários episódios na história. Quando nós reforçamos a ideia de que é preciso haver tolerância e democracia é para que momentos de selvageria e de intolerância não sejam revividos na história do Brasil.Esse país nunca foi o da impunidade. Ele pode ter sido em muitos momentos o país da injustiça.Justiça e vingança são coisas completamente diferente. Punição e justiça são coisas completamente diferentes. No Brasil houve muita punição. E houve pouca Justiça. O Judiciário no Brasil sempre foi protagonista de erros graves. E teve uma relação muito tensa com a política em determinados momentos - tanto que Marechal Floriano Peixoto quando sentiu que o Supremo era um reduto monarquista e que sem uma intervenção no Supremo ele não proclamaria a República, ele chegou a nomear um engenheiro para o Supremo porque os conspiradores monárquicos eram todos liderados pelo Supremo.No Brasil houve muita punição. E houve pouca Justiça. O Judiciário no Brasil sempre foi protagonista de erros graves.Depois nós tivemos o Supremo permitindo que uma mulher grávida condenada a morte, porque era isso que representava a expulsão dela do Brasil, fosse entregue à Alemanha, a Olga Benário. A Justiça no Brasil sempre foi omissa. Não conheço uma decisão judicial da época da escravidão contra a escravidão, provavelmente muitos dos juízes até tivessem escravos. Na época do regime militar não era no Judiciário que havia um polo de resistência importante. Teve um ou outro juiz que foi afastado ou cassado, mas era exceção, a regra era a cumplicidade. Então você tem essa situação no país. Quando a Justiça fraqueja no cumprimento do seu dever as pessoas tentam fazer Justiça com as próprias mãos.A Justiça errou no caso do Lula?Há 20 ou 30 anos que eu sei porque todas as pessoas que tinham algum tipo de relação política, embora eu não tenha sido do PT e nunca fui na casa do Lula, todo mundo sabe que o sítio não é do Lula. Todo mundo sabe que o sítio não é do Lula. A Justiça sabe que o sítio não é do Lula e que não tem como provar, tanto é que dizem que vão condenar por lavagem de dinheiro. E que o apartamento também não é do Lula. Eu não sou jurista, não sou advogado, mas o que eu sei é que o sítio não é do Lula e, se eu sei, como é que a Justiça não sabe? Como é que o Ministério Público não sabe? Mas acho que, pelo que representou para o País independentemente de erros ou crimes que tenha cometido, o Lula foi alvo de um processo que desde o começo foi politizado. Você tem um juiz que vive como celebridade, que vive nos Estados Unidos, que vive em convescotes de empresas, rádio e TV, é uma coisa muito diferente daquilo que se espera, da descrição, do pudor de quem tem atribuição de julgar.Muitos congressistas reclamam que o Supremo legisla no vácuo do Congresso. Há uma falha no Parlamento?Mais do que uma falha, mais do que o Congresso, a política foi e é cúmplice da judicialização da política. Quando Fernando Henrique ou Collor ou Itamar eram presidentes e a oposição, o PT, o PCdoB, perdia uma votação no Congresso, corria para o Supremo para tentar revogar uma decisão política. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e quando o PT ou o PCdoB vão para o governo a oposição adota o mesmo método. Quando perde uma decisão política no Congresso corre para o Supremo para revogar a decisão que contrariou a oposição.A política foi responsável por isso. A política fez o caminho inverso do mundo antigo. No mundo antigo a atribuição do destino era uma atribuição dos deuses. Quando alguém queria saber sobre o futuro, sobre o destino, portanto sobre a tragédia, consultava os oráculos e os deuses respondiam. Quando você queria mudar o seu destino você tinha que mudar a opinião dos deuses, fazer sacrifícios. Mas isso era uma coisa que confortava porque retirava dos homens a atribuição sobre o destino. Isso era uma responsabilidade dos deuses. Quando o homem inventou a política, ele passou a ser responsável pelo seu destino. Ele passou a ser responsável por sua tragédia. Desconfio que esse foi um diálogo que Napoleão Bonaparte teve com Goethe em um daqueles diálogos nas ocupações na Alemanha. E o Goethe faz uma referência não do jeito que eu estou dizendo. O que acontece que é que quando o homem criou a política, ele subtraiu dos deuses essa missão sobre os destinos. Sobre a tragédia. Ele passou a assumir essa responsabilidade.Quando os homens políticos do Brasil procuram o Supremo é como se fossem fazer o caminho de volta, devolver para os deuses, não os da antiguidade, mas esses deuses das corporações - porque eles se julgam deuses. Você olha para esses caras de Ministério Público com tão pouco conhecimento, com tão pouca maturidade, com tão pouca vivência com tão pouca ideia sobre o Brasil, mas eles se julgam deuses. Eles acham que sabem mais sobre administração pública que o ministro, que o prefeito, que o secretário e os do Judiciário também. Os do Supremo mais ainda. Tanto é que você olha para o Supremo e eles são juízes universais. São juízes de causa, poderiam ser juízes da Dinamarca, da Suprema Corte da Inglaterra, da Argentina... porque eles definem causas. A lei, a Constituição, pouco importa. O que importa é a opinião deles, como se fossem novos deuses.O que importa é a opinião deles, como se fossem novos deuses. O que há aí não é uma batalha entre essas corporações Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal contra Lula, contra o PT, contra Aécio, contra o PSDB, contra o Congresso, contra os partidos. A disputa é muito maior que essa. O que há é uma disputa entre a política como instituição e essas corporações. É como se essas corporações se redescobrissem como os deuses da antiguidade e quisessem subtrair da política aquilo que a política lhes tomou depois de Roma, que é o poder sobre o destino. Essa é a grande batalha.O impeachment seria uma batalha no Congresso?A presidente Dilma terá cometido erros maiores ou menores, mas ela foi deposta por um crime entre aspas a ela atribuído chamado de pedalada. Uma figura jurídica que não existe no direito brasileiro, criada no Tribunal de Contas da União para tornar crime uma pratica corriqueira de todos os governos do mundo. Os governos são as únicas instituições que tem a atribuição de emprestar dinheiro a si próprio. O governo pode emprestar dinheiro ou transferido ativos financeiros de uma empresa para outra ou emitindo papéis títulos. Na crise da bolsa dos Estados Unidos, o governo americano emitiu cerca de R$ 700 bilhões de dólares. O governo chinês fez a mesma coisa para injetar na economia.Esse empréstimo que o governo pode fazer de si para si foi qualificado como crime e por esse crime a presidente da República foi julgada. Não houve mala de dinheiro, acusação de apropriação de recursos por parte dela, que é uma mulher honrada e honesta. Nem os adversários dela podem negar essas virtudes dela. O impeachment foi um erro. Não resolveu nenhum dos problemas e agravou outros. Era muito mais fácil para todo mundo que ela fosse ajudada a terminar o governo dela.Não houve mala de dinheiro, acusação de apropriação de recursos por parte dela, que é uma mulher honrada e honesta. Nem os adversários dela podem negar essas virtudes dela. O impeachment foi um erro.Tem candidato que diz que, se eleito, vai revogar medidas do governo Temer como a política de teto de gastos, a reforma trabalhista. O que o senhor pensa em fazer?A questão do teto não é o debate central porque o teto de gastos remete a gastar o que você não tem porque o país não está crescendo, você pode até revogar o teto, mas esse problema não estará resolvido. Tem que retomar o crescimento, aumentar a receita. A questão do imposto sindical é que o país precisa de equilíbrio na relação entre capital e trabalho. É preciso estabelecer algum tipo de equilíbrio, que os empresários tenham seus recursos e os trabalhadores também tenham os recursos para defender os seus interesses as suas reivindicações. A reforma trabalhista precisa ser debatida a partir do que é necessário para que o Brasil não perca postos de trabalho para a China e para o Paraguai. Nós perdemos muitos postos porque nossa legislação é muito complicada, nós somos responsáveis por 90% das ações trabalhistas do mundo. É preciso haver alguma simplificação. O Ministério Público do Trabalho que hoje é uma corporação muito forte com muitas atribuições, muitas vezes não consegue compreender a necessidade dessas relações atuais entre o mundo do trabalho e o capital então você precisa discutir essa relação preservando os direitos dos trabalhadores protegendo principalmente as funções mais humildes, por exemplo as mulheres, principalmente as grávidas. Não expor ao risco, à insalubridade. Mas isso é preciso fazer em um governo que tenha legitimidade. O problema das reformas propostas pelo governo do presidente Temer eram a fragilidade do governo e a falta de legitimidade, isso tudo comprometia a integridade do debate.O senhor foi ministro da Defesa, como avalia o fato de a intervenção federal no Rio ter fortalecido o debate sobre intervenção militar?É preciso separar a intervenção militar do seu aspecto policial que acontece no Rio de Janeiro de uma associação desse tipo de intervenção com uma intervenção militar de cunho político, que eu descarto. Não há esse sentimento nem essa vocação nem esse pensamento nas forças armadas, pode ter ali um outro desavisado da reserva que pense nisso, mas as principais lideranças das Forças Armadas não querem conversa com a intervenção, não querem assumir essa responsabilidade, por que eles vão assumir uma responsabilidade que deve ser do mundo da política, que deve ser de todos, porque eles vão colocar isso nas costas? O país é democrático. Os eleitores escolhem, agora militares vão assumir uma responsabilidade só para eles? Eles não querem saber disso.As principais lideranças das Forças Armadas não querem conversa com a intervenção.Quando houve a intervenção no Rio, eu preveni para ter 3 aspectos dessa intervenção. O primeiro era o da necessidade, provavelmente para reorganizar o aparato policial do Rio de Janeiro, muito desacreditado. A Polícia Militar e a Civil, assim como as Forças Armadas, são instituições baseadas na hierarquia, na disciplina, na capacidade. Se elas pudessem ajudar a reorganizar o aparelho policial, a recuperar uma parte da credibilidade, da eficácia... Acho que isso justificava a intervenção.A intervenção envolvia um segundo aspecto, o risco. O risco das Forças Armadas não conseguirem alcançar esse objetivo porque é um objetivo que não depende só da vontade e determinação das Forças Armadas, depende também da vontade e determinação das outras corporações. E essa cooperação sempre foi muito difícil. São corporações muito estratificadas, muito ciosas dos seus interesses.E o terceiro aspecto é do erro, do fracasso, da tentativa de usar as Forças Armadas no combate ao crime comum. Aí não ia dar certo. Elas carecem de todos os predicados para obter qualquer êxito no combate ao crime comum. Não tem cultura, treinamento nem os instrumentos. Você precisa conhecer o terreno. Não pode exigir que um capitão que veio de Santa Catarina, chegou no Rio de Janeiro e vai morar em um bairro de classe média tenha eficácia em conhecer o terreno, a área onde o crime acontece. Quem conhece essa área é a polícia militar e a civil, que deverá ter inclusive nessas áreas seus informantes, sem isso não se combate o crime. Se tentarem, o fracasso é certo.Há conversas de bastidores sobre a possibilidade de montar uma chapa com o Rodrigo Maia. O senhor vê isso se tornar algo concreto?Ninguém pode ser candidato a Presidência ou pré-candidato dizendo que vai negociar uma chapa. A candidatura à Presidência da República é uma candidatura para ser levada até o fim. Conversas com outras lideranças políticas e outros partidos sempre houve e haverá. Ainda estava no PCdoB quando na minha casa discutimos o lançamento da candidatura do Rodrigo Maia à presidência da Câmara. O candidato do Michel era outro, o próprio partido do Rodrigo Maia declarou a ele na véspera da eleição e o PSDB no dia. Temos boas relações com o Rodrigo Maia. Quando fui candidato à presidência da Câmara e fui derrotado pelo PT, o Rodrigo Maia e o Democratas apoiaram a minha candidatura. Uma aliança estranha, né? De um lado PT, PSDB e PMDB. De outro lado PSB, PCdoB e DEM. Nós perdemos, mas faz parte da vida e do jogo.Então, eu recebi sondagens para ser vice de uma possível chapa com Rodrigo Maia. Recebi sondagens para ser vice dele, mas respondi que o ideal era que ele fosse meu vice porque eu sou mais antigo, mais experiente, mas isso foi conversa de botequim. Não houve nenhum desdobramento. Enquanto eu estava no PSB, conversei com o PT, com o Ciro Gomes, com outros candidatos, mas acho que posso ser candidato a presidente, tenho experiência e uma visão de Brasil que me credencia para isso e vou levar essa candidatura adiante.LEIA MAIS Aldo Rebelo diz que Brasil precisa repensar o futebol Aldo Rebelo compara zika a terrorismo e diz que Olimpíada não corre risco

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Anelis Assumpção acaba de lançar seu terceiro disco de estúdio, Taurina, mas garante de antemão que não se trata de um trabalho com pegada astrológica, tampouco centrado apenas nela, uma paulistana do signo de Touro nascida em 16 de maio.Ela começa nossa conversa por telefone contando que o título que batiza o álbum surgiu no meio do processo de produção dele. Entre uma composição e outra, a artista passou a se questionar por que é o touro e não a vaca o animal que simboliza o signo. "Dentro da minha livre interpretação astrológica, fazia mais sentido que ele fosse simbolizado por uma vaca", ela diz antes de enumerar alguns aspectos pelos quais o signo é conhecido, incluindo teimosia, gula e lentidão nos processos.Conhecedora do assunto, ela menciona também Vênus, planeta regente de Touro, ressaltando a questão da doação como um elemento presente em maior grau na simbologia feminina do animal. "Há doação no touro. Mas a vaca dá mais. Ela dá o leite, o queijo, o couro, os ossos, a carne. Tudo da vaca é aproveitado", enumera mais uma vez. Depois de alguns minutos, ela interrompe o raciocínio afirmando que tudo aquilo não passava de "paralelos de loucura" que ficava pensando durante a produção do álbum.Anelis sabe que não há animais fêmeas nas representações dos signos do zodíaco. "Mas eu quis inventar a minha própria astrologia. Eu sou taurina. Sou de vaca, não sou de touro. Amo o animal touro, mas quis fazer essa brincadeira e fiquei trabalhando essas simbologias que o signo têm dentro das letras", conclui.Das 13 músicas que compõem Taurina, seis remetem de imediato a sabores, cores ou texturas: Chá de Jasmin, Pastel de Vento, Caroço, Água, Moela e Receita Rápida. Quando se ouve o novo disco de Anelis - coproduzido por Beto Villares e Zé Nigro e com direção dela mesma -, essa viagem de sensações fica ainda mais gostosa. Há um "azedo limão" no meio do peito em uma faixa e sabor de baunilha e framboesa em outra. As letras transitam pela cozinha e pela feira de rua. Falam sobre jejum, moela, costela, pele e osso.A artista ainda discorre sobre prazer, desejos e a finitude da vida. É tudo costurado com metais e tambores ancestrais. Anelis atribui o impacto sensorial do disco à presença de Beto Villares. "Ele é muito sensível e conseguiu entender várias coisas sem que houvesse uma explicação", conta.Anelis em paz com a própria históriaFilha de Itamar Assumpção (1949-2003), um dos expoentes da cena musical independente de São Paulo nas décadas de 70 e 80, Anelis conta que durante a realização do novo trabalho sentiu um impulso de "atravessar uma barreira da ancestralidade"."Eu fiquei muito tempo criando a partir de uma influência que é inegável. Eu nem consigo te dizer quando ela começa e por quê", ela conta. "Dessa vez, acho que fui em um sentido anterior a tudo isso que vivi. E o Beto [Villares] entendeu tudo sem que a gente tivesse que falar África, por exemplo". Esse processo de descobrir algo novo e ainda mais autoral na própria arte não foi fácil. "Porque música tem vida própria. Você acha que está controlando, mas ela vai para outro lugar", filosofa a artista. O resultado final, no entanto, é motivo de orgulho. "Eu entrei num outro lugar. Um lugar inédito pra mim."Quão longe Anelis foi ao trabalhar essas questões ligadas à sua ancestralidade? "Acredito que eu fui o mais longe para uma taurina. O que não é muito longe, não", ela responde antes de soltar uma gargalhada. Em seguida, explica que considera Taurina uma "continuação quase finalizadora" de um processo que começou quando decidiu seguir carreira solo. Ela integrou o extinto DonaZica, um supergrupo com 9 integrantes antes de lançar Sou Suspeita Estou Sujeita Não Sou Santa (2011) e Amigos Imaginários (2014). "E agora parece.... Parece, não. Eu me sinto pessoalmente mais pronta, mais segura, andando com as minhas pernas", revela.Ela transmite sincero alívio ao contar que superou o período em que não entendia "o quanto era eu, o quanto era ele", referindo-se ao pai. "Hoje eu consigo dar uma entrevista sem que ninguém me pergunte sobre ele. Mas também quando ninguém me pergunta, eu falo", diz, rindo. "O que eu quero dizer é hoje eu me relaciono de uma forma mais madura com a influência, a falta e a música dele", conclui.Em Taurina, Anelis também aborda de forma franca e sem amarras temas ligados ao sexo e à sexualidade feminina. Uma vez que a censura voltou a ser discutida no contexto das artes no Brasil, pergunto qual seria para ela o papel da arte na quebra de tabus que prejudicam as mulheres. "Às vezes, eu acho que a arte é fundamento nesse aspecto. E às vezes eu acho que ela, a arte, não deve ser responsabilizada por nada", responde. Ela explica que, como artista feminista, qualquer obra sua é refletida por essa postura. E salienta que seu feminismo é mutante, "construído todos os dias". "Existe uma filosofia sobre isso. E a filosofia é uma eterna busca", diz.Ao entrarmos nessa papo sobre arte, feminismo e quebra de tabus, Anelis deixa claro seu apreço pela existência e o sucesso de mulheres compositoras. Segundo sua análise, o cenário é positivo. "Acredito que nunca houve tantas mulheres compositoras em atividade na música brasileira." Mas faz a ressalva de que essas compositoras devem ter seu "tempo de elaboração". E justifica:"Ainda ouve-se por aí: 'não escreve como o pai' ou 'não escreve como Caetano, Gil e Chico'. Oras, agora que nos foi dada a oportunidade de escrever. Durante uma vida inteira, as mulheres foram intérpretes de pensamentos e composições feitas por homens. O Chico Buarque é um gênio, claro. Mas ele teve todo o estímulo para chegar em um lugar enquanto letrista e poeta. Porque estava tudo estruturado para ele ser livre para isso. Inclusive, para pensar como uma mulher – o que fez dele um dos maiores 'feministas', num outro momento de pensamento feminista. Ele escrevia na primeira pessoa de uma mulher. Ninguém nunca tinha feito isso. Isso não é somente criatividade e intuição. É um desejo de desconstruir a palavra, um desejo de exercitar o pensamento a partir de outro ponto de vista. Isso é estudo. É prática. É escrever todo dia. Nós mulheres estamos começando a ter essa oportunidade agora."Durante a conversa, Anelis também fala sobre o domínio masculino no mundo da música. Ela cita a própria banda, composta por 5 homens e os técnicos, roadies, produtores e contratantes com que tem que lidar a cada novo show. Esse cenário — cujas mudanças ainda são tímidas, segundo ela — foi extremamente tóxico para a artista durante o início de sua carreira. Ela afirma ter sofrido boicotes de músicos e artistas de televisão.As más experiências fizeram que ela ficasse "esperta" e passasse a lidar de forma diferente com as relações de hierarquia."Teve um momento em que poderia dizer 'não, não fui que dirigi', com medo. Hoje, não", revela. E prossegue: "Parece que é só uma vaidade. É uma vaidade como fazer música, mas é justo. Eu pensei em todos os processos desse disco. Todos. Eu orientei e dirigi cada pessoa. E eu estou falando isso realmente com humildade. Foi fundamental a presença e energia de trabalho de cada um. Mas são outras relações de parceria. Existe uma diferença nessas relações neste momento pra mim."Anelis se mostra otimista diante do crescimento do número de compositoras em destaque - Ava Rocha, Tulipa Ruiz e Céu são três que participam do álbum- e das novas possibilidades de atuação das mulheres no meio musical. Mas nem tudo são flores. "Uma mulher que canta uma composição escrita por um homem na primeira pessoa feminina que sublinha o pior da relação entre as mulheres, que é essa coisa do recalque, da inveja: isso me incomoda um pouco", ela diz. "Acho divertido na festa, mas sinceramente, acho complicado quando o Brasil começa a interpretar o feminismo a partir desse lugar", indigna-se. E completa: "Acho essa cena rasa."Ela justifica seu otimismo colocando em perspectiva as mulheres que estão compondo e sendo donas de seus trabalhos no universo da música independente, a qual rotula de "classe C da música". "A gente ficou muito tempo sendo orientada para ser diva. Era tudo sobre ser apenas bela ou arrogante. E as divas não precisam pensar, necessariamente. Elas só têm que ser incríveis, cantar muito bem, emocionar."Marisa Monte é citada como uma marco inicial de mudança desse cenário. "Ela [Marisa] começou a cuidar da obra dela, administrar as coisas dela, aí veio outra e depois mais outra. Isso ainda é muito inédito." Na sequência, Anelis emenda uma ode às novas divas ou "divas estranhas". Cita Linn da Quebrada e Liniker (que participa da faixa Paint My Dreams). Para ela, uma é de uma inteligência que impressiona."Ela quebra um prato na minha cara toda vez que converso com ela", diz sobre Linn. A outra, é dona de uma excelência técnica que impressiona. "E tem esse frescor de alguém com 22 anos, que tem uma sede de transformação", diz sobre Liniker.Anelis comemora ascensão das colegas — que com seus trabalhos também colocam em discussão questões ligadas à identidade de gênero — e analisa essa nova presença feminina nos palcos a partir da democratização da informação e acesso à internet. "Estamos derrubando aquelas paredes onde estava emoldurada uma forma de ser artista e cantora. Tudo que a gente acreditava que era necessário fazer para ter sucesso, como ir no Faustão ou tocar na novela, caiu. Foi por água abaixo."Pode-se dizer que o começo da carreira de Anelis foi motivada pela existência de uma diva estranha: Alzira Espíndola, irmã de Tetê Espíndola e parceira de trabalho do pai de Anelis. "Nos anos 80 e 90, eu não via nenhuma mulher compondo. Quem compunha era Alzira. E eu estava sempre ali. Eu era criança, a referência maior ainda era Elis Regina", ela conta recordando que seu nome é uma homenagem à Elis, uma das grandes intérpretes da música nacional. "Alzira foi a primeira pessoa que eu olhei e pensei 'ela é estranha e isso é legal'. Ela não canta igual a essas todas que a gente aprendeu a amar. Ela escreve, ela toca", recorda, revelando que a amizade com sua diva estranha é mantida até hoje.Antes de desligar o telefone, pergunto para Anelis se ela é uma uma figura inspiradora para outras jovens artistas, assim como Alzira foi para ela. A pergunta soa meio truncada, já que ela responde de bate-pronto: "Não sei". Alguns segundos de silêncio depois, ela recorda de alguns momentos em que esteve na condição de referência e achou estranho. "Acredito que o que tem acontecido cada vez mais é que as mulheres se identificam com forças, não exatamente com a musicalidade ou com a poesia, mas com a existência mesmo daquela força. Nesse aspecto eu não acho estranho. Mas musicalmente, às vezes eu acho esquisito", diz e solta uma gargalhada.

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  • 3 days ago

A norte-americana Danica Patrick fez história nas pistas de Fórmula Indy há exatos 10 anos. No dia 20 de abril de 2008, a então piloto da equipe Andretti Green se tornou a primeira mulher a vencer uma prova na categoria preferida do automobilismo nos Estados Unidos.Apresentada na Indy 3 anos antes, em 2005, Danica chegou prometendo uma vitória aos fãs. Depois de conquistar 3 pole positions, mas não cruzar a linha de chegada em primeiro, finalmente subiu ao topo do pódio no Grande Prêmio de Motegi, no Japão.Em 2009 Danica voltou a fazer história ao completar a tradicional prova 500 milhas de Indianápolis na terceira colocação.Hoje com 36 anos, a norte-americana mostra seu talento nas pistas da Sprint Cup da Nascar, com o carro número 10 da equipe Stewart-Haas.Assim como Danika, outras mulheres superaram o preconceito em um meio predominante machista e entraram para a história do esporte nas pistas.É o caso da paranaense Débora Rodrigues. Filha de caminhoneiro, aprendeu a domar as máquinas aos 12 anos e, desde 1998, há exatas duas décadas, acelera forte na disputa campeonatos de Fórmula Truck.Da mesma época de Débora é a alemã Jutta Kleinschmidt. Nunca ouviu falar dela? Pois bem. A alemã foi a primeira mulher a vencer o Rali Dakar (à época chamado Paris Dakar), em 2001. Até hoje, 17 anos depois, nenhum homem alemão venceu na mesma categoria de Jutta na competição (carros).Solitária na StockHoje, quem quer seguir os exemplos de Danica, Débora e Jutta para manter em alta as mulheres que brilham nas pistas é a brasileira Bia Figueiredo. Única representante feminina na Stock Car, Ana Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo é apaixonada por velocidade desde criança.Para crescer na carreira e conseguir passar com destaque por Kart e pela Fórmula Indy, no entanto, Bia teve que superar um problema comum às mulheres nesse e em outros esportes: o machismo."Desde pequena, sempre demonstrei paixão pelo automobilismo e sempre tive o apoio da minha família. Mas, na maioria das vezes, eu era a única menina", explicou Bia, à revista Donna. "Só quando fui para os Estados Unidos é que vi mais mulheres correndo. Acho que isso vai muito da cultura das famílias. O Brasil ainda é um pouco machista, e, se a família for apoiar alguém no esporte, vai ser o menino. Nos EUA, isso está mais avançado", concluiu.LEIA MAIS Esqueça Galvão Bueno. Este é o melhor narrador de Fórmula 1 que se tem notícia Show de lágrimas marca despedida de Felipe Massa da Fórmula 1

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  • 4 days ago

Embora o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tenha encaminhado o processo no qual o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) é investigado para a Justiça Eleitoral, o tucano não escapou das garras do Ministério Público.O MP de São Paulo abriu nesta sexta-feira (20) inquérito civil para investigar o ex-governador também com base na delação da Odebrecht. A suspeita é de que ele tenha cometido crime de improbidade administrativa por recebimento de vantagem indevida.Também são arrolados no processo Adhemar César Ribeiro, cunhado de Alckmin, e o secretário Marcos Monteiro. Eles teria participado de esquema para receber R$ 2 milhões para a campanha de 2010 e R$ 8,3 milhões para a de 2014 por meio de caixa 2.Assim que o tucano perdeu o foro privilegiado ao deixar o governo de São Paulo para mirar na Presidência da República, a ala do Ministério Público Federal responsável pela Operação Lava Jato pediu para fazer a investigação. O STJ, que estava com o processo, no entanto, considerou que não há evidência do crime de corrupção passiva e, ao encaminhar o processo para a Justiça Eleitoral, ressaltou que esse é o âmbito do crime de caixa 2.O Ministério Público Estadual pede acesso às provas do inquérito que está no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo com a justificativa de que há suspeita de crime patrimonial, por envolver funcionários públicos.O ex-governador nega as acusações. Em nota, diz que "vê a investigação de natureza civil com tranquilidade e está à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos".LEIA MAIS Alckmin diz que ‘justiça é para todos’ após Aécio se tornar réu Alckmin escapa da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo PSDB acredita que votos para Alvaro Dias migrarão para Alckmin chegar ao 2º turno

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  • 4 days ago

A vitória de Gleici Damasceno no Big Brother Brasil 18 deixou o nicho dos fãs de reality show, tornando-se assunto também entre políticos.Na noite desta quinta-feira (19), diferentes figuras da política nacional resolveram parabenizar a primeira participante do Acre a entrar no programa - ressaltando dados da biografia dela.A pré-candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede) saudou sua conterrânea com uma mensagem que também cutuca aqueles que fazem piada com a existência do Estado da região norte.O Acre existe e Gleici mandou bem. Parabéns! — Marina Silva (@silva_marina) 20 de abril de 2018O deputado Jean Wyllys (PSol) postou uma foto da estudante de psicologia em seu Instagram e celebrou a trajetória de vida dela em um longo texto."Eu reconheci grande parte de minha história na história dessa ativista dos direitos humanos que defende suas posições de forma incisiva e não se deixa ser menosprezada e subestimada por ser quem é", escreveu o parlamentar."Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome!" Essa frase de Maiakovski, citada por @caetanoveloso em sua canção, é a ilustração da merecida vitória da acreana @gleicidamasceno no #BBB18. Ela dedica sua vida e trava batalhas diárias para impedir que pessoas morram de fome e ajude essa gente a brilhar. Eu reconheci grande parte de minha história na história dessa ativista dos direitos humanos que defende suas posições de forma incisiva e não se deixa ser menosprezada e subestimada por ser quem é. Imagino que outros tantos milhões de brasileiros e brasileiras que, através da educação, teimaram em vencer a fome e as injustiças, também se reconheceram em sua história e por isso lhe deram a vitória. Parabéns, amada! Voe alto! ❤Uma publicação compartilhada por Jean Wyllys (@jeanwyllys_real) em 19 de Abr, 2018 às 9:32 PDTJá a candidata à Presidência da República Manuela d'Ávila (PCdoB) compartilhou em perfil oficial no Facebook uma mensagem de torcida por Gleici horas antes da final do programa."Que lutadora! Que história! Tem a cara do povo brasileiro que busca uma vida melhor superando as marcas da desigualdade", escreveu.A ex-presidente Dilma Rousseff também aproveitou a ocasião para publicar uma foto em que aparece ao lado da campeã, feita tempos atrás."Parabéns a querida Gleici, jovem negra, periférica, militante do movimento negro, atuante nas lutas da juventude por um futuro melhor, feminista, filiada ao Partido dos Trabalhadores", escreveu a ex-presidente na legenda da imagem.Parabéns a querida Gleici, jovem negra, periférica, militante dos direitos humanos e do movimento negro, atuante nas lutas da juventude por um futuro melhor, feminista, filiada ao Partido dos Trabalhadores. Gleici, a menina acreana que é a cara de nosso povo e sempre esteve do lado certo da luta e da história, encantou e conquistou o Brasil!Uma publicação compartilhada por Dilma Rousseff (@dilmarousseff) em 19 de Abr, 2018 às 8:03 PDTNo Twitter, a equipe que gerencia o perfil do ex-presidente Lula também compartilhou uma foto antiga na qual Gleici posa ao lado do petista - atualmente preso depois de condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex.Quando é no voto, a gente ganha sempre. Parabéns Gleici! #timelulapic.twitter.com/yzGL6KY2Ze — Lula pelo Brasil (@LulapeloBrasil) 20 de abril de 2018Lula livreAssim que encontrou a família na saída do confinamento nesta quinta, Gleici foi avisada pelo irmão que o ex-presidente está preso. De imediato, a campeã gritou "Lula livre!" no palco do programa.O registro da reação de Gleici repercutiu nas redes sociais, sendo compartilhado por outros expoentes da política nacional como a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) e do senador Lindbergh Farias (PT).PARABÉNS, GLEICI!!!! Ainda mandou um #LulaLivre ao vivo!!! <3 pic.twitter.com/x7gszi3Joj — Jandira Feghali (@jandira_feghali) 20 de abril de 2018Olha aí! Será que o Aécio vai pedir recontagem? Porque no voto o PT ganhou até no BBB! Parabéns, Gleisi! E com direito à #LulaLivre ! pic.twitter.com/TZa4zR6Shu — Lindbergh LULA Farias (@lindberghfarias) 20 de abril de 2018Na saída do confinamento, Gleici abraçou emocionada o apresentador Tiago Leifert. Ao dedicar a vitória à família, ela deixou deixou uma mensagem aos espectadores."Esse prêmio é pra minha família, e não mais o que dizer. Obrigada. Acreditem no sonho de vocês. Tudo é possível", declarou.Moradora da periferia de Rio Branco, capital do Acre, Gleici foi a primeira pessoa de sua família a concluir o Ensino Médio e a ingressar numa universidade. Ativista dos direitos humanos e filiada ao PT, ela é também presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Acre.Durante participação no programa Mais Você desta sexta (20), a campeã do BBB18 compartilhou um pouco mais sua história."Sempre estive, sempre estivemos na invisibilidade. Tentei fazer coisas na minha comunidade, mas sempre foi difícil, as coisas não saem de lá. Sempre tentei levar esperança, queria fazer alguma coisa por todos. Sempre fui muito inquieta."Ela também fez questão de ressaltar que tem orgulho de sua origem."As pessoas nem sabem muito da minha vida, as pessoas não tem noção. É um filme. Mas eu gosto que as pessoas gostem de mim, de quem eu sou, não queria ninguém perto de mim porque sente pena. Tenho orgulho da minha história, não tenho pena do que aconteceu comigo. Como eu estava em um programa dessa dimensão, não queria que as pessoas votassem em mim porque eu preciso de grana."LEIA MAIS: Você deveria conversar com seus alunos sobre a história das mulheres negras Bianca Santana, a pesquisadora que busca romper o silenciamento das mulheres negras

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  • 4 days ago

O Brasil tem a 3ª maior população carcerária do mundo, com 726 mil presos. Mais da metade dessa população é de jovens de 18 a 29 anos e 64% são negros. A ressocialização dessa população, porém, ainda é um desafio para a sociedade.No entanto, há iniciativas que buscam humanizar o período no cárcere. Uma delas trata-se de uma atividade pouco comum para homens na prisão, mas que foi capaz de transformar a rotina de pelo menos 120 detentos da Penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Garulhos (SP).Por meio de oficinas de crochê, os alunos produziram mais de 30 peças que serão desfiladas na abertura da semana de moda de São Paulo (SPFW) no próximo sábado (21) e depois ficarão expostas no Museu da Resistência dentro da Estação Pinacoteca, também em São Paulo.O projeto Ponto Firme foi idealizado em 2015 pelo designer e artesão Gustavo Silvestre, embaixador da marca de fios para trabalhos manuais Círculo S/A, e despertou a curiosidade dos detentos para as atividades manuais. "Observamos algumas mudanças no comportamento de quem está envolvido com esta iniciativa desde o início, como a socialização, uma vez que incentiva a convivência com os demais encarcerados, a quebra de preconceito, responsabilidade, empreendedorismo e até autoestima", explica o diretor técnico do Centro de Trabalho e Educação da penitenciária, Valdinei Freitas.Em entrevista ao HuffPost Brasil, Gustavo Silvestre compartilhou a sua experiência com as oficinas de crochê e contou como será o desfile na SPFW.HuffPost Brasil: Como surgiu a sua relação com a moda?Gustavo Silvestre: Sempre trabalhei com moda, mas eu comecei a questionar alguns processos da indústria após uma visita a China. Aquela viagem me impactou muito, ver dezenas de pessoas amontoadas em uma garagem, costurando sem parar, sem nenhuma condição de trabalho. Depois, a indústria têxtil é uma das mais poluentes do mundo.Bastou fazer uma breve pesquisa pra ter a certeza de que eu não queria fazer parte desse tipo de indústria. Algumas vezes até pensei em abandonar a moda, mas trabalhar com isso era tudo o que eu tinha aprendido. Estava perdido, até que conheci algumas iniciativas em que a moda era feita de forma diferente. Era uma produção limpa e que valorizava o material humanos, as pessoas, em todo o processo. Me envolvi em um projeto que mapeava comunidades de artesanato no Brasil inteiro. A gente mapeava o trabalho dos artesãos e dava algumas consultorias, alguns workshops, de como eles poderiam melhorar a produção. Fiz isso por mais de 1 ano, mas acabou a verba e tivemos que pausar as consultorias.Desde então eu fiquei com esse incômodo: como valorizar a moda e as artes manuais no Brasil?Foi ai que você descobriu o crochê?Sim. E eu me apaixonei. Comecei fazendo aulas em uma escola e eu era o único homem da turma, em sua maioria composta por senhorinhas e suas netas. Com o tempo, desenvolvi uma técnica própria do crochê e segui produzindo peças. O crochê me deu uma liberdade criativa e autonomia muito grande.Quando você começou a dar aulas na penitenciária?Depois de 6 anos descobrindo o crochê, um dia eu fui convidado pelo pessoal da escola em que eu havia começado a fazer aulas para participar do projeto em parceria com uma pastoral de uma igreja da região. A pastoral havia contatado os professores e disseram que alguns detentos em uma penitenciária de Guarulhos desenvolviam peças em crochê e queriam aprender mais. Vi ali uma oportunidade de trazer a arte manual e a moda para a realidade. Estruturei um curso em 2015 e comecei com 11 alunos, desses apenas 3 tinham afinidade com as agulhas. Nascia assim o projeto "Ponto Firme". Os detentos faziam peças mais simples, toalhinhas para banheiros e coisas do tipo. Eu investi nessa técnica que eles já sabiam e incentivei cada um a aprimorar as suas referências. Começamos a produzir tapetes, almofadas, cortinas e até redes. Foi um sucesso. E a ideia do desfile, surgiu aí?Entre 2016 e 2017, eu já tinha introduzido outras técnicas de crochê no curso. Começamos a fazer pequenas esculturas em crochê. No ano passado, em uma das revistas que eu sempre levo para a aula, tinha uma receita de como fazer uma camiseta em crochê. Eles começaram a testar as peças de roupas. Levei uma professora especializada em roupas de crochê para dar aulas específicas e eles começaram a produzir cada vez mais. Quando eu vi o material que a gente estava produzindo, eu senti que precisávamos fazer algo com aquilo. Conversei com os diretores e surgiu a ideia de montar um desfile com as peças. No início era só uma brincadeira. Perto da penitenciária tinha um outdoor com uma imagem belíssima da Gisele Bundchen. A gente falava que ela viria desfilar usando o nosso crochê. A brincadeira foi ganhando força e eu comecei a fazer algumas pesquisas e orçamentos. Se quiséssemos realmente desfilar as nossas peças, íamos precisar de uma estrutura do zero. Quando eu vi os valores do orçamento, eu entendi que sozinho não ia funcionar. Resolvi procurar o Paulo Borges, diretor da SPFW. Apresentei a coleção feita pelos meninos e ele adorou. Depois disso, foi tudo muito rápido. Ele confirmou o nosso desfile e estamos aqui na reta final da produção. Mas nesse processo ainda teve um detalhe: os meninos precisavam ver as suas peças nas passarelas. Tivemos conversas com o Estado e com a Secretaria de Segurança Pública, mas foi inviabilizado que eles saíssem da penitenciária. Por isso, fizemos um desfile lá dentro no dia 9 de abril, com tudo o que tinha direito. Modelos, maquiadores, passarela e fotógrafos. Eles se emocionaram muito com o resultado, foi um momento especial.Você enfrentou alguma dificuldade durante as aulas com os detentos?Eu nunca tive barreiras nas aulas na penitenciária. Não era algo distante ou assustador ter um professor de crochê. Depois que o curso começou, eles me contavam que os outros caras detentos estranharam a atividade ter virado um curso estruturado. Mas ficou por isso.As pessoas têm uma fetichização do que é o sistema carcerário, como se só existissem as pessoas mais terríveis da Terra em uma prisão. E não é assim... Aprendo muito com eles. Quantos alunos produziram as peças para esse desfile?Nas oficinas do projeto, nós já formamos mais de 120 alunos. Mas não é um ciclo fixo. Como o tempo das penas variam, muitos entram, passam um tempo lá e mudam de penitenciaria. Porém, para o desfile, nós utilizamos todas as peças já produzidas pelo grupo, até os tapetes dos anos iniciais foram usados.O que você espera para a moda no futuro?A indústria da moda ainda é muito inconsequente e inconsciente, principalmente no que se trata das relações humanas. As condições de trabalho são péssimas e há todo o desperdício de água, de matéria prima. Falta muito pra uma renovação real da moda. Precisamos, também, de ajuda da tecnologia. Mas são projetos como esses que nos mostram que estamos no caminho certo. *O desfile oficial do SPFW acontecerá no sábado (21) às 15h. Para mais informações acesse o site do evento.LEIA MAIS Com 726 mil presos, Brasil tem terceira maior população carcerária do mundo População carcerária do Brasil cresce 74% em sete anos; Negros foram presos 1,5 vezes mais que brancos Projeto incentiva jovens a pensar em como combater o discurso de ódio na internet

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  • 4 days ago

Sobre duas rodas, ela vai mais rápido. É o jeito que encontrou para continuar tocando a vida no seu ritmo.Encontra obstáculos no caminho, claro, mas gosta de pensar positivo e olhar para frente. Não que ela tenha pressa, não é isso. Mas tem vontades, como qualquer outra pessoa. E no que depender dela, não vai deixar de realizar nenhum desses planos. Ana Costa, 39 anos, aprendeu a ter uma vida nova há 7. Paralisada da cintura para baixo por causa do lúpus, uma doença autoimune que descobriu em 2009, precisou de tempo para se adaptar ao seu novo corpo. Mas, hoje, diz que muitas vezes nem se lembra que sua condição é diferente. "Agora ando de cadeira de rodas pra dar uma acelerada", brinca.​​​​​Não está na minha mão estar em uma cadeira de rodas. Mas está na minha mão falar 'que ótimo que ela existe porque ela me tira da cama'.Foi esta a escolha que ela fez. "Tento sempre buscar o lado positivo, escolho levar para o lado mais leve." E poderia ser diferente. Ana sofreu um sequestro relâmpago em 2008. Na sequência, desenvolveu o lúpus — a doença costuma se manifestar em momentos de emoção e estresse muito altos e foi diagnosticada no ano seguinte. Em 2010, um novo pico de estresse. Sua casa ficou alagada após uma forte chuva em São Paulo. Viu todos os móveis com 6 meses de uso boiando em 1 metro e meio de água. Em 2011, foi parar no hospital por causa de uma febre que custava passar. Saiu de lá já na cadeira de rodas."Fui internada com suspeita de meningite e 2 dias depois acordei sem conseguir me mexer. Me mandaram para a UTI. Quando cheguei lá eu tive a certeza de que não mexia mais as pernas. Não tinha noção do que estava acontecendo. Na hora que me colocaram sentada na cama pela primeira vez eu caí. Você volta a ser neném. Usa fralda né, gente? É bem complicado, tenso. Vi que ia ter algumas coisas para aprender na vida." A paralisia podia ter atingido também os braços e até matado Ana. Isso não aconteceu. E ela olhou o lado positivo. "O que está na minha mão eu resolvo. Não está na minha mão estar em uma cadeira de rodas. Mas está na minha mão falar 'que ótimo que ela existe porque ela me tira da cama'."Fora da cama, retomou a vida. Foi internada em uma clínica de reabilitação que mostrou as possibilidades que tinha. Ficou 2 anos afastada do emprego — nesse tempo, a empresa faliu. Foi então atrás de um novo trabalho e começou a atuar como analista de Recursos Humanos da Kimberly-Clark.Ela conta que foi um aprendizado grande porque era a primeira funcionária cadeirante na unidade da empresa. E era o seu primeiro emprego depois da paralisia. Tudo novo. E teve muito apoio. "Sou bem tratada nos lugares, as pessoas esquecem que sou cadeirante. Vamos almoçar e eles colocam o prato na minha mão e vazam. Aí eu brinco e pergunto: 'colega, e eu toco a cadeira como agora?' [risos] É prova de que eles esquecem."Eu não tenho problema que me vejam como cadeirante, mas quero que me vejam como uma pessoa normal.Hoje, Ana é assistente de diretoria da empresa. No prédio, enquanto desliza pelos corredores, é fácil perceber que é querida por ali.No café, abraços, beijos, sorrisos e tchauzinho à distância. Leve e bem humorada. Do jeito que quis ser."Na minha cabeça, o negócio era viver a vida naturalmente. E vivo. Eu não tenho problema que me vejam como cadeirante, mas quero que me vejam como uma pessoa normal. Eu só não ando igual."Sendo normal, no início do ano resolveu até pular de paraquedas. "Meu medo foi embora junto com [o movimento] das minhas pernas." Pretende repetir a dose em breve.​Escolho se quero viver irritada ou se eu quero dar risada. E eu quero dar risada.​Durante a entrevista, Ana se preocupou se estava falando demais. Imagina, não estava. Contava histórias, perrengues e aventuras que já passou por aí, rodando com sua cadeira. O que ela fala muito é sobre xixi. Mas dá para entender perfeitamente. No início da paralisia, ela saia de casa com horário marcado para voltar, usar a sonda e esvaziar a bexiga. E precisava de duas pessoas para isso. Depois, aprendeu a usar sozinha e conquistou mais independência. "Hoje isso não é mais um empecilho."E assumiu a fralda. E fala disso. Porque acha que tem que ser natural. Porque deixa claro que não vai se privar de nada por causa disso. "Não está na minha mão controlar o escape de xixi, mas está em colocar fralda e sair de casa. Escolho se quero viver irritada ou se eu quero dar risada. E eu quero dar risada."Conta mais uma história de como foi carregada com cadeira de roda e tudo escada acima — e abaixo — pelos amigos meio bêbados para ir ao banheiro. E se diverte. Em todos os lugares que vai. Ficha Técnica #TodoDiaDelasTexto:Ana IgnacioImagem:Caroline LimaEdição:Diego IrahetaFigurino:C&ARealização:RYOT Studio BrasilO HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delaspara celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail para [email protected] assunto "Todo Dia Delas" ou fale por inboxna nossa página no Facebook.LEIA MAIS: Kátia Najara, a autônoma de sangue que é 'empresa de uma mulher só' Thaisa Storchi Bergmann, a cientista cuja vida gira em torno dos buracos negros Aíla Oliveira: A jovem que está vingando pais e antepassados ao avançar na educação Tamires de Souza: Ela venceu dificuldades após se tornar órfã e mãe no mesmo dia Regina Ferreira: Ela encarou os 'nãos' e se lançou em sua própria passarela Cristiele França: A filha de santo que vê no rádio outra forma de não andar só Marina Reidel: A professora transexual que promove direitos LGBT dentro e fora da sala de aula

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  • 4 days ago

O Parque Villa-Lobos, situado na zona oeste de São Paulo, respirará cultura neste fim de semana.No sábado (21) e no domingo (22), o local será palco de uma grande troca de livros em comemoração ao Dia Mundial do Livro, promovida pelo segundo ano consecutivo na capital paulista pela Amazon.A iniciativa tem como principal objetivo incentivar a leitura.Quem comparecer ao evento, que é gratuito, poderá também aproveitar um confortável espaço montado com pufes e travesseiros para degustar os títulos que serão disponibilizados pela loja no local.Aos visitantes que estiverem dispostos a doar livros, também será dada a opção de levar para casa, por dois dias, o mesmo número de títulos doados. Ao fim dos dois dias do evento, os livros que restarem serão doados para instituições ligadas à educação ou à promoção da leitura.Um dos pontos altos prometidos para o evento recebeu o nome de Banho de Leitura. A intervenção cênica-literária convidará os visitantes a lerem em uma banheira ao ar livre, que ficará exposta no parque apenas no domingo, entre 11h e 16 h.Leitura digital e bate-papo com autoresA programação do evento contará ainda com uma grande novidade em 2018: a experiência da leitura digital.Quem quiser ler os títulos em dispositivos Kindle, poderá fazê-lo deixando o número do RG e do telefone celular para contato. O empréstimo será válido por duas horas e não será permitido sair com os aparelhos do parque.O Dia Mundial do Livro também abrirá espaço para um bate-papo entre leitores e autores de obras independentes. A Amazon levará ao evento autores que publicam seus livros pelo KDP (Kindle Direct Publishing) com mediação da gerente do KDP, Talita Taliberti.Estarão disponíveis para conversar com os fãs no sábado, das 11h ao meio-dia, as autoras Camila Marciano(Saga dos Ferreira), Raiza Varella (Trilogia Encantados) e Elizabeth Bezerra (autora da série Nova York).No domingo a conversa será no mesmo horário, mas com Cinthia Freire (Meu Erro), Juliana Dantas (Trilogia Dark Paradise) e JL Amaral (Entre Pontos – finalista da 2ª edição do Prêmio Kindle de Literatura).Após o encerramento do evento, às 17h do domingo (22), a celebração continuará na internet, com promoções em livros impressos e digitais no site. A programação especial do evento também contará com atividades na biblioteca do Parque Villa e você confere tudo o que está programado clicando aqui.SERVIÇOEvento: Celebração do Dia Mundial do Livro pela AmazonLocal: Parque Villa Lobos – Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 2001 – Alto de PinheirosData e horário: Sábado (21/4) e domingo (22/4), das 10 às 17 horasPreço: Entrada gratuita

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  • 4 days ago

A ascensão de Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pela Rede Sustentabilidade, na última pesquisa realizada pelo Datafolha — a 1ª desde a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva — não é suficiente para empolgar ex-membros do partido.O cientista político Marcio Sales Saraiva, professor na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), trocou recentemente de partido, deixando a base da Rede para se filiar ao PCdoB. Em conversa com a reportagem do HuffPost Brasil, ele fez algumas ponderações sobre quem, porventura, possa estar entusiasmado com o crescimento sua ex-correligionária. No cenário sem Lula, que deve ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, Marina tem até 16% das intenções de voto e cola no líder da pesquisa, Jair Bolsonaro, com 17%. Em eventual 2º turno, ela vence de Bolsonaro por 44% a 31%."A posição da Marina hoje nas pesquisas é absolutamente compreensível. Ela está em sua terceira eleição para presidente e ocupa o lugar que sempre ocupou, pois tem vaga cativa com certa parte do eleitorado, algo entre 14% e 18%. Não vejo com espanto. Ela achou o lugar dela", analisa Saraiva.Ter 'achado o lugar dela', no entanto, não significa que Marina esteja forte na corrida para ocupar o lugar de Michel Temer após as eleições de 2018, alerta Saraiva."Acho muito difícil ela chegar à Presidência, pois há outras variáveis e outros cenários que podem se formar. A tendência é que o eleitorado dela migre para o chamado voto útil", projeta.Fundador e ex-integrante da Rede, o antropólogo Luiz Eduardo Soares faz análise similar à do colega. Caso seja barrada a candidatura de Lula, fruto da condenação, Soares duvida que os eleitores dele migrem para Marina:"A Marina sempre foi uma player importante e teve 20 milhões de votos nos últimos pleitos, mas analisar esses números é muito difícil neste momento, pois a pesquisa está afetada por fatores diversos e a reação popular ainda está se formando. Qualquer análise feita agora pode criar grandes ilusões, mas é muito difícil ela herdar qualquer patrimônio eleitoral do lulismo", diz ao HuffPost Brasil.Soares acredita que não será Marina quem se beneficiará com os votos que seriam destinados ao principal ícone do Partido dos Trabalhadores."O Lula está praticamente fora da disputa e, quando se pronunciar e indicar alguém, essa marca ficará colada a esse candidato. Não haverá sobra para outros herdeiros. Além disso, a Marina queimou as caravelas com a esquerda quando apoiou o impeachment da Dilma. Ela cortou laços importantes desse lado e não criou novos com os mais conservadores de centro ou de direita."Em outubro de 2016, 7 dirigentes da Rede deixaram o partido com uma carta de desfiliação recheada de críticas à líder, sobretudo sua posição a favor do impeachment de Dilma Rousseff.Entretanto, o Datafolha mostra que os dois herdeiros do espólio eleitoral de Lula neste momento são justamente Marina e Ciro Gomes (PDT), respectivamente com até 20% e 15% dos eleitores do petista.Apontados como plano B, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) não alcançam mais que 3% dos eleitores de Lula cada.Pouco tempo na TV também atrapalhaTanto Marcio Sales quanto Luiz Eduardo Soares apontam que a pouca exposição de Marina Silva na TV e a possível ausência nos debates — depende de convites das emissoras de TV que organizarem os eventos — também prejudicarão o sonho da ambientalista de suceder Michel Temer."Ela terá poucos segundos de exposição e, em um País continental, ela desaparecerá. O Joaquim Barbosa, por outro lado, tem uma situação melhor, pois conta com a empatia do PSB e uma estrutura melhor", ponderou Sales, citando o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), que já conta com 8% das intenções de voto mesmo sem estar confirmado no pleito para presidente."Esse pouco tempo na TV é um obstáculo importante. Não é absoluto, pois há internet, mas atrapalha muito. Só não acredito que fique fora dos debates, pois as TVs terão liberdade para incluí-la, principalmente se continuar bem colocada nas pesquisas", acrescentou Luiz Eduardo Soares.A reportagem do HuffPost Brasil entrou em contato com mais dois ex-integrantes da Rede, mas ambos preferiram não emitir opiniões. Miriam Krenzinger, professora da UFRJ, informou, em contato por e-mail, que não gostaria de se pronunciar sobre qualquer assunto relacionado à candidata Marina Silva.Jefferson Moura, que está acertando seu ingresso no PCdoB do Rio de Janeiro, também não quis se posicionar sobre os números do Datafolha e pediu a gentileza de ser contatado novamente em uma outra oportunidade, quando já estiver efetivamente ligado ao seu novo partido político.LEIA MAIS: Marina Silva pede que denúncias contra Aécio sejam julgadas 'com celeridade e rigor' Marina Silva confirma que será candidata à Presidência e critica 'salvadores da Pátria' 'O momento é de testosterona', diz Ciro Gomes ao se referir à Marina Silva

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Você sabe o que é um hambúrguer vegetariano? Não? A gente explica. É a tradicional iguaria servida na maioria das lanchonetes do mundo, mas que não tem carne na receita.O ingrediente é substituído por grãos ou cogumelos e é ótima opção para saciar o desejo de comer um hamburgão. Quinoa, soja, grão de bico e cogumelos estão entre os ingredientes mais utilizados nesse tipo de lanche que vem conquistando cada vez mais adeptos.Para você que também adotou o estilo de vida vegetariano ou quer reduzir o consumo de carne durante a semana, seguem abaixo 10 lugares badalados para saborear um hambúrguer sem carne na capital paulistana:Na GaragemO hambúrguer vegano do Na Garagem leva na receita feijão-preto, quiabo, coentro, arroz integral, cebolinha, alface americana tomate, cebola-roxa e farinha de aveia. Custa na faixa de R$ 20 e é um dos mais badalados da cidade.Endereço: Rua Benjamim Egas, 301 – Pinheiros – Telefone: 3032-0978Cabana BurguerUma das principais atrações da casa é o Mushroom Burguer, carregado no queijo cheddar derretido. Sai na faixa de R$ 21.A post shared by Cabana burger (@cabana.burger) on Feb 11, 2018 at 6:01am PST Endereço: Rua Oscar Freire, 56 - Jardins - Telefone: 2307-1918AmericaA opção sem carne do America leva hambúrguer de quinoa empanado (sem ovo), abobrinha e cenoura, acompanhado por rúcula, tomate e abobrinha grelhada, além de maionese vegana, feita com pasta de grão de bico. O lanche foi lançado em julho de 2016 e sai por volta de R$ 26.Endereço: Avenida Paulista, 2225 - Telefone: 5644-2222Salad DaysCasa é especializada em hambúrgueres em carne e tem tanto opções veganas quanto vegetarianas, como essa aí abaixo, postada no Instagram. O cachorro quente vegano, feito com salsicha artesanal de grão de bico, é uma atração à parte e sai por R$ 13. Casa também serve porções de fritas, além de sucos e doces.A post shared by Salad Days (@saladdaysvegan) on Mar 10, 2018 at 10:09am PST Endereço: Rua Machado de Assis, 284 - Vila Mariana - Telefone:Butchers MarketO Veggie Burguer sai por R$ 29 e leva em sua receita lentilha, cebola, cenoura, nozes, ervas e ovos, além de rúcula, tomate e mussarela.Endereço: Rua Bandeira Paulista, 164 – Itaim Bibi – Telefone: 2367-1043Hamburgueria 162O cardápio tem duas opções de hambúrgueres vegetarianos: Veggie, que leva abóbora, coalhada seca temperada, legumes grelhados e salada.O Trio Papa, feito de batata, é acompanhado por cebola, geléia de framboesa e patê de gorgonzola. Ambos saem por R$ 21.Endereço: Rua Luis Coelho, 162 – Consolação – Telefone: 2738-5162Lanchonete da CidadeO mais famoso vegano da casa é o Quitandinha. O lanche sai por R$ 25 e leva em sua receita cogumelos, legumes grelhados e especiarias.Endereço: Alameda Tietê, 110 – Jardim Paulista – Telefone: 3086-3399Holly BurguerO Vegê, essa delícia da foto aí de baixo, é o hambúrguer vegetariano da Holy Burguer. A receita leva cogumelos, faláfel, tomate e maionese verde. É servido no pão integral e promete fazer bonito frente aos mais tradicionais de São Paulo.A post shared by 👻 @HolyBurgerSp (@holyburgersp) on Mar 19, 2018 at 7:11am PDT Endereço: Rua Doutor Cesário Mota Júnior, 527 - Vila Buarque - Telefone: 3214-1319St LouisTodos os hambúrgueres tradicionais da casa podem ser montados na opção vegana, trocando a carne pela versão com cogumelo, arroz integral, proteína de soja, mussarela e aveia. O preço da versão vegana é R$ 2 mais cara que a tradicional.Endereço: Rua Batatais, 242 – Jardim Paulista – Telefone: 3051-3435A ChapaFechando a lista está uma das lanchonetes mais tradicionais da capital: A Chapa. A casa de lanches tem duas opções sem carne em seu cardápio.Uma delas leva hambúrguer de faláfel, ovo orgânico, salada, queijo e pão sem glúten.Endereço: A Chapa funciona em diversos endereços na capital. O mais antigo é o da Rua Heitor Peixoto, 478 - Aclimação - Telefone: 3207-4652.LEIA MAIS: 9 restaurantes com pratos veganos em São Paulo que custam até R$ 40 Virado à Paulista é Patrimônio Imaterial de São Paulo: Veja 7 restaurantes para se deliciar com o prato Os 9 melhores restaurantes para conhecer em 2018, segundo a Forbes

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  • 4 days ago

A nova temporada de Mister Brau, que estreia na Globo na próxima terça-feira (24) contará com um cenário inédito que emocionou o elenco e que também tem tudo para mexer com os corações e mentes dos fãs da série.No novo ano da trama criada por Jorge Furtado, a personagem Michele, vivida por Taís Araújo, deixará a condição de bailarina e empresária do marido, interpretado por Lázaro Ramos, para tornar-se uma estrela pop internacional.O ascensão da artista vai mexer com o orgulho de Brau, que partirá em busca de suas raízes e recuperar a fama perdida. É nesse ponto que a história toma os rumos da África.Lázaro Ramos, Taís Araújo e Luís Miranda – que interpreta o personagem Lima, um dos músicos da banda de Brau - viajaram para Luanda, capital da Angola, para gravar cenas que devem ser exibidas no último episódio da nova temporada."A gente chegou e já teve uma recepção maravilhosa. As pessoas lembram dos bordões dos personagens, gritam, choram. Muita gente vem falar como se identificam com nossos personagens, como se veem neles", conta Lázaro.O ator narra que o elenco foi recepcionado por uma multidão de pessoas em todos os lugares por onde passou. "Muito carinho e gestos de afeto, o tempo todo, em todos os lugares", afirma. "A gente começou a registrar porque se contássemos as pessoas não teriam noção do que foi", completa.Tanto Lázaro como Taís compartilharam em seus perfis nas redes sociais os momentos de empolgação e carinho junto ao público angolano.Quanto amor, quanta emoção! Não existem palavras que possam expressar o que vivemos aqui nesses dias, foram mais que dias de gravações, foram encontros, fortalecimentos, enriquecimentos. Dias de troca, de beleza, e de amor, muito amor. Eu amo vcs, real-oficial!😍😍😍😍 🇦🇴Uma publicação compartilhada por Tais Araújo (@taisdeverdade) em 21 de Fev, 2018 às 6:58 PSTO grito emocionado desta garota e várias outras expressões de carinho que escutei aqui, como "Foguinho", "Endindinha" e "Ó Paí Ó", não vão sair nunca da minha mente. Passamos por diversos lugares em Angola. Lugares que já estão reconstruídos e lugares com muitas faltas. Nesses lugares com muitas faltas meu coração ficava pequeno e tentando encontrar respostas para aquilo tudo. Aquele carinho tão grande recebido, e ao mesmo tempo ver como me aproximar daquela realidade. Muitas vezes foi o afeto recebido que fez com que eu iniciasse uma outra conversa com as minhas emoções. Muitos choros e muitos sorrisos apareceram todos os dias. Obrigado ao povo angolano, que nos deu esse presente que ficará pra sempre na memória.Uma publicação compartilhada por Lázaro Ramos (@olazaroramos) em 21 de Fev, 2018 às 8:12 PSTNas gravações em Luanda, a questão da ancestralidade buscada pelo personagem na ficção trouxe novas perspectivas de negritude para o ator na vida real.Lázaro já havia sentido o carinho do público angolano na época em que interpretava o personagem Foguinho, na novela Cobras & Lagartos. Dessa vez, no entanto, ele se deparou com paisagens que até então desconhecia – e que provocaram momentos de "choro descontrolado"."Quando a gente chega em uma favela e vê tanta gente desassistida, a gente fica também muito reflexivo. Tanto pelas faltas quanto por aquilo que tem de valores e semelhanças. Foi tudo muito impactante para mim", explica.Um dos lugares inéditos e emocionalmente impactantes que o ator se deparou foi o Museu da Escravatura, sediado no Capela da Casa Grande, local onde as pessoas eram rebatizadas no período da escravidão. Ali, os negros tinham seus nomes africanos substituídos por outros, tornaram-se assim subjugados. "Isso foi muito forte", define.Na interação com os fãs, outro episódio mexeu com o emocional do artista."Teve uma menina que virou para mim e disse: 'eu vim aqui hoje por causa da minha irmã, que gostava muito de você. Ela já faleceu, mas eu fiz questão de vir aqui te dizer o nome dela'", ele conta."Esse é um carinho que ultrapassa a barreira da arte e vai para uma questão de identificação, da representatividade", completa.O trio de atores também protagonizou um encontro com cerca de 20 artistas que exploram diferentes gêneros musicais em Angola. Foi um grande show dedicado à população, e que deve ser o ponto alto do derradeiro episódio da temporada.Estrelas populares no país como Yuri da Cunha, Titica e Pérola estiveram presentes espetáculo. "Foi de um tamanho que não dá para calcular", comemora Lázaro.Como já foi dito neste texto, o público poderá acompanhar o resultado dessa montanha-russa de emoções em solo africano somente no dia 12 de junho, quando o último episódio da quarta temporada de Mister Brau vai ao ar.Mas segundo Lázaro Ramos, a espera vai valer a pena. Ele garante que o que foi vivenciado ali "vai dar último episódio que fará jus a essa homenagem da ligação Brasil-Angola, Brasil-África".LEIA MAIS: Bianca Santana, a pesquisadora que busca romper o silenciamento das mulheres negras Recy Taylor, a mulher que impulsionou a resistência de outras mulheres negras em 1944

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Restam poucas vagas abertas no grupo da Seleção Brasileira que tentará, sob o comando do técnico Tite, a conquista do hexacampeonato mundial na Copa da Rússia.Segundo declarações do próprio treinador gaúcho, são aproximadamente 7 as vagas em aberto na lista de 23 atletas que será anunciada no próximo dia 14 de maio, exatamente um mês antes da estreia contra a Suíça, na Arena Rostov.O Campeonato Brasileiro de 2018, iniciado no último sábado (14), terá, em suas 12 rodadas iniciais, uma disputa à parte para alguns atletas: a de chamar a atenção do técnico Tite e, com isso, tentar garantir presença no avião que levará a delegação ao Leste Europeu.Listaremos abaixo alguns dos principais nomes que ainda sonham com um lugar no grupo verde-amarelo e que usarão as rodadas iniciais do Brasileirão para chegar ao Mundial.CássioO goleirão do Corinthians é o favorito para ocupar a vaga de terceiro no grupo em sua posição, já que Ederson e Alisson estão garantidos. Mas há pelo menos dois rivais no Brasileirão que esperam surpreender no sprint final...JaílsonMenos badalado dos três goleiros do Palmeiras, Jaílson mandou o experiente Fernando Prass para a reserva e sequer deu chances ao recém-contratado Weverthon, campeão olímpico na Rio 2016, de se firmar. Vive excelente fase, mas, como nunca foi chamado por Tite, precisará fazer muito mais para ter seu nome anunciado no dia 14 de maio.VanderleiO goleiro do Santos vive situação semelhante. Apesar de viver ótima fase há mais de um ano, nunca teve chances com Tite. O clamor popular parece não convencer o treinador gaúcho a voltar seus olhos para o arqueiro santista.FagnerSó ficará fora da lista final se seu início de Brasileirão for um desastre. Concorre com Danilo, do Manchester City-ING, para ser reserva de Daniel Alves na Copa.Rodrigo CaioO zagueiro são-paulino é favorito para fechar o quarteto de defensores na Copa, mas Tite parece estar se convencendo que o nome ideal para a posição é outro...GeromelO defensor gremista tem feito excelentes atuações pelo Tricolor Gaúcho e, ao contrário de Rodrigo Caio, está em fase ascendente. Pode ser o escolhido de Tite, que é fã de seu futebol.Lucas LimaO camisa 20 do Palmeiras chegou a estar mais cotado para ir à Copa, mas sua queda de rendimento, principalmente em jogos decisivos, parece tê-lo deixado mais distante do sonho.RodriguinhoA fase do camisa 26 corintiano é iluminada. Principal jogador das finais do Campeonato Paulista, brilhou também na estreia do Timão no Brasileiro, diante do Fluminense. Se Seleção realmente premia o melhor momento do atleta, Rodriguinho merece ser chamado.DiegoO meia do Flamengo vive situação parecida com a de Lucas Lima. Não é protagonista do time carioca há um bom tempo e, quando foi chamado para a Seleção, deixou a desejar. De qualquer forma, o cenário pode mudar no caso de um início de Campeonato arrasador.DuduO temperamento forte é o grande adversário de Dudu, capitão do Palmeiras, na luta por um lugar na Copa. O camisa 7 vive melhor fase do que Taison, por exemplo, mas parece estar atrás do jogador do Shakhtar aos olhos de Tite.LuanFechamos a lista com Luan. O atacante do Grêmio é outra boa opção para Tite caso o treinador gaúcho resolva parar de insistir com Taison. É referência no tricampeão da América e ótima opção de velocidade para o ataque da Seleção.LEIA MAIS Seleção Brasileira tem 16 'garantidos' na Copa às vésperas da lista final Os 7 cromos mais raros de todas as Copas do Mundo

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  • 5 days ago

Quem é amante de livros sabe do poder mágico que eles têm de se multiplicar. Muitas vezes, eles possuem até vida própria: dormem no sofá, acordam no criado mundo perto da cama, de repente estão na cozinha e, claro, sempre dão um passeio no banheiro.Como fazer, então, para manter uma boa biblioteca organizada em casa?Na próxima segunda-feira (23), é celebrado o Dia do Livro. Com ajuda do Pinterest, listamos 12 estantes para te ajudar na organização dos volumes nas prateleiras.PinterestPinterestPinterestPinterestPinterestPinterestPinterestPinterestPinterestPinterestPinterestPinterestLEIA MAIS 5 maneiras de decorar com molduras 15 exemplos de como comida e decoração combinam perfeitamente Decoração para quartos infantis