Brazil

  • huffpostbrasil.com
  • 23 hours ago

Como mulher que sou, com um sentido superior de altruísmo, tenho me preocupado com a necessidade de minorar o sofrimento humano e de se atingir uma melhor distribuição da Justiça.Leolinda Figueiredo Daltro, em entrevista à Revista Feminina.O senso de justiça de Leolinda Figueiredo Daltro (1859-1935) a fez ficar conhecida como "a mulher do diabo" em 1909. Afinal, em um Brasil fervorosamente católico da época, uma mulher desquitada, ativa politicamente, que circulava em ambientes masculinos, acreditava na transformação pela educação e lutou para garantir o direito das mulheres ao voto não poderia ser considerada outra coisa senão "diabólica". A mulher que muitas vezes foi considerada "santa, anjo, excêntrica, monomaníaca, visionária, heroína, louca de hospício, doce mãe, aproveitadora, herege e anticristo" por seus desafetos e pela imprensa da época, nasceu na Bahia, mas viveu grande parte de sua vida no Rio de Janeiro e se tornou professora, ativista e mãe de cinco filhos; Daltro ganhou verdadeira notoriedade por sua atuação pelos direitos das mulheres quando, em 1910, fundou o Partido Republicano Feminino (PRF).Em seu epitáfio, no cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, está escrito:Leolinda Figueiredo Daltro Mamãe – nosso ourinho 14/07/1859 - 04/05/1935 Precursora do verdadeiro feminismo pátrio Propugnadora da nobilitação dos humildes e humanização dos selvícolasEstas palavras inquietaram a pesquisadora Mônica Karawejczyk que, em seu artigo Os primórdios do movimento sufragista no Brasil: o feminismo "pátrio" de Leolinda Figueiredo Daltro, buscou entender quem era essa mulher tão querida por seus familiares e tão odiada pela opinião pública no passado.Em seu texto, Karawejczy elucida a participação de Daltro na luta em prol do sufrágio feminino no Brasil. Segundo ela, fala-se muito sobre a figura de Bertha Lutz na luta pelo voto feminino, mas a atuação de Daltro foi fundamental na primeira fase do movimento sufragista brasileiro, nas primeiras décadas do século XX. À época, ela fez com que a questão da emancipação política feminina fosse debatida.Antes de se envolver no movimento feminista, Daltro atuou como indigenista e foi uma grande defensora da implantação de uma educação laica para os índios do Brasil. Foi sua experiência como indigenista e principalmente, as dificuldades que enfrentou para colocar em prática seu projeto educacional para os índios, que a levou para o movimento feminista. "O objetivo primordial da professora Daltro no começo do século XX foi a causa indigenista. A sua tentativa infrutífera de obter um cargo oficial junto ao governo para atuar na área de educação indígena parece ser o que contribuiu de forma decisiva para a conscientização de que a sua condição de mulher é que estava sendo um empecilho para atingir seus objetivos", escreve a pesquisadora.Assim, o PRF defendia o direito de as mulheres serem tão cidadãs quanto os homens. A lei, à época, determinava que só um cidadão pleno tinha direito ao voto. Este conceito era formato por quesitos como ser alfabetizado, se interessar pela vida pública, defender a coletividade e ter condições de ir à luta armada. Então, porque, as mulheres não eram consideradas "cidadãs plenas"?Daltro foi à fundo e, ao lado de suas alunas da Escola Orsina da Fonseca, se inspirou em sufragistas inglesas, como Emmeline Pankhurst, para defender os direitos ao voto feminino no Brasil. À época, na Grã Bretanha, as mulheres iniciavam o movimento que, em 6 de fevereiro de 1918, garantiu a aprovação de uma Lei que permitiu que uma parcela das inglesas pudessem ir às urnas.Apesar de ter sua fundação e o estatuto registrados no "Diário Oficial da União" à época, o PRF não podia receber votos, já que era composto apenas por mulheres. A agremiação era, na verdade, uma espécie de "antipartido", conta a estudiosa em seu texto. Senso assim, Leolinda criou táticas para "fazer barulho": solicitava audiências, fazia passeatas e mantinha sua inspiração nas sufragistas europeias.As diretrizes do PRFO programa do PRF, publicado no Diário Oficial em 17 de dezembro de 1910, afirma que o partido pretendia "congregar a mulher brasileira na 72 Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 40, n. 1, p. 64-84, jan.-jun. 2014 capital federal e em todos os Estados do Brasil, promovendo a cooperação entre as mulheres na defesa das causas relativas ao progresso pátrio".O quarto artigo definia que o partido deveria: "Pugnar para que sejam consideradas extensivas às mulheres as disposições constitucionais da República dos Estados Unidos do Brasil, desse modo incorporando-a na sociedade brasileira".Em novembro de 1917, o PRF levou cerca de 90 mulheres à favor do sufrágio universal às ruas de Salvador e do Rio de Janeiro. Daltro lutou para que o primeiro projeto de lei, em 1919, em favor do sufrágio feminino, fosse apresentado. Mas foi em 1921 que tal projeto passou pela primeira votação, mas jamais foi realizada a segunda e necessária votação para converter o projeto em lei.Karawejczy, em seu texto, afirma que, apesar de todas as suas lutas e posicionamentos, Daltro não procurou revolucionar o papel da mulher na sociedade, mas, sim reformar seu papel. "Através da educação, [Daltro] buscou dar oportunidades para as mulheres se integrarem-se à vida pública. Mais do que uma revolução nos costumes, ela procurou reformar as leis para que a brasileira pudesse atuar de forma equivalente à dos homens, com as mesmas oportunidades e direitos", afirma. "E assim devemos entender o seu pioneirismo no que seus filhos acharam por bem nomear de "feminismo pátrio". O seu papel na história brasileira merece ser conhecido e reconhecido", conclui.As mulheres e o direito ao voto no BrasilApós a morte de Daltro, o protagonismo na militância pelo voto feminino no Brasil acabou ficando com outro grupo de mulheres, comandada pela também revolucionária, Bertha Lutz. A aprovação do voto feminino no Brasil data de 1932 e foi exercido pela primeira vez em 1935.O Código Eleitoral Provisório foi aprovado e deu o direito ao voto às mulheres, mas ainda com ressalvas: "Que passou a permitir o voto feminino com a imposição de que só as casadas com o aval do marido ou as viúvas e solteiras com renda própria teriam permissão para exercer o direito de votar e serem votadas".Em 1934, foi consolidado do Código Eleitoral, que reformava outro marco na luta pelos direitos das mulheres e retirava as exigências do Código Eleitoral Provisório de 1932.Neste 24 de fevereiro de 2018, completam-se 86 anos do direito ao voto das mulheres no Brasil.Daltro morreu em um desastre de automóvel em maio de 1935, aos 65 anos de idade. Segundo texto da pesquisadora Hildete Pereira de Melo em parceria com Teresa Cristina de Novaes Marques, da UnB (Universidade de Brasília) por ocasião de sua morte, a revista Mulher, editada pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, registrou o fato com pesar e ressaltou seu papel como precursora do feminismo no Brasil.Afirmou a revista da Federação que:"teve ela que lutar contra a pior das armas de que se serviam os adversários da mulher: o ridículo. Talvez isto a houvesse magoado profundamente tanto que se afastou das lides feministas. Mas a sua obra patriótica não parou aí: dedicou-se à obra da alfabetização no meio desses milhões de analfabetos, nela consumindo a sua velhice".LEIA MAIS: "Se eu estou sentada aqui é porque muitas sufragistas apanharam", diz 1ª presidente mulher do STM Conheça a história bizarra dos memes de gatinhos antissufragistas Americana de 102 anos, que nasceu antes do direito ao voto feminino, registra voto em Hillary Clinton

  • huffpostbrasil.com
  • 1 day ago

Embora o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Julio Delgado (MG), e o presidente do partido, Carlos Siqueira, estejam conversando com o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa para lançá-lo candidato à Presidência da República, há grandes chances de o PSB ficar fora da corrida pelo Palácio do Planalto.Isto porque não é consenso entre a legenda o interesse em concorrer à Presidência. Há ao menos outras duas vertentes dentro do partido sobre as possibilidades para as eleições. Uma delas leva em conta o cenário de São Paulo e a outra - com maior aderência - considera o plano macro do País.Caciques do partido defendem que é mais vantajoso ficar independente no plano nacional para fazer alianças regionais. A análise interna é de que, com isso, o partido terá maior possibilidade de crescer. O PSB planeja ter candidatos para o governo em ao menos 10 estados.Alianças do PSBA independência da corrida presidencial daria ao partido a possibilidade de posicionamentos inusitados, como a união com o PT em Pernambuco, e com o PSDB em São Paulo. No caso de Pernambuco, há uma aproximação entre o governador pessebista Paulo Câmara e petistas.A aliança no estado pode beneficiar os dois partidos. Além de ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter grande potencial de puxar votos no estado, o PT poderia compor uma chapa para tentar reeleger o senador Humberto Costa (PT-PE).O contraste na legenda é visto ao se comparar com São Paulo, estado onde o possível aliado do PSB é o PSDB e há outro cenário conflituoso para 2018. Um acordo feito entre Márcio França (PSB), vice-governador de São Paulo, e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ainda embaralha as cartas para as eleições presidenciais.Quando a chapa foi composta, em 2014, Alckmin prometeu apoiar França para o governo nestas eleições e o pessebista também assegurou apoio à ambição presidencial do governador. Apesar do esforço de tucanos para lançar um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes, o próprio governador de São Paulo tem sido delicado para tratar do assunto e não rompeu com França.Embora seja considerada uma tarefa praticamente impossível, caso o PSDB feche apoio a França em São Paulo, também estará no jogo da negociação o apoio do partido à candidatura de Alckmin.Jogo em abertoPara completar o embaralho das cartas, o ex-deputado Beto Albuquerque, que foi candidato à vice de Marina Silva em 2014, apresentou interesse em ser o candidato do partido para disputar a Presidência. Em texto escrito ao partido, ele é enfático na defesa de candidatura própria: "Nada justificará a ausência e omissão do PSB neste processo eleitoral".Na eleição anterior, o ex-deputado formou a chapa com Marina, após a morte do pessebista Eduardo Campos. Na última pesquisa antes de morrer, Campos somou 9,2% dos votos. A chapa de Albuquerque, encabeçada por Marina, ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 21% dos votos válidos.LEIA MAIS Ministro do PSB reconhece que 'partido não tem uma liderança nacional' No Recife, Geraldo Julio (PSB) derrota o PT e é reeleito Após Lava Jato mirar em Lula, PSB anuncia guinada à oposição

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

Não é exagero afirmar que O Segundo Sexo é a obra que originou o feminismo contemporâneo e traçou o caminho para a teoria de gênero e para que o mundo enxergasse uma nova concepção do papel da mulher na sociedade. Também não é exagero dizer que este é o livro mais conhecido -- e lido -- da filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir."Ninguém escreveu algo que foi tão importante quanto, não só para as mulheres da minha geração, mas para as mulheres de hoje também", constata Mirian Goldenberg, antropóloga e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em entrevista ao HuffPost Brasil. "Todos os livros dela são muito atuais, porque falam da condição feminina, que é universal, que não é datada", aponta.Com o seu "ninguém nasce mulher, torna-se", Beauvoir abalou as normas e padrões de normalidade à época. Não à toa o livro foi excomungado pela igreja em 1956, quando as traduções impulsionaram a difusão das ideias dela -- que provaram que tudo aquilo que "se torna" pode ser desconstruído.Mas o que poucos sabem é que a obra de Beauvoir vai muito além do clássico O Segundo Sexo. Entre os compilados de cartas que já escreveu, romances e contos está sua pouco conhecida trilogia autobiográfica.Memórias de uma moça bem-comportada, A força da idade e A força das coisas são os livros em que Beauvoir descreve as memórias de si mesma ainda como uma filósofa e feminista em construção. "Quem lê consegue enxergar a vida pelos olhos da Simone; ter a visão dela do dia a dia, entender como foi a construção da filósofa que ela se tornou", aponta Ana Carla Sousa, editora dos livros dela no Brasil pela Nova Fronteira que, em abril deste ano, lançará o box "Memórias" com uma reedição da trilogia em parceria com a Amazon.A trilogia de BeauvoirO primeiro volume da autobiografia de Beauvoir chama-se Memórias de uma moça bem-comportada, que pode ser entendido como um relato vívido de sua infância e adolescência dentro de uma família burguesa respeitável no começo do século XX. O livro é marcado pela rebeldia dela contra a opressão da Igreja e da família, que fomentam a emancipação de uma menina apaixonada por livros e pela vida. Ela escreve:Por que resolvi escrever? Temia a noite, o esquecimento; o que eu vira, sentira, amara, era-me desesperante entregá-lo ao silêncio. Comovida com o luar, desejava logo uma caneta, um pedaço de papel e saber utilizá-los. Escrevendo uma obra tirada da minha história, eu criaria a mim mesma de novo e justificaria minha existência.No segundo volume, A força da idade, retrata sua vida dos 21 aos 36 anos, ou seja, de 1929 até 1944, um momento particular da trajetória da filósofa. Segundo Goldenberg, o "livro é uma ode à liberdade": "Ela escolheu inventar um vida por ela mesma, diferente do modelo do que se vivia naquela época e que ainda se vive hoje, inclusive. Apesar da guerra, do nazismo, do fascismo, ela se reinventa como mulher, como escritora, enfim. Tudo é sobre a ideia de liberdade, mas também sobre felicidade".Para Beauvoir, 1929 foi um ano marcante. Foi quando ela decidiu morar sozinha, começou sua parceria com Sartre, começou a trabalhar como professora e a ganhar o próprio dinheiro. Ela decidiu não casar, não ter filhos. "É neste momento, quando ela se emancipa economicamente, quando ela sai de casa, quando ela decide viver uma vida diferente com o Sartre é que ela descobre que ela era completamente feliz. Ela era livre", aponta a antropóloga.Nada nos limitava, nada nos definia, nada nos sujeitava; nossas ligações com o mundo, nós é que as criávamos; a liberdade era nossa própria substância.Simone de Beauvoir, sobre seu relacionamento com Sartre em 'A força da idade'.O livro também traz um panorama sobre a construção dos anos decisivos na formação literária, filosófica e política da intelectual francesa e delimitando a época áurea do existencialismo francês. Já a terceira parte de suas memórias, A força das coisas, inicia-se na chamada "Paris da Libertação". É o fim da Segunda Guerra Mundial, a França está liberta do poder hitlerista, e a Europa está pronta para recomeçar. Beauvoir também recupera histórias de viagens que fez da Espanha à Austria e expõe o cotidiano da intelectualidade francesa da época.Estávamos livres. Nas ruas, as crianças cantavam (...) e eu repetia para mim mesma: Acabou, acabou.Simone de Beauvoir em 'A força das coisas'.É neste terceiro livro também que Beauvoir relata sua visita ao Brasil. "Ela fala muito das viagens que ela fez em A força da idade. Ela veio com Sartre e boa parte da estadia dela aqui foi guiada por Jorge Amado. Quer dizer, três ícones juntos, né? Ela leva um bom pedaço do livro falando sobre essa visita", detalha a editora Ana Carla Sousa.O resultado desta viagem foi a primeira publicação de O Segundo Sexo no Brasil. Em 1960, Beauvoir e Sartre viviam o auge de seu sucesso como escritores e filósofos e participavam ativamente do cenário político mundial. Ambos vieram ao Brasil após uma visita a Cuba. Aproveitando a ocasião, a editora Difusão Europeiado Livro, que já tinha publicado dois romances dela no País, aproveitou a oportunidade e lançou 2 volumes do clássico de Beauvoir, na tradução de Sérgio Millet.E a publicação do livro deu às brasileiras a argumentação precisa para responder aos argumentos das diferenças biológicas que justificavam a superioridade masculina. "Pertenço à geração de mulheres para as quais os livros de Simone de Beauvoir, especialmente O segundo sexoe Memórias de uma moçabem comportada, tiveram uma importância decisiva", escreve Maria Lygia Quartim de Moraes, professora do Departamento de Sociologia do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp em artigo para a Boitempo."[Os livros] Ajudaram a nomear um mal-estar difuso e a entender a situação da mulher como produto da história e da sociedade. Mais do que isso, a experiência de Simone e seu pacto amoroso com Sartre exerceram um fascínio extraordinário. Simone não queria ter filhos, nem criar família, tampouco viver como uma burguesa acomodada", completa.Para ler Simone de BeauvoirPara a antropóloga Mirian Goldenberg, ler Beauvoir é algo fundamental: "Eu li Simone de Beauvoir pela primeira vez quando eu tinha 16 para 17 anos. Estava entrando na faculdade e li O Segundo Sexo e foi fundamental para a minha vida".Segundo ela, para quem quer conhecer a filósofa, o ideal é começar pelo clássico O Segundo Sexo, mesmo. "É uma síntese de tudo o que ela vai falar em todas as obras dela e é o livro mais importante para a libertação das mulheres", afirma.Mas, depois, para quem quer mergulhar na obra completa da filósofa, a trilogia autobiográfica é o ideal -- além de ler os romances que ela já publicou como Os Mandarins (foto acima) que também tem um caráter autobiográfico."Eu li também muitos artigos sobre ela, sobre o casal; existem algumas entrevistas disponíveis no Youtube que são maravilhosas, mas isso eu deixaria para depois". E dá a dica: "Primeiro eu mergulharia na obra dela para depois ver os filmes, as entrevistas, porque aí dá um outro patamar de conhecimento."LEIA MAIS: Uma carta sobre o fim do relacionamento, mas não do amor, por Simone de Beauvoir As 9 pessoas que você provavelmente vai namorar, de acordo com Simone De Beauvoir 8 motivos que mostram por que a obra de Simone de Beauvoir é tão importante para o feminismo

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

O Farol Santander, novo espaço cultural localizado no centro de São Paulo, recebe no mês de março a exposição Saramago – Os Pontos e a Vista, que apresenta detalhes da trajetória e produção de José Saramago (1922-2010), ícone da literatura contemporânea vencedor do Prêmio Nobel em 1998.Com curadoria de Marcello Dantas e produção audiovisual assinada por Miguel Gonçalves Mendes, a mostra reúne dezenas de matérias do escritor português ainda inéditos para o público brasileiro. Entre os destaques está o computador com o qual Saramago escreveu o livro Ensaio Sobre a Cegueira.Uma das mais populares do autor, a obra conta a história de uma severa epidemia que cega as pessoas. Metáfora sobre a sociedade nos tempos atuais, o livro foi adaptado para o cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus), em 2008.A produção foi aprovada (com emoção) pelo escritor português.Voz crítica às injustiças, aos grandes poderes econômicos e um ateu convicto, Saramago escreveu mais de 30 livros, entre romances, crônicas, poemas, contos e peças teatrais. Além de Ensaio Sobre a Cegueira, destacam-se em sua biografia as obras: A Jangada de Pedra (1986), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) e A Viagem do Elefante (2008).A ideia da exposição é que o público faça uma imersão em primeira pessoa na vida do autor morto em 2010, aos 87 anos, em decorrência de uma leucemia."Saramago é popularmente conhecido pelas opiniões polêmicas, mas ao nos aproximarmos de seu universo podemos entender que suas opiniões vêm de uma reflexão profunda sobre as condições humanas e as relações de poder", diz Marcello Dantas em texto de divulgação sobre a mostra."É a força que carrega como cidadão, que permeia sua criação literária com um interesse genuíno pelo mundo e pelo ser humano", completa o curador.A exposição fica aberta para visitação de 9 de março a 3 de junho.A entrada é gratuita.SERVIÇO:Saramago – Os Pontos e a VistaLocal: Farol SantanderRua João Bricola, 24, centro - São Paulo - SPDe 6 de março a 3 de junho de 2018.Terça a domingo, das 9h às 19h.Entrada franca.LEIA MAIS: Viola Davis é tema de mostra que celebra Dia da Mulher no MIS-SP 'The Cloverfield Paradox': Tudo que você precisa saber sobre o universo cinematográfico de J.J. Abrams

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

Por Natalia Viana, da Agência PúblicaEntre 2014 e 2016, Christoph Harig frequentou bases do Exército no Rio, em São Paulo e Minas Gerais, conversou com dezenas de membros das Forças Armadas e fez entrevistas por meio de um questionário com 130 militares que estiveram no Haiti ou em operações de segurança interna. Tudo para sua tese de doutorado, defendida no Brazil Institute, um centro de pesquisa da renomada universidade King's College, em Londres. "O maior grupo [de militares ouvidos] disse isto: eles não gostam de ser empregados em tarefas policiais", afirmou, em entrevista à Pública.Hoje doutor em estudos de segurança, Christoph acompanha, desde a Inglaterra, os desdobramentos da intervenção militar decretada pelo presidente Michel Temer na última sexta-feira e aprovada pelo Congresso esta semana. E critica: "A intervenção federal funciona para ofuscar o fato de que os militares estão no Rio há muito tempo, desde julho do ano passado, sem resultados muito positivos".Leia a entrevista.Agência Pública: Como foi desenvolvida sua pesquisa de doutorado?Christoph Harig: Comecei em 2014, e a ideia era comparar a experiência no Haiti com a do Rio e de outras Missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Eu fiz entrevistas através de um questionário com 130 membros do Exército, de variadas patentes, que estiveram no Haiti ou em missões de GLO – ou em ambos – e fiz cerca de 30 entrevistas pessoais em bases militares no centro de treinamento de GLO em Campinas, no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, no Rio e uma base em Minas Gerais, quando os soldados acabavam de retornar da ocupação na Maré em 2015.As entrevistas corroboram um pouco o que o general Augusto Heleno, ex-comandante das tropas no Haiti, afirmou em entrevista recente. Os militares preferem ter regras de engajamento relativamente lenientes com as quais eles possam fazer ações ofensivas contra criminosos. Uma das lições que dizem ter aprendido no Haiti é que, se eles podem fazer ações ofensivas contra gangues, conseguem derrotá-las em uma região da cidade.Mas essa atual intervenção já prevê que os militares vão ser julgados pela Justiça Militar. O que mais eles querem?Veja, pessoas como o general Heleno... No Haiti, o Heleno deu ordens às suas tropas para atacar pessoas que estivessem recolhendo corpos das ruas. Ele disse em entrevistas que eram todos alvos legítimos. A teoria do Heleno é que os grupos armados no Rio constituem inimigos e eles podem ser mortos sem qualquer consequência para os soldados. Querem um enquadramento jurídico no qual não haja nenhuma consequência legal, um excludente de ilicitude.Muitos dos que entrevistei para minha tese reclamaram que no Rio eles não puderam agir como no Haiti. Achavam que, se pudessem fazer o mesmo, teriam a liberdade para efetivamente derrotar as gangues. Eles querem mandados de busca e apreensão coletivos, e o governo quer dar a eles. E reclamam que, se eles não tiverem esses mandados, serão enganados pelas organizações criminosas, que escondem armas e drogas em várias casas.Em uma audiência no Senado em junho do ano passado, o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, disse que o uso das Forças Armadas em ações de segurança pública é "desgastante, perigoso e inócuo". Ele disse, inclusive: "Nós não gostamos desse tipo de emprego, não gostamos". Você encontrou essa mesma visão nas entrevistas que fez para seu doutorado?O maior grupo de entrevistados também disse isto: eles não gostam de ser empregados em tarefas policiais. Eles não gostam das missões de GLO. De um lado, dizem que, se forem empregados, deveriam ter a permissão de fazer o que quiserem. Mas muito mais militares dizem que seu papel não deve ser agir contra a própria população brasileira. Grande parte diz que isso é tarefa da polícia, e eles não deveriam fazer o que a polícia fracassou em fazer. No questionário, a pergunta era: "Você acha que as Forças Armadas devem ter um maior envolvimento com segurança pública?". Dentre as 116 respostas, 49% disseram que não deveria se envolver nem um pouco com segurança pública; 25,9% acharam que deveriam se envolver bastante, e outros 25% acharam que deveriam se envolver muito pouco. A outra pergunta foi: "Qual é o segundo papel mais importante que as Forças Armadas devem desempenhar além de defender o território nacional?". Recebi 86 respostas. 44.2% respondeu que devem ser as operações de paz da ONU. Apenas 24.4% – menos de um quarto – disse que deveria ser segurança pública.Vale dizer que a pesquisa que eu fiz não representa todo o Exército; eu escolhi apenas militares que haviam estado no Haiti ou em ações de GLO.Eles acham que é muito desgastante, os soldados passam semanas em quartéis em algum lugar. É desconfortável, é perigoso.Qual operação de GLO os entrevistados avaliaram como a pior?A operação na Maré foi particularmente frustrante. Eles comparavam frequentemente a Maré [2014-2015] com a ocupação do Complexo do Alemão [2010] e diziam que no Alemão foi relativamente bem. No Alemão, eles tinham mandatos de busca coletivos em algumas áreas e tiveram uma percepção de ter mais apoio do governo, porque fazia parte de um plano mais amplo, a estratégia de pacificação. Eles invadiram e ocuparam o Alemão, expulsaram os criminosos junto com a polícia.Na Maré, eles simplesmente ocuparam a área por um tempo, sem a permissão para agir ofensivamente.Só que no Alemão havia apenas o Comando Vermelho, enquanto na Maré havia três grupos brigando. Tinha também o Terceiro Comando Puro, a ADA... E os soldados ficaram no meio do fogo cruzado. Muitos dos entrevistados disseram que recebiam tiros dos dois lados. E os grupos criminosos não foram embora, ficaram onde estavam porque senão as outras gangues iam dominar o território. Então os criminosos esconderam as armas, levaram uma vida normal por um tempo e depois voltaram a agir exatamente como antes.Bom, isso ocorreu no Alemão também...Claro, está tudo como era antes. Mas os militares só têm uma visão limitada da parte deles da missão. No Alemão, eles viram que expulsaram os criminosos e ocuparam o território por um tempo. Mas é claro que o fracasso do governo em trazer serviços sociais levou ao fracasso geral.A missão de Paz da ONU no Haiti, chefiada pelo Brasil (Minustah), é tida como bem-sucedida pelas nossas Forças Armadas. Mas houve diversos problemas – desde o fato de que a Minustah entrou no país após a remoção do presidente por militares americanos, passando por acusações de abuso sexuale até a importação de cólera para o país, que matou mais de 9 mil pessoas. A Minustah de fato pacificou o país?Os militares brasileiros conseguiram manter uma imagem de que suas ações no Haiti estão separadas dos outros contingentes. Eles não assumem responsabilidade por esses erros. Não houve acusação formal de assédio sexual contra brasileiros [houve denúncias internas, segundo apurou a Pública]. Nem tudo pode ter sido investigado, claro. Mas a missão militar foi bem-sucedida. As favelas de Porto Príncipe eram dominadas por gangues, e os militares as expulsaram.Agora, os militares aceitam que há um "efeito colateral" enquanto enfrentam o inimigo. Eles aceitam que há vítimas civis. Na perspectiva deles, é um mal necessário se eles querem mesmo eliminar criminosos. Isso é problemático do ponto de vista dos direitos humanos, porque essas pessoas não fizeram nada, apenas viviam em áreas dominadas por gangues.Quantas pessoas morreram na primeira fase de incursões nas favelas de Porto Príncipe?Não acredito que existam números oficiais. Os comandantes admitiram a responsabilidade por algumas dezenas de mortes nas operações de 2007. Mas organizações de direitos humanos dizem que muito mais pessoas morreram. É difícil conseguir o número real.Na sua opinião, a Minustah conseguiu de fato derrotar as gangues na capital haitiana?Eu acho que é majoritariamente uma impressão dos militares. Hoje, no Haiti, as gangues criminosas ainda estão lá, mas estão agindo de uma maneira diferente. O que os soldados da Minustah fizeram foi redirecionar a prevalência das gangues em certas áreas durante um certo período. Mas é assim a visão das Forças Armadas: os militares se concentram apenas nas suas próprias ações, não em ações políticas, que deveriam vir depois. Para eles, o fracasso posterior em reconstruir o Haiti não é responsabilidade deles.Você acha que a percepção dessa operação no Haiti com bem-sucedida é um engano?Eu li um artigo de opinião de um ex-comandante militar dizendo que eles acreditam que a maneira brasileira de fazer missões de paz, sendo simpáticos com a população local, por exemplo, contribuiu para o sucesso no Haiti. Isso, obviamente, deixa de lado o fato de que eles foram muito agressivos contra os civis e não bate com o que as organizações de direitos humanos dizem sobre os brasileiros. Mas você tem que admitir que, comparados com outros contingentes, como os nepaleses ou jordanianos, os brasileiros se comportaram bem.Nas entrevistas que fiz, os líderes militares reconhecem, também, que a Minustah, enquanto missão, não resolveu os problemas econômicos e sociais do Haiti. Eles falaram muito que a pobreza continuava, a atuação de criminosos em Porto Príncipe... Ou seja, cumpriu a parte militar da missão, mas não conseguiu melhorar a situação geral do Haiti.Em entrevista à Publica, o ex-ministro da Defesa Celso Amorim disse que essa é uma intervenção política, e não militar, porque não foi uma demanda das Forças Armadas, mas do presidente. Você concorda?Sim, eu concordo. Eu diria até que os militares realmente não se sentem confortáveis com essa missão. Não é uma intervenção militar, é uma decisão do governo de colocar um general no comando porque vai render mais como propaganda. E eu acho que a intervenção federal funciona para ofuscar o fato de que os militares estão no Rio há muito tempo, desde julho do ano passado, sem resultados muito positivos.Até que ponto essa intervenção é uma ampliação do uso já feito da GLO por governos anteriores, ou é algo novo?Tem havido uma expansão contínua do uso da GLO desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas até o governo de Luiz Inácio Lula da Silva todas essas operações duravam um tempo muito limitado. O governo Lula foi o que começou a ter operações de GLO de longo prazo, com a pacificação do Alemão em 2010. A aliança de Lula com Sérgio Cabral enxergou um ganho político em enviar os militares ao Alemão antes da Copa do Mundo. Isso, na minha opinião, abriu uma caixa de Pandora, porque depois dessa missão governadores de todo o Brasil passaram a ficar interessados em operações de GLO e começaram a pedir quando não era realmente necessário.Por exemplo?Por exemplo no Rio Grande do Norte, quando a polícia entrou em greve em 2017 – eu entendo que se chame o Exército quando não há polícia, mas os policiais entraram em greve porque estavam sem receber salário havia meses. Então usaram os militares para dourar a pílula sobre o seu próprio erro. Até mesmo o prefeito de Porto Alegre pediu assistência militar quando houve o julgamento do Lula, por causa dos protestos. Isso é ridículo, é um golpe de marketing. Ele sabe que como prefeito não tem o poder de chamar os militares, mas passa a impressão de que está fazendo algo. E o Rio de Janeiro está se tornando cada vez mais abusado. Em fevereiro do ano passado, o governo do Rio pediu 22 mil soldados do Exército para o Carnaval, segundo o Estadão noticiou. Os militares permitiram o emprego de 9 mil soldados.Então, falando cinicamente, a intervenção é a consequência lógica da banalização das operações de GLO.Agora, a intervenção federal é definitivamente um passo além disso. É uma medida muito drástica para superar a responsabilidade do governo estadual por essa área. E eu acho muito perigoso, porque ela corrobora a lógica do intervencionismo militar, aqueles que acreditam que os militares seriam a solução dos problemas brasileiros.Como o Jair Bolsonaro?Exatamente. E o Sérgio Cabral está na cadeia por corrupção, houve vários escândalos ligados ao PMDB do Rio, muito dinheiro simplesmente desapareceu em contas privadas, então não tem mais dinheiro para saúde, educação... Nenhum desses problemas vai ser resolvido com uma intervenção federal na área de segurança.E qual pode ser o resultado da intervenção em termos de ânimo das tropas?O risco de frustração é alto. Eles esperam poder obter um "excludente de ilicitude", embora grande parte das tropas não queira estar lá. É, na verdade, um tipo de operação muito malvista pela liderança das Forças Armadas. Nas entrevistas para meu doutorado, muitos militares disseram que não gostam de ser usados como um instrumento político pelo governo – porque agora as ações deles podem até afetar o resultado das eleições.Você acredita que há um risco de essa visão do intervencionismo militar também se expandir dentro da tropa?Olha, eu estou entre os poucos que não acreditam que os militares querem tomar o governo. Eu acho que eles ficam muito mais confortáveis quando podem se concentrar em missões externas. E há muito receio de que, quanto mais tempo eles estejam envolvidos em missões internas, maior é o risco de que esses grupos criminosos possam corromper os soldados. Alguns entrevistados de alta patente se mostraram muito preocupados com o poder dos grupos criminosos de corromper. Eles sabem que os militares de baixa patente não ganham muito e sabem que os criminosos podem oferecer dinheiro. Eles veem o que acontece com a polícia e querem evitar isso.LEIA MAIS Após intervenção, Congresso quer mudar posse de armas, tirar atenuante de crime e reduzir saidão de presos Álvaro Dias, Cristovam e Collor estavam ausentes na votação da intervenção no Rio de Janeiro Intervenção federal não será efetiva por limitação ao poder do militar, diz Bolsonaro

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

O "dia do lixo" é comum em dietas que restringem calorias. Para compensar a rotina alimentar rigorosa durante a semana, muitas pessoas escolhem um dia, principalmente no fim de semana, para "enfiar o pé na jaca" e comer o que quiser.Porém, essa prática não é incentivada pela nutricionista Sophie Deram, doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e autora do best-seller O Peso das Dietas.Deram é especialista em tratamento de Transtornos Alimentares pelo AMBULIM – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo - e uma das profissionais de saúde mais críticas às dietas."Este é o melhor jeito de engordar", disse a nutricionista sobre eleger o "dia do lixo" e seguir dietas restritivas. "Restringir o que come faz com que você exagere quando pode", disse.Segundo a especialista, esperar até o fim de semana para comer "o que quiser" faz com que você coma mais quando está "liberado"."A gente não deveria ter uma vida durante a semana, comer tudo sempre certinho, e outra no final de semana", critica. Isso deixaria a pessoa ainda mais ansiosa para comer, e quando ela pode, comeria a mesma quantidade de calorias que se privou no dia de semana.A saída é não fazer diferença entre os dias da semana e fim de semana. "São dias que deveram ser considerados de maneira similar. A gente tem um pouquinho de felicidade, às vezes come a mais, isso tudo é normal", aconselha. Para ela, a chave de uma alimentação saudável é a moderação.Ela lembra que dietas restritivas e ideias como o "dia do lixo" aumentam a compulsão sobre a alimentação e o "comer emocional". "Quanto mais dieta você faz, mais compromete a relação com a comida, mais há risco de perder o controle, isso é um fato", disse."A gente começa a usar a comida como recompensa para nossas emoções. Você come quando está triste, quando está feliz, quando está entediado. Este é o melhor jeito de engordar: você restringe tanto os alimentos e, quando finalmente os come, faz exageros e ganha tudo que você perdeu."Se você quer perder peso sem abrir mão da saúde, Deram aconselha banir dieta restritiva e 'dia do lixo', priorizar a produtos in natura, que você encontra em feiras, e diminuir o consumo de industrializados e, por fim, comer comida caseira e fresca.

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

Não constitui exagero dizer que Pantera Negraé um dos filmes mais aguardados da década, e o protagonista Chadwick Boseman tem estado no centro das atenções, com razão.Porém, agora que o filme finalmente estreou, Chadwick vai dividir os holofotes com os atores e atrizes fenomenais com quem contracena no filme, incluindo Daniel Kaluuya, Lupita Nyong'o e Danai Gurira. Uma delas em particular chamou nossa atenção: Letitia Wright.Letitia faz o papel de Shuri, irmã do Pantera Negra. Ela é a criadora da armadura usada pelo herói, suas armas e suas engenhocas. Além disso, sua personagem tem todas as melhores falas e costuma roubar a cena de outros tranquilamente.Com mais uma atuação no cinema como a personagem da Marvel prevista para este ano, achamos que não vai demorar nada para Letitia Wright virar uma favorita dos fãs. A seguir, você conhece melhor a atriz em nove fatos:1. Seus trabalhos na TV incluem as séries Black Mirror e Top BoyCom 24 anos, Letitia Wright já acumula uma sequência de papeis impressionantes, incluindo um de protagonista no episódio Black Museum, elogiado pela crítica, de Black Mirror.Letitia fez seu nome em 2011, na série da Channel 4 Top Boy, representando a personagem Chantelle na primeira temporada.Como se não bastasse, ela também já foi vista em Doctor Who, Humans, Holby City e Cucumber.2. Ela já foi comparada com Leonardo DiCaprioPode parecer uma comparação inesperada, mas Michael Caton-Jones, que dirigiu Letitia no drama de 2015 Urban Hymn, se derramou em elogios à atriz e disse que trabalhar com ela foi como dirigir DiCaprio, então com 16 anos, em O Despertar de um Homem."Desde Leonardo DiCaprio eu não tenho essa sensação em relação a alguém", falou o diretor ao jornal The Guardian. "Já trabalhei com muitos atores muito bons, mas eu me oriento por meus instintos. Meu instinto me diz que Letitia pode ganhar as dimensões que ela quiser."Ela é simplesmente maravilhosa. A câmera a ama. Ela possui uma honestidade emocional."3. Ela é da zona norte de Londres e se orgulha dissoLetitia tem muito orgulho de suas raízes. Nascida e criada na Guiana, ela se mudou com sua família para Tottenham, na zona norte de Londres, aos 7 anos de idade.Revelando os lugares que frequentava na adolescência, ela contou à Time Out: "Eu ia ao cinema Hollywood Green, em Wood Green, e nas noites de verão ficava sentada diante do Alexandra Palace."Tottenham foi um lugar incrível para viver na adolescência, porque é tão centrado na comunidade. É um caldeirão de culturas. Sempre vou ser uma garota da zona norte de Londres."4. Letitia é uma das atrizes que ajudou a lançar o movimento Time's UpQuando o movimento foi lançado, em novembro, 300 mulheres do setor do entretenimento, incluindo atrizes, diretoras e produtoras, assinaram uma carta prometendo solidariedade a qualquer pessoa que foi a público para denunciar sua experiência de ter sofrido assédio sexual no trabalho.Letitia foi uma das pessoas que assinou a carta. Ela explicou anteriormente que tomou consciência pessoal de tudo o que estava acontecendo "quando Lupita [Nyong'o] denunciou Harvey Weinstein".Ela disse à Time Out: "Foi tipo 'ei, não são apenas atrizes que estão lá longe. É a atriz que está no set aqui do meu lado, preparando-se para dizer seus diálogos.""Alguns meses depois, Brie Larson reuniu todas as mulheres no set e falou 'ei, existe uma coisa chamada Time's Up'. Logo depois, recebi um e-mail de America Ferrera – que eu cresci assistindo na televisão."5. Se algum dia for feita uma cinebiografia de Letitia Wright, ela já sabe quem deveria fazer o papel principal."Naomie Harris" foi sua resposta imediata quando a pergunta foi feita no Bafta.6. Letitia foi nomeada Atriz Britânica Revelação no Bafta de 2015E ela estava em boa companhia. A atriz e roteirista Charlie Covell (Marcella, Peep Show) e o ator Alex Lawther (The End Of The F***ing World) também estavam entre os finalistas.7. Ela espera que sua personagem Shuri sirva de inspiração a meninasA personagem de Letitia em Pantera Negra, Shuri, é a criadora de todos os figurinos e truques tecnológicos do herói, e a importância disso não passou despercebida pela atriz.Falando na première mundial de Pantera Negra, ela disse à E!: "É um privilégio fazer uma personagem que uma garota possa ver, assistir a este filme e pensar 'ei, acho que vou querer ser cientista. Vou querer mexer com tecnologia.' Acho isso incrível."8. ... e toparia fazer um Pantera Negra 2 ou um filme sobre ShuriMas ela não está com pressa, e no tapete vermelho da première europeia do filme, ela disse, brincando: "Vamos ver onde o futuro nos leva..."Neste momento temos um Pantera Negra forte, muito bom – Chadwick Boseman. Ele chegou para ficar e ele é incrível."Eu vou continuar a criar engenhocas para ele, porque amo meu irmão."9. Vamos poder vê-la na tela outra vez daqui a alguns mesesLetitia Wright vai retomar o papel de Shuri em Vingadores: Guerra Infinita, que chegará aos cinemas no final de abril.LEIA MAIS: 5 novidades da Netflix em março que merecem a sua atenção As 10 séries que os brasileiros maratonaram pela 1ª vez na Netflix

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ganhou um aliado de peso em sua disputa pela Presidência da República: o sertanejo Gusttavo Lima. O cantor, que estourou em 2001 com Balada (Tchê Tchê Rere), tem hoje 13 milhões de fãs no Facebook e 10,6 milhões de seguidores no Instagram.Dono de um expressivo fã-clube País afora, Gusttavo Lima postou no Instagram um vídeo em que atira com um fuzil Barrett 50. A gravação foi feita em um clube de tiro na Flórida, nos Estados Unidos.Na legenda das imagens, ele criticou a insegurança da população e propôs o fim do Estatuto do Desarmamento. "Hoje em dia no Brasil, só está desarmado o cidadão de bem", argumentou.Hoje em dia no Brasil só está desarmado o cidadão de bem. Revogação do Estatuto do desarmamento já... Nossas família e nossas casas protegidas, Barrett .50... Tarde no clube de tiro, thank You brooo @mullertraining !!! #bolsonaro2018 @jairmessiasbolsonaroA post shared by Gusttavo Lima (@gusttavolima) on Feb 22, 2018 at 4:54pm PST"Nossas famílias e nossas casas [estão] desprotegidas", opinou.Lima usou a tag #bolsonaro2018 na legenda e marcou @jairmessiasbolsonaro para demonstrar apoio ao presidenciável hoje em segundo lugar nas pesquisas.Bolsonaro encampa a defesa da segurança pública e tolerância zero com a criminalidade.Nesta semana, ele disse ao HuffPost Brasil que a intervenção federal no Rio de Janeiro é "política" e não "de verdade".Na opinião de Bolsonaro, o presidente Michel Temer "não vai roubar" a agenda de segurança da campanha dele.Para o deputado, na guerra ao crime é necessário matar."Você não diz que estamos em guerra. O que é guerra? É matar. Você não atira em um cara que está com um fuzil de forma ostensiva ameaçando a todos, vai fazer o quê?", defende.Gusttavo Lima e combate à criminalidadeEm dezembro do ano passado, criminosos roubaram caminhão do cantor na rodovia paulista Fernão Dias, na altura de Atibaia.Um motorista e o filho de 10 anos dele foram tomados como reféns. Instrumentos musicais foram levados.A carreta estava a caminho de São José do Rio Preto.LEIA MAIS: R.I.P. Jornalismo: EGO erra rude ao tratar morte de mãe de Gusttavo Lima Gusttavo Lima esconde os dentes depois de clareamento virar piada Por que Jair Bolsonaro é o Donald Trump brasileiro (e por que ele não é)

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

Nascida e criada na Cidade de Deus, um dos bairros mais vulneráveis do Rio de Janeiro, Rafaela Silva conhece bem o significado do racismo. As suas medalhas conquistadas como judoca da seleção olímpica brasileira não a afastaram do preconceito.Na última quinta-feira (22), a atleta usou o Twitter para relatar uma experiência de abuso policial vivida na capital carioca, quando estava em um táxi a caminho de casa.Rafaela Silva estava no banco de passageiro do veículo quando viaturas na Avenida Brasil forçaram o taxista a encostar o carro. Após a abordagem do motorista, os políciais questionaram o destino e a profissão de Silva.De acordo com o relato, a polícia só liberou a judoca quando se deu conta de que era ela a atleta olímpica. Os policiais ainda quetionaram o motorista: "Achei que tivesse pego na favela."Chegando hoje no Rio de Janeiro, peguei um táxi pra chegar em casa! No meio da av Brasil um carro da polícia passar ao lado do táxi onde estou e os policiais não estava com uma cara muita simpática, até então ok — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018Continuei mexendo no meu celular e sentada no Táxi, daqui a pouco ligaram a sirene e o taxista achou que eles queriam passagem, mas não foi o caso, eles queriam que o taxista encostasse o carro — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018Quando o taxista encostou eles chamaram ele pra um canto, quando olhei na janela outro policial armado mandando eu sair de dentro do carro, levantei e sai, quando cheguei na calçada ele outro pra minha cara e falou... trabalha aonde? — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018Eu respondi... não trabalho, sou atleta! Na mesma hora ele olhou pra minha cara e falou... vc é aquela atleta da olimpíada né? Eu disse... sim, e ele perguntou... mora aonde? Eu falei, em Jacarepaguá e estou tentando chegar em casa — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018Na mesma hora o policial baixou a cabeça entrou na viatura e foi embora! Quando entrei no carro novamente o taxista falou que o polícia perguntou de onde ele estava vindo e onde ele tinha parado pra me pegar — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018E o taxista respondeu... essa é aquela de judo, peguei no aeroporto e o polícia falou... ah tá! Achei que tinha pego na favela. — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018Isso tudo no meio da av Brasil e todo mundo me olhando, achando que a polícia tinha pego um bandido, mas era apenas eu, tentando chegar em casa — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018Esse preconceito vai até aonde? 😰 — Rafaela Silva (@Rafaelasilvaa) 22 de fevereiro de 2018No Instagram, Silva também desabafou: "Nessa altura do campeonato, chegando no Rio de Janeiro, tenho que passar vergonha e descobrir que preto não pode andar de táxi agora."Ao Globo Esporte, a judoca afirmou que só não foi tratada com mais violência porque foi reconhecida pelos policiais."Com certeza seria pior, porque eu sou bem tratada agora. O tratamento mudou em relação às pessoas que acompanharam minha história nos Jogos Olímpicos, mas quem não acompanhou e não acompanha esporte é a mesma coisa. Porque agora não sou mais a Rafaela, preta, da comunidade. Sou a atleta do Brasil, a campeã das olimpíadas", explica.LEIA MAIS Jovem capixaba é alvo de racismo ao posar para uma selfie durante o Carnaval William Waack: 'Existe racismo no Brasil, mas não sou racista' Racismo e vaquinha online: Há um novo capítulo no caso de Keaton, vítima de bullying nos EUA Rafaela Silva: Do racismo e depressão ao OURO olímpico na Rio 2016

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

O fim de semana está chegando e você está sem planos?Se você adora se aventurar na cozinha, mas não tem muito tempo para isso, temos algumas receitas super rápidas de microondas para fazer (e saborear) em alguns minutos. Veja:Cookie de microondasVeja a receita aqui.Brownie de canecaAcesse a receita aqui.Brigadeirão de canecaVeja a receita aqui.Macarrão de canecaVeja a receita aqui.Bolo de canecaVeja a receita aqui.Pão de microondasAcesse a receita aqui.Pão de queijo na canecaA receita está aqui.Pudim de leite na canecaVeja a receita aqui.Bolo de banana na canecaAcesse a receita aqui.LEIA MAIS: Dia Internacional da Margarita: Como o drink foi criado e a receita para fazer em casa 10 receitas de sobremesas veganas tão deliciosas que até quem não é vegan vai querer experimentar 8 receitas de suco detox para limpar o organismo Farinha de pipoca: Aprenda duas receitas fáceis e saborosas de 'crepipoca'

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

No comando do Podemos e na articulação da pré-campanha do senador Alvaro Dias (PR) à Presidência da República, a deputada Renata Abreu (SP) afirma que a atual divisão do tempo de propaganda eleitoral é "o maior abuso de poder econômico institucionalizado" por favorecer grandes partidos. Com poucos recursos, a sigla luta por mais espaço para impulsionar a candidatura, hoje com 3% a 6% das intenções de voto, de acordo com o Datafolha.O partido vai entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) no STF (Supremo Tribunal Federal) e com um mandado de segurança no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em busca de uma divisão do tempo televisivo que o favoreça."Você penaliza abuso de poder econômico, proibindo inclusive que se pague propaganda eleitoral, aí você bota um PSDB com 10 minutos, por exemplo, e eu com 1? É para favorecer a manutenção dos grandes no poder e ninguém critica isso. Uma eleição é o momento em que zera o jogo e todo mundo vai para a corrida. Você não pode ter regras diferenciais que geram um desequilíbrio eleitoral", afirmou a presidente do Podemos em entrevista ao HuffPost Brasil na sede do partido em Brasília.Hoje, 90% do tempo é proporcional à bancada de deputados federais eleita e 10% são distribuídos igualitariamente entre os candidatos. Em 2014, o Podemos, então PTN, tinha 4 deputados. Hoje são 16, com expectativa de chegar a 21 após a janela partidária, entre março e abril.Um dos mais antigos partidos brasileiros, fundado em 1995, o PTN mudou para Podemos em 2016 com um discurso de renovação. Alguns cargos no governo de Michel Temer foram indicados por parlamentares da sigla. Ao mesmo tempo, a lengenda busca abrigar candidaturas novas, como um dos fundadores do Acredito, José Frederico, e o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.Abreu afirma que "às vezes, você tem meio que fechar os olhos para algumas coisas para fazer uma construção de futuro" e aposta na aliança com um partido de centro para aumentar o tempo de televisão de Alvaro Dias. Se ele não chegar ao segundo turno, a sigla ainda não definiu quem irá apoiar, mas "dificilmente ficaria na esquerda", de acordo com a presidente.Questionada sobre um eventual apoio a Jair Bolsonaro, a deputada afirmou que ele é o candidato que todos querem enfrentar. "Todo mundo que for com ele para o segundo turno, ganha a eleição. Inclusive no meu ponto de vista, o centro e a esquerda vai trabalhar para ele ir para o segundo turno. Todo mundo quer ele de adversário. É muito melhor para o Geraldo ter um Bolsonaro do que um Alvaro", afirmou.Com poucos recursos do fundo partidário e eleitoral e pouco tempo de TV, o atrativo da legenda, de acordo com Abreu é a possibilidade de crescimento e o comando nos estados. A sigla que prega o diálogo irá abrigar os deputados Marco Feliciano e Diego Garcia, ambos conhecidos pela defesa de bandeiras conservadoras, como o Estatuto da Família e do Nascituro.Confira os principais trechos da entrevista.HuffPost Brasil: O Podemos está com 16 deputados federais e 3 senadores. Qual a expectativa para o tamanho das bancadas após a janela partidária?Renata Abreu: Tem praticamente fechados 21 deputados. Com essas movimentações, todo os dias aparecem um fato novo que acho que pode passar disso. Tem a perspectiva também de mais um senador, mas é tudo muito dinâmico.O que tem sido feito para atrair esses nomes, considerando que o partido tem uma estrutura pequena, com pouco tempo de TV e uma parcela pequena dos fundos partidário e eleitoral?O que está atraindo os deputados primeiro é a perspectiva de crescimento do partido. Hoje o Podemos foi o partido que mais cresceu no Brasil, tem uma candidatura presidenciável competitiva. O Álvaro hoje está tecnicamente empatado com o Geraldo Alckmin, com a menor rejeição de todos os candidatos. Você tem uma candidatura majoritária de baixa rejeição e com maior potencial de crescimento hoje.O Álvaro hoje está tecnicamente empatado com o Geraldo Alckmin, com a menor rejeição de todos os candidatos.Ele empata com a Manuela D'Ávila na menor rejeição, de 13%, pelo Datafolha, né...Sim. Então você tem um partido que já tem uma bancada considerável e quem está na Câmara e acompanha as movimentações sabe que vai passar dessa eleição com um tamanho muito maior e é um partido limpo. Você tem a rejeição dos partidos hoje. Não é fácil você sair pelo PMDB, pelo PSDB. O eleitor está atento a isso.É um partido que vai crescer muito, como já está crescendo, e sem rejeição, um partido limpo. Isso dá a um parlamentar, por exemplo, a perspectiva de crescimento junto. É melhor ser cabeça de lagartixa do que rabo de jacaré. Muitas vezes eles são mais um no PMDB, no PSDB, e aqui eles estão vendo a possibilidade de construir um projeto junto, desde o início. Isso é o que mais tem trazido deputados.Tem a questão do comando do estado. Esse é um diferencial porque os partidos grandes estão inflados. Às vezes você tem 3 deputados no comando do partido regional. Então tem questões regionais.Tem recém-filiado, como Vittorio Medioli, prefeito de Betim, que irá assumir a presidência do partido em Minas Gerais...Sim, e tem questões regionais. Por exemplo, o parlamentar está no PMDB. Agora ele olha a chapa do PMDB e fala "não me elejo" e vai buscar um outro caminho que dê a ele uma oportunidade melhor.Considerando a cláusula de barreira, se a gente pegar os números de 2014, o partido seria prejudicado. Isso pressiona para aumentar a bancada?Nós fizemos lição de casa desde o início. Não tem hoje como comparar o PTN ao Podemos. É incomparável. É outro partido em todos os cenários. Nós vaoms atingir a cláusula de barreira. Por exemplo, 1,5% [dos votos] nacionais, atingimos só em São Paulo, com a nossa chapa. O Marco Feliciano fez meio milhão de votos.Vocês têm conversado com movimentos de renovação política? Vão abrigar alguma candidatura?O Podemos nasceu de um estudo muito parecido com esses movimentos. Fomos estudar o que está acontecendo no mundo e no Brasil. Já identificávamos que esses movimentos iam chegar ao Brasil. Já estava no nosso mapa e a nossa ideia inicial inclusive era criar o Podemos como um movimento que depois incorpora o partido. Mas o movimento [de renovação política] cresceu tão rápido que tivemos que sobrepor. Fazer do partido um movimento.Tanto é que quando você conversa com o Alvaro [Dias] ele fala isso. Nós não somos um partido. Somos um movimento que quer se constituir num partido. Apesar de ser um partido formalmente constituído, esses movimentos são comandados por jovens como eu.Acho que sou a única presidente de partido jovem hoje [35 anos], então tem uma afinidade primeiro geracional que se identifica no discurso, que tem umas referências de bandeira e de ideologia muito semelhantes, então quando conversamos, tem uma afinidade muito grande. O que a maioria dos movimentos decidiu é lançar as candidaturas em alguns partidos, mas você tem questões regionais que complicam. Muitos vieram para o partido. Eu tenho muito candidatos do Livres no Brasil.Motivados pela ida do Jair Bolsonaro para o PSL?Totalmente. O Bolsonaro foi para lá e eles saíram. Foi totalmente depois desse movimento que eles mudaram para cá. Então estou com várias candidaturas do Livres e do Agora! no Podemos. Inclusive o presidente do Acredito, que é o José Frederico, possivelmente sairá também a deputado federal em Goiás pelo Podemos.Estive com o Leandro, do Agora!, o Paulo, presidente do Livres. Enfim, fizemos um trabalho intenso. Principalmente aquele movimento do Renova, que teve em São Paulo. Eu passei a semana inteira atendendo todos eles. Muitos estão com o partido.Tem algum outro nome mais expressivo desses movimentos que está com a candidatura certa com vocês ou um número desse perfil de candidatos no Podemos?Os movimentos não tem tantas pessoas de expressão...Tem o Marcelo Calero...Estou falando com ele. Esteve na minha casa. Estamos conversando também. Tem possibilidade.Dos parlamentares que estão trocando de partido, quais nomes estão certos para entrar no Podemos?O Veneziano [Vital do Rêgo, do PMDB], da Paraíba. O Marco Feliciano [do PSC de São Paulo], Diego Garcia, do [PHS do] Paraná. O Evair [Vieria Melo, do PV] do Espírito Santo. Tem alguns outros que estão fechados, mas não estou divulgando para não atrapalhar.Quando o partido mudou de nome, a senhora disse que o Podemos não tinha uma ideologia específica. Que não era de direita nem de esquerda. Como articular essa postura com nomes como Feliciano e Diego Garcia, que são deputados com bandeiras bem definidas e que às vezes têm um discurso de enfrentamento?A proposta do partido vai ao encontro disso porque a nossa ideia é ser uma partido aberto às causas diferentes da sociedade e que prega pelo diálogo. Eu tenho dentro do partido hoje o Barcelar [da Bahia], que é um grande defensor da causa gay, e tenho o Pastor Ezequiel [do Rio de Janeiro], que defende a cura gay.Acho que faz parte da democracia e a sociedade perdeu isso. A sociedade não consegue mais aceitar quem pensa diferente. Vai para o radicalismo, vai para o ódio e é isso que nós do Podemos queremos entrentar. As pessoas precisam dialogar. E aqui tem que ser um espaço aberto ao diálogo.Como articular todas essas visões com o funcionamento das bancadas? Por exemplo, na hora de definir um posicionamento sobre uma votação?As nossas posições unificadas dizem respeito às pautas que são levadas à democracia direta. Por exemplo, essa semana levamos a intervenção do Rio como uma pauta de democracia direta. 82% dos internautas votaram favorável à intervenção e assim votou a bancada. Usamos o critério da proporcionalidade, deu um voto para a minoria.A questão do aborto, por exemplo, não existe o que é melhor: criminalizar ou descriminalizar. É uma opinião muito individual, de cada cidadão, de percepção de vida. O que é melhor para o Brasil. Não sei. Quem falar que sabe é mentira. É conceitual. Nesses momentos, temos que chamar a população para exercer verdadeiramente a democracia, que é a vontade da maioria.Como equilibrar esse peso das consultas à população com a vontade dos parlamentares do partido?Tem um processo aqui, vamos dizer, [reforma da] Previdência. Eu votei a favor. O eleitor se irrita comigo porque acha que eu negociei com o governo. Não porque estou brigando pelos seus interesses. Quando eu chego e falo "eu vou votar da forma como você decidir, só que eu acho que deveríamos votar assim por causa disso e disso, o cara fala 'pô, ele está lá dentro, está ouvindo'". Então é interessante porque quando o líder tem legitimidade e respeito, as pessoas tendem a seguir a orientação dele.Nas últimas eleições, o Podemos teve o maior crescimento proporcional de prefeitos eleitos. Eram 12 em 2012 e 31 desde o ano passado. Qual a importância dessas vitórias para compor as candidaturas agora?Sim, bastante. Mas acho que o maior crescimento nosso vai ser agora porque o crescimento das eleições de 2016 o partido ainda estava em fase de construção dos estados, que se consolida agora.Tem candidaturas de governo estaduais definidas?O Osmar Dias [irmão de Alvaro Dias, filiado ao PDT] está pensando em vir para o Podemos. São Paulo estou vendo o que vou construir, se vamos lançar uma candidatura ou não. Minas Gerais, talvez o Vittorio Medioli, prefeito de Betim, no Espírito Santo, talvez a Rose de Freitas [do PMDB].Ela vai mudar para o Podemos?Pode ser. Estamos conversando.Vocês já têm noção de quanto vai para a candidatura do Alvaro Dias?Não. Ele fala "eu quero uma campanha miserável" e é verdade. Programa de televisão e locomoção. Ele quer fazer uma campanha conceitual, de discurso. Quer se diferenciar por isso. Não quer fazer uma campanha das grandes alianças, de uma grande estrutura financeira.Mas pensando que o limite são R$ 70 milhões, já tem uma faixa?Não porque depende da janela [partidária]. Quem vai vir, quem não vai vir. Depende das candidaturas majoritárias.Já tem estados estratégicos da agenda do Alvaro Dias?Vamos concentrar agora a campanha dele em Sul, Sudeste e Centro-Oeste porque é onde ele tem o maior potencial de crescimento. O PT tem uma força muito grande no Nordeste. E ele está rodando. Todos os dias um lugar novo.Tem definições sobre o programa de governo?Está construindo. Ele não gosta de divulgar nomes porque tem uma questão estratégica.Tem alguma definição na área de economia, reformas e movimentos sociais?Ele que está mais focado nessa questão de plano de governo. Eu estou muito focada na articulação política. Por exemplo, hoje já tem um partido médio 80% para caminhar com ele.Que partidos vão apoiar a candidatura dele?Tem um que está bem encaminhado. Eu vou deixar alguma informação nos próximos dias.É de centro?Centro. Mas está 80, 90%. Já estamos até fazendo ações de pré-campanha juntos.Vai ajudar no tempo de TV...Exatamente. É o que eu preciso porque o Alvaro é, do meu ponto de vista, o candidato mais preparado hoje.Como esse partido vocês chegam a quanto tempo de TV?Sempre me perguntam isso, mas não sei porque depende as coligações que se formarem, de quantos candidatos vão ter. Não é uma matemática simples.Em 2014, o PTN apoiou o Aécio Neves, do PSDB. Se o Alvaro Dias não chegar ao segundo turno, tem uma perspectiva de quem o partido apoiaria?Dificilmente ficaríamos na esquerda. De preferência seria um candidato de centro.Mas seria o caso, por exemplo, de apoiar o Bolsonaro?Aí vai precisar reunir o partido e ver, mas não vamos chegar nessa tragédia, espero. Apesar de que eu acho que todo mundo que vá com ele para o segundo turno, ganha a eleição. Inclusive no meu ponto de vista, o centro e a esquerda vai trabalhar para ele ir para o segundo turno. Todo mundo quer ele de adversário. É muito melhor para o Geraldo ter um Bolsonaro do que um Alvaro. É muito melhor para o Ciro [Gomes] ter um Bolsonaro.É muito melhor para o Geraldo ter um Bolsonaro do que um Alvaro. Essa questão do Alckmin não decolar também tem ajudado a candidatura do Alvaro?Bastante. Outro ponto que tem ajudado é São Paulo. O próprio governador em São Paulo tem uma rejeição muito considerável e a rejeição do partido dele... é o mais rejeitado do Brasil. Passou o PT.Para divisão do fundo eleitoral, um dos critérios é o tamanho da bancada na Câmara em 28 de agosto de 2017. A senhora acha que a data é razoável? Uma definição após o fim da janela partidária seria melhor para vocês?Eu achava que devia ser a data depois da janela, mas foi meio que um acordo para chegar num consenso. Favorecia muito, mas não sei porque o partido do presidente da República tem muito medo do Podemos. Eu falei uma vez quando estava brigando pela janela... se o líder do partido do presidente da República está com medo de uma janelinha, então eu sou suicida kamikaze.Como a senhora vê essa possível candidatura do presidente Michel Temer?Não sei. Não parei para refletir sobre isso até porque não acredito que ele vai ser candidato, de verdade. A aprovação do governo, com o isolamento. É muito humilhante o partido do presidente da República ficar isolado no processo eleitoral. Você imagina o PMDB sendo sozinho?O TSE autorizou neste mês o uso do fundo partidário para campanhas. Alguns integrantes de partidos grandes disseram que a medida beneficia pequenos e médios partidos, que conseguiriam economizar nos outros anos. Como a senhora vê essa situação?Acho que gera um desequilíbrio agora muito grande porque se você criou um fundo eleitoral para isso, então precisa ter uma lógica no jogo. Eu acho ruim manter essa regra do fundo partidário para eleição - inclusive é uma briga nossa na Justiça que vai ter agora - porque houve movimentações constitucionais e legais, como a criação de novos partidos e a janela partidária, que mudaram o quadro representativo do Brasil. O próprio podemos eleger 4 deputados e hoje somos 16 deputados e 3 senadores. E óbvio que nós não temos fundo partidário.E essas mudanças constitucionais não permitiram a distribuição desses recursos, o que gera uma chegada para a eleição muito injusta, já que os partidos grandes acumularam esses recursos para usar na eleição. Cria-se um novo fundo eleitoral e permite aquilo, eles têm o dobro de recurso eleitoral que nós temos.Pensando não só em nós como partido, mas para o cidadão que busca renovação, busca uma alternativa, está querendo um novo caminho, é injusto que as regras do jogo não sejam iguais para todos os players.Por exemplo, essa questão do tempo de televisão, eu acho isso o maior abuso de poder econômico institucionalizado. Porque se você penaliza abuso de poder econômico, proibindo inclusive que se pague propaganda eleitoral, aí você bota um PSDB, por exemplo, com 10 minutos e eu com 1? É para favorecer a manutenção dos grandes no poder e ninguém critica isso. Uma eleição é o momento em que zera o jogo e todo mundo vai para a corrida. Você não pode ter regras diferenciais que geram um desequilíbrio eleitoral. É o princípio da isonomia, constitucional. Mas como esses partidos indicam os ministros [dos tribunais superiores], tem a questão política. E é um absurdo.Vocês entraram com ações sobre isso?Tem uma ADIN nossa [que será protocolada]. Vamos ter um mandado de segurança no TSE e tem vários projetos de lei. Inclusive na reforma política, eu propus emenda. Íamos passar a emenda, tínhamos maioria, só que era o último dia da reforma política, 3 horas da manhã. O PSDB pediu verificação nominal e foi um bafafá porque ia cair a sessão e a reforma política ia para o lixo. Tudo ia para o lixo por causa do tempo de televisão. Aí eu tive que recuar.Para ficar igual para todos partidos?Esse era o sonho, mas a minha ideia era recalcular pelo menos, para garantir um novo cenário de representação. Deveria ter um critério, por exemplo, de representação. Por exemplo, vai ter direito partidos com mais de 10 deputados, mas acho que deveria ser igual.Tem que ter uma harmonia. Um partido como a Rede, que tem uma candidatura por exemplo, tá em segundo lugar. Independente de eu gostar ou não e não é essa a questão, não é justo ela [Marina Silva] não ter o mesmo tempo que um Geraldo Alckmin, se é um novo momento eleitoral.Em relação ao governo Temer, teve momentos em que o partido se distanciou, mas ainda tem indicados em cargos, como duas diretorias da Funasa nacional e alguns cargos nos estados...O partido não. Você tem alguns parlamentares que têm vínculos com o governo, mas isso são questões deles.A postura do partido é de deixar os parlamentares terem essa relação ou há intenção de deixar esses postos?No ano que vem, o partido tem muito mais condição de impor. Nessa é um momento que temos que ter muita cautela, muito equilíbrio. Eu não tenho a oferecer o que o PR tem, o PP tem. Então, às vezes, você tem meio que fechar os olhos para algumas coisas para fazer uma construção de futuro. Eu não conseguiria dar uma competitividade para uma candidatura do Alvaro, se eu não tiver o mínimo de representação partidária para levar isso. E se eu for muito radical nessa questão, eu mato um projeto que é muito maior.Por mais que o Alvaro tenha potencial de crescimento, ele ainda aparece com um percentual baixo nas pesquisas, de 3% a 6%, e não terá uma campanha com muitos recursos. Qual será a estratégia?A campanha presidencial tem um diferencial que é a cobertura da mídia dos principais candidatos, então isso dá condições ao Alvaro mostrar a que veio, mostrar o discurso dele. Você tem uma série de debates televisionados e onda você cria. Um fala para o outro. Com a vinda de um partido de mais peso para dar um tempo de televisão maior, você começa a criar uma onda. E o Alvaro é um dos políticos mais bem seguidos nas redes sociais. Ele tem essa ramificação.Eu acho as pesquisas dele excepcionais. Se você olhar no detalhe, inclusive o potencial de crescimento, ele tem o dobro do Geraldo. O percentual dele hoje tecnicamente empatado com um cara que foi candidato à presidência da República, que é governador do maior estado do País, é muito bom. O percentual dele não é baixo. Você tem que avaliar também grau de conhecimento. Ele tem 6% com grau de conhecimento baixíssimo.E a estratégia para aumentar esse conhecimento são as viagens, os debates na TV...As viagens, a ramificação partidária, o deputado que é uma força política no estado. Isso vai ser natural.O PTN era um dos partidos mais antigos do Brasil, passou por essa mudança de nome para Podemos e tem um discurso de renovação, mas ao mesmo tempo pesa a forma como funciona a política hoje, da construção de alianças, de tempo te televisão. Como lidar com esse cenário, para que isso não afete a imagem do partido, no sentido de, por exemplo, se aliar a uma legenda com nomes envolvidos em corrupção?É um desafio porque se você parar para pensar hoje quase todos os partidos que têm tempo de televisão razoável têm membros envolvidos em escândalos. Agora, nossa ideia não é fazer grandes alianças, até porque o senador combate muito esse sistema de governança de loteamento de cargos. Isso é a maior bandeira dele. Ele não acredita que isso gere eficiência ao poder público, então a aliança dele vai ser bem restrita. Por exemplo, se o PMDB quiser apoiar o Podemos hoje, muito obrigada, mas não queremos.LEIA MAIS Senador Álvaro Dias lança pré-candidatura para 2018 pelo Podemos: 'Se não nos transformamos, seremos atropelados' Álvaro Dias, Cristovam e Collor estavam ausentes na votação da intervenção no Rio de Janeiro

  • huffpostbrasil.com
  • 2 days ago

Atenção: Este texto contém spoilers de Me chame pelo seu nomeSe você já ouviu comentários sobre alguma cena específica de Me chame pelo seu nome, devem ser ou sobre a cena em que Timothée Chalamet faz sexo com um pêssego ou sobre "o monólogo".As pessoas que conhecem o filme ou o livro elogiado de André Aciman sobre o qual o filme é baseado vão entender essas alusões. Afinal, 2017 foi o ano em que transar com frutas virou mainstream. Mas, por mais que eu adoraria passar as próximas 1.200 palavras falando daquele pêssego suculento, vamos falar do monólogo. Aquele monólogo belíssimo.É o momento culminante do filme: o monólogo do professor Perlman (Michael Stuhlbarg), pai de Elio (Chalamet), de 17 anos, que se apaixona por um estudante pós-graduando chamado Oliver (Armie Hammer) durante um verão lindo e doloroso na casa de campo italiana de sua família. Elio acaba de se despedir de Oliver, e Perlman o consola com palavras escolhidas com delicadeza e que provocam a inveja de todo jovem queer que já ansiou ouvir de seu pai ou sua mãe que "as coisas vão melhorar".O diretor Luca Guadagnino e o roteirista James Ivory reproduziram quase integralmente o monólogo do texto de Aciman, retirando apenas algumas sentenças. Mesmo trechos de texto em que Aciman apresenta a ambientação da cena estão presentes nas orientações do roteiro, guiando a conversa à medida que ela se desenrola sobre um sofá na sala de trabalho de Perlman. Por exemplo: "O tom dele diz: não precisamos falar disso, mas não vamos fazer de conta que não sabemos do que estou falando", aparece no romance e também no roteiro.O discurso de Stuhlbarg é exemplificado à perfeição pelas seguintes palavras (a pontuação e as maiúsculas são do roteiro):Quando menos esperamos, a Natureza tem maneiras inesperadas de localizar nosso ponto mais fraco. Lembre-se de uma coisa: estou aqui. Neste exato momento você talvez não esteja querendo sentir nada. Talvez você nunca quisesse ter sentido nada. E talvez não seja a mim que você vai querer falar dessas coisas um dia. Mas é óbvio que você sentiu alguma coisa, sim.Vocês tiveram uma amizade linda. Talvez mais que uma amizade. E eu invejo você. A maioria dos pais, se estivesse em meu lugar, torceria para isso tudo acabar, rezaria para seu filho acabar se endireitando. Mas eu não sou um pai assim. Em seu lugar, eu diria: se há uma dor, cuide dela com carinho. E, se há uma chama, não a apague. Não seja brutal com ela. Arrancamos tanta coisa de nós mesmos para nos curarmos mais rapidamente das coisas que aos 30 anos já estamos falidos e temos menos a oferecer cada vez que começamos com uma pessoa nova. Mas insensibilizar-se para evitar qualquer dor – que desperdício!Dois trechos que foram extirpados do texto de Aciman: "A abstinência pode ser uma coisa terrível quando ela não nos deixa dormir, e ficar assistindo a outros nos esquecerem em menos tempo do que gostaríamos de ser esquecidos não é melhor que isso". E: "A maioria de nós não consegue deixar de viver como se tivéssemos duas vidas a viver. Uma é a maquete ou o protótipo da vida, a outra é a versão pronta, e há também todas as versões intermediárias."Em entrevista que deu antes do lançamento limitado do filme em novembro – "Me chame pelo seu nome" teve lançamento comercial amplo no último 19 de janeiro, alguns dias antes de receber quatro indicações ao Oscar, incluindo a indicação ao troféu de melhor filme --, Stuhlbarg me contou que fez o monólogo em duas versões. Sua primeira versão foi mais emotiva, mais cheia de sentimento; a segunda, aquela que Guadagnino escolheu, "com razão", foi "um pouco mais direta".Lido no papel, o monólogo soa muito literário – apropriado para um acadêmico como o professor Perlman, estudioso de antiguidades gregas, mas difícil de ser apresentado por qualquer ator com uma cadência natural."Nunca se sabe como um texto vai ficar quando tentamos absorver todo seu peso", disse Stuhlbarg. "Acho que não houve uma opção consciente da minha parte de fazer o discurso ter tom menos professoral. Acho que o texto já cuida disso. Minha preocupação foi fazer com que soasse verdadeiro e fazer parecer que Perlman estava escolhendo suas palavras com cuidado. Dito por outro ator, teria sido diferente. Acho que a linguagem fala por si só. Tentei fazê-la viver em mim ao longo das cinco semanas e pouco que tivemos, porque rodamos o filme em ordem cronológica. Eu queria ouvir o texto na minha cabeça, do jeito que pensava que poderia ser dito."Durante a cena do monólogo, a câmera se concentra sobre Stuhlbarg quase o tempo todo. Ele bate com um cigarro no cinzeiro que tem em seu colo e pega um copo de uísque para cortar o silêncio entre sentenças. Às vezes olha para baixo, como se estivesse refletindo sobre suas próprias recordações de juventude, mas na maior parte do tempo olha nos olhos de Elio, cheios de lágrimas. "Elio fica pasmo, tentando apreender tudo isso", observa o roteiro, mais ou menos como a narração feita na primeira pessoa no romance: "Eu não conseguia nem começar a entender tudo isso. Estava pasmo", diz Elio no livro."Como você vive sua vida é algo que só você pode decidir", Perlman prossegue, enquanto a música suave de piano começa a ser ouvida. "Lembre-se de uma coisa: nosso coração e nosso corpo nos são dados apenas uma vez. E, antes de você se dar conta do que aconteceu, seu coração já está cansado. Quanto a seu corpo, chega um momento em que ninguém mais olha para ele, muito menos quer chegar perto dele. Neste momento você está sentindo tristeza. Dor. Não mate isso, não mate junto com isso a alegria que você sentiu."Uma pausa. Elio faz que sim com a cabeça, absorvendo os conselhos."Talvez a gente nunca mais volte a falar disso", prossegue seu pai. "Mas espero que você nunca sinta raiva de mim porque falamos. Se algum dia você quiser falar comigo e sentir que a porta está fechada, ou não está suficientemente aberta, eu terei sido um pai terrível."Na boca de Stuhlbarg, as palavras de Perlman são pura poesia – vestígios de uma vida vivida plenamente e orientação para uma vida ainda não tocada pela sabedoria da idade adulta.A cena reflete as intenções de Guadagnino para o filme. Stuhlbarg contou que, antes do início da filmagem, "ficamos todos sentados em volta da mesa de jantar do diretor e lemos o roteiro juntos. Foi apenas esse o ensaio que alguns de nós fizemos. Guadagnino disse: 'Quero que seja uma história de amor, de luz, de alegria e curtição, que remeta àqueles verões idílicos que tivemos na juventude, se tivemos sorte. Nossos olhos se abriram e talvez tenhamos nos apaixonado de modo mais profundo.' Essa ideia contagiou o modo como contamos a história e transformou a filmagem numa experiência cheia de alegria, de uma maneira que eu jamais teria imaginado que pudesse ser."Stuhlbarg, que aparece em dois outros filmes candidatos ao Oscar de melhor filme (A forma da água e The Post – a guerra secreta), não recebeu a indicação ao Oscar que merece, e Me chame pelo seu nome teve retornos apenas medianos nas bilheterias, apesar de ser tão fartamente elogiado.Mesmo assim, a cena com que Stuhlbarg encerra o filme é uma verdadeira master class de atuação e roteiro. É o que diferencia este filme da maioria das histórias sobre gays, em que os personagens são julgados ou punidos (por seus pais, pares, cônjuges, mentores ou agressores) por sua sexualidade. Cada pausa delicada no monólogo é medida para captar o otimismo do filme. É algo que ao mesmo tempo nos parte o coração e nos infunde esperança."Adorei a história e fiquei muito grato por ser convidado a participar dela", disse Stuhlbarg. "Ela parece estar encontrando muito eco, estar sendo muito relevante e estar emocionando as pessoas. E é tudo o que podemos esperar, porque realmente nunca sabemos o que vai acontecer quando fazemos alguma coisa. A história teria sido narrada diferentemente por outro diretor – teria sido uma história diferente. Acho Luca um mestre e acho que ele articulou magistralmente a história que ele quis contar."*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.LEIA MAIS: Quem é Timothée Chalamet, indicado ao Oscar por 'Me Chame Pelo Seu Nome' ‘O primeiro amor é sempre amaldiçoado’, diz autor de ‘Me Chame Pelo Seu Nome’ 'Me Chame Pelo Seu Nome' e a beleza agridoce do cinema LGBT

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

O livro A Parte que Faltavirou hit das livrarias neste fim de fevereiro após viralizar o vídeo de Jout Jout fazendo a leitura dramática da obra.Escrito por Shel Silverstein, o livro infantil The Missing Piece foi originalmente publicado em 1976 pela editora HarperCollins, nos Estados Unidos.A atual edição em português foi lançada em fevereiro deste ano pela Companhia das Letrinhas e levou milhares de leitores às lágrimas depois de Jout Jout gravar — emocionada — a mensagem sobre as faltas que todos sentimos.Na Amazon, o livro já superou o best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari, e é o mais vendido do momento.A rede Saraiva registrou um recorde de procura. Em apenas 3 dias, foram vendidos mais de 1.400 exemplares. A continuação, A Parte Que Falta Encontra o Grande O, também já registra alta na procura, principalmente na loja virtual, de acordo com a assessoria da Saraiva.Na Livraria Cultura, é o quarto mais vendido.Para Jout Jout, o livro resume bem a nossa existência:A vida é essa grande preencheção e despreencheção de buraquinhos que faltam.O vídeo tem mais de 1,7 milhão de visualizações.O valor estimado do livro é de R$ 45.LEIA MAIS: Jout Jout vai continuar trabalhando com Caio: 'A gente terminou, a gente está bem' Jout Jout sobre fim de namoro com Caio: 'Temos que parar de sempre associar término a fracasso' Terapia segundo Jout Jout: 'Você abre a ferida e depois a cicatriza de verdade'

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Quem decidiu comprar uma passagem da Gol nesta quinta-feira (22) se deparou com uma novidade: a cobrança para marcar assento antecipado. Além disso, a empresa anunciou que também não permitirá ou cobrará para adiantar o voo.E a Gol que tá cobrando a escolha dos assentos kkkkkkk — Sorriso (@Soh_riso) February 22, 2018As mudanças fazem parte das novas tarifas anunciadas pela empresa. O valor para marcar o assento é de R$ 20 na tarifa Promo e de R$ 10, na Light. No caso da tarifa Promo, o consumidor está proibido de antecipar o voo. Já na tarifa Light, a taxa é de R$ 50.A Gol informou ainda que, na tarifa Promo, pretende oferecer descontos de até 30%. A marcação de assento segue gratuita no período de check-in, aberto 7 dias antes da viagem.Quem quiser ter direito a marcar o assento com antecedência e antecipar voo sem pagar extra poderá optar pela tarifa Plus - outra novidade da empresa.Entretanto, o reembolso é de apenas 40% da tarifa, caso o consumidor desista da viagem. A remarcação sem custo, além de direito a duas bagagens, faz parte dos benefícios da tarifa Max.No total, a companhia aérea passa a ter 4 tipos de tarifa: Max, Plus, Light e Promo.CríticasA notícia não agradou aos consumidores. A lembrança recente é da promessa de preços menores com a cobrança para despachar bagagens, o que, aos olhos dos clientes, não se consolidou.Pesquisa do site Reclame Aqui, divulgada no início do mês, mostra que reclamações de passageiros dobraram do primeiro para o segundo semestre de 2017, após as mudanças na regra do despache de malas.GOL LINHAS AÉREAS, VOCÊS NÃO TÊM VERGONHA NA CARA, NÃO? @VoeGOLoficial A partir de agora vão cobrar pra escolher os assentos. CADÊ A REDUÇÃO NAS PASSAGENS? CADÊ? Vocês estão de brincadeira. Se quiser eu empresto o Óleo de Peroba. — Maicon Mendes (@Oficialmmendes) February 22, 2018Gol agora vai cobrar pela marcação de assentos antes do check in. Mais um absurdo dessas companhias aéreas. Agora além de viajar só com bagagem de mão não vou poder mais marcar meu acento! — yago modesto (@Yagoma) February 22, 2018Qualquer dia a gol vai cobrar mais pelos assentos nas janelas e nos corredores, vão fazer umas cadeiras que reclinam só com moedinha, botar umas cadeiras duras lá no final pra cobrar oela cadeira acolchoada https://t.co/2tXCxx3oQu — Ana (@Ana_Leather) February 22, 2018Ao HuffPost Brasil, a empresa respondeu que a mudança na estrutura tarifária tem o objetivo de "oferecer produtos que atendam tanto as necessidades de quem busca a menor tarifa possível quanto aquele passageiro que exige maior flexibilidade e serviços adicionais na hora de viajar".Sobre a cobrança pela bagagem, a Gol informa que tem a informação que cerca de 65% dos bilhetes já são vendidos na tarifa Light, que não dá direito à despachar, "e a aderência é grande principalmente entre o público corporativo e o jovem, que tradicionalmente viaja com menos bagagem".LEIA MAIS Reclamações dobraram após cobrança de bagagem aérea Vai viajar? Este é o último dia para comprar passagem com franquia de bagagem garantida Ministério Público pede anulação de cobrança extra por bagagem

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Pelo menos 30 novidades, entre séries, programas especiais e filmes chegam ao catálogo da Netflix durante o próximo mês de março. Para você não perder tempo na aba de pesquisa do serviço de streaming, separamos a seguir 5 produções dessa lista que definitivamente merecem o play.1. Com Amor, Van Gogh (Disponível a partir de 1º de março)Indicado ao Oscar 2018 de Melhor Animação, Com Amor, Van Gogh, conta história do célebre pintor holandês a partir de sua morte, em 1890. Na trama, Armand Roulin, filho do carteiro Joseph Roulin, seguem numa jornada em busca do irmão de Van Gogh, Theo Van Gogh, para entregar a última carta escrita pelo pintor. Com visual deslumbrante, a produção envolveu mais de 100 artistas que, com a mesma técnica de Van Gogh, pintaram em telas cerca de 65 mil frames usadas no processo de animação.2. O Mecanismo (Disponível a partir de 23 de março)Aguardada produção original da Netflix no Brasil, O Mecanismo é uma série criada por José Padilha (Tropa de Elite) inspirada na Operação Lava Jato, que investiga crimes de corrupção em empresas privadas e públicas do Brasil. Na trama, o ator Selton Mello dá vida a um delegado aposentado da Polícia Federal e Caroline Abras (Avenida Brasil) interpreta sua aprendiz, uma agente federal ambiciosa. Enrique Diaz, Lee Taylor, Antonio Saboia, Jonathan Haagensen, Alessandra Colasanti, Leonardo Medeiros, Osvaldo Mil e Susana Ribeiro completam o elenco.3. Edha (Disponível a partir de 16 de março)Primeira série original da Netflix na Argentina, Edha é um thriller ambientado no mundo fashion de uma Buenos Aires atual. A trama a relação da personagem-título, uma designer visionária e seu muso, Teo, um modelo nada convencional. A sinopse oficial antecipa: A química entre eles inspira Edha a criar uma incrível nova coleção, mas os planos secretos de Teo iniciarão uma série de traições que fazem com que seus mundos se desvendem.4. À Beira Mar (Disponível a partir de 10 de março)Reencontro de Angelina Jolie e Brad Pitt depois de contracenarem em Sr. & Sra. Smith (2005), À Beira Mar acompanha os dias de Vanessa e Roland, um casal em crise que decide viajar para a frança a fim de resolver os conflitos. Ambientado na década de 1970, o longa foi escrito e dirigido pela atriz. Hoje a produção pode ser vista com olhos especulativos, já que um ano depois de seu lançamento, o casal Jolie e Pitt se divorciou. Pais de 6 filhos, eles estavam casados há 12 anos.5. O Quarto de Jack (Disponível a partir de 24 de março)Um mãe presa em um quarto durante 7 anos acompanhada do filho de 5, que nasceu no cativeiro. Drama de primeira linha, O Quarto de Jack é baseado em um romance da irlandesa Emma Donnoghue e adaptado pela própria autora. O papel da mãe que sofre abusos, é privada de liberdade, mas que estabelece uma profunda e poética relação com o filho, rendeu o Oscar para a atriz Brie Larson.Veja as outras novidades de março na Netflix no player abaixo:LEIA MAIS: As 10 séries que os brasileiros maratonaram pela 1ª vez na Netflix ‘Altered Carbon’, nova série de ficção científica da Netflix, explora desigualdade social 3 indicados ao Oscar de Melhor Documentário estão disponíveis na Netflix

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Exercícios podem ser mais importante do que a balança para ditar quem é e quem não é saudável, sugere um estudo da York University, em Toronto, no Canadá.Os pesquisadores acompanharam mais de 853 pacientes com diferentes níveis de obesidade. Até os pacientes com obesidade severa que se exercitavam tinham baixa pressão arterial, glicose e triglicérides controladas em relação aos pacientes sedentários.Segundo o estudo publicado no periódico Obesity ,41% dos pacientes que eram levemente obesos foram considerados "saudáveis" no teste da esteira. Já 25% dos obesos moderados foram classificados como tal e 11% dos pacientes com obesidade severa estavam "em forma".Os pesquisadores descobriram que não importava qual era o nível da obesidade quando se examinava as variáveis metabólicas dos pacientes.Este é o primeiro estudo que mostra que, independentemente do peso e da circunferência abdominal, a aptidão física pode ter efeitos positivos sobre a saúde cardiovascular."Precisamos desconectar o peso corporal com a importância dos exercícios físicos", disse a pesquisadora Jennifer L. Kuk ao New York Post. "Você consegue ser saudável sem perder peso e ter os mesmos benefícios para a saúde."Ela acrescenta que se exercitar 150 minutos por semana pode ser pouco para perder medidas, mas significa grandes benefícios à saúde do coração.O colaboradora do estudo, Dr. Sean Wharton, diretor da Clínica Wharton Medical, explica que ser saudável não significa necessariamente parecer "fitness". "O estudo reforça a noção que as pessoas não precisam perder peso para serem saudáveis", finaliza.LEIA MAIS: Sorveteria em SP faz sucesso com universo de fantasia, unicórnios e sereias 7 maneiras de parar de gastar tanto dinheiro com comida Dieta restritiva não funciona e pode facilitar ganho de peso, alerta nutricionista

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Em 1984, a filósofa e bióloga feminista Donna Haraway publicou um de seus trabalhos mais famosos, o Manifesto Ciborgue: Ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. Trinta e quatro anos mais tarde, o texto, que critica os limites das identidades de gênero e reflete sobre a influência da ciência e da tecnologia no Ocidente, serviu como inspiração para o estilista Alessandro Michele criar um espetáculo à parte em plena passarela da semana de moda de Milão.Para a grife italiana, o elemento ciborgue pensado por Haraway, e agora revisitado nas passarelas, é um "símbolo de uma possibilidade emancipatória por meio da qual podemos decidir nos tornar quem somos.""Gucci Cyborg é pós-humana: tem olhos nas mãos, chifres de fauno, filhotes de dragão e cabeças duplicadas. É uma criatura biologicamente indefinida e culturalmente ciente. O último e extremo sinal de uma identidade miscigenada em constante transformação."Na narrativa criada por Michele, a passarela ganhou ares de centro cirúrgico, as cabeças dos modelos se tornaram acessórios e o público foi convidado a uma volta ao mundo com direito a filhotes de dragão.Nas roupas, o estilista explorou os limites dos papéis binários de gênero. "Nós existíamos para nos reproduzir, mas já passamos dessa fase. Estamos vivendo em uma era pós-humana, com certeza; está em andamento", argumenta Alessandro Michele sobre a apresentação do desfile.Veja algumas imagens do desfile. Em destaque, alguns trechos do Manifesto Ciborgue."Um ciborgue é um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção. Realidade social significa relações sociais vividas, significa nossa construção política mais importante, significa uma ficção capaz de mudar o mundo.""As coisas que estão em jogo nessa guerra de fronteiras são os territórios da produção, da reprodução e da imaginação. Este ensaio é um argumento em favor do prazer da confusão de fronteiras, bem como em favor da responsabilidade em sua construção.""O ciborgue é uma criatura de um mundo pós-gênero." "O ciborgue aparece como mito precisamente onde a fronteira entre o humano e o animal é transgredida.""As pessoas estão longe de serem assim tão fluidas, pois elas são, ao mesmo tempo, materiais e opacas. Os ciborgues, em troca, são éter, quintessência.""A imagem do ciborgue pode sugerir uma forma de saída do labirinto dos dualismos por meio dos quais temos explicado nossos corpos e nossos instrumentos para nós mesmas. Trata-se do sonho não de uma linguagem comum, mas de uma poderosa e herética heteroglossia.""Significa tanto construir quanto destruir máquinas, identidades, categorias, relações, narrativas espaciais. Embora estejam envolvidas, ambas, numa dança em espiral, prefiro ser uma ciborgue a uma deusa."

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Ninguém é igual a ninguém. A gente fala de igualdade de direitos, que é equidade social. A garantia de direitos trans é a garantia plena de cidadania. O registro civil é uma garantia de cidadania para nós.Thifanny Lima da Silva, 27 anos.A frase acima é da pedagoga Thifanny Lima da Silva que, aos 27 anos, ainda não conseguiu alterar o prenome em seu registro civil. Silva, que se identifica como mulher desde os 6 anos de idade, é natural de Salvador, Bahia, e desde 2014 busca o direito de corrigir o nome civil em seus documentos, mas não obteve um retorno positivo da Justiça brasileira até agora.Assim como Silva, muitas pessoas trans têm recorrido à Justiça para retificar o prenome do registro civil. O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta quinta-feira (22) julgamento que irá decidir se transexuais tem o direito de alterar o nome no registro civil, mesmo sem a cirurgia de redesignação sexual.Em 2017, na mesma ação, 5 dos 11 ministros votaram nesse sentido. Se esse for o entendimento da maioria, a decisão irá servir de base para juízes em todo o País. O julgamento foi interrompido em novembro de 2017 após o ministro Marco Aurélio Mello pedir vista do caso."A gente não é estelionatário. O meu CPF continua o mesmo. O governo não está preocupado com um nome Thiffany, ele está preocupado com o número do meu CPF. Que é o meu cadastro de pessoa física. E isso não vai alterar", desabafa, em entrevista ao HuffPost Brasil.A queixa de Thifanny é que, em seu caso -- como no de muitas pessoas trans --, a mudança de nome tem sido deferida, mas o gênero não. Ou seja, o juiz responsável pelo caso acaba exigindo a cirurgia de redesignação de gênero para que a alteração do nome no registro civil seja feita.Em Salvador existe apenas uma Vara de Registros Públicos, onde estes casos são julgados. Neste ano, Silva, mesmo sem ter feito a cirurgia, escolheu entrar novamente com o processo. Ao HuffPost Brasil, a jovem preferiu não dizer o prenome que recebeu após seu nascimento, já que nunca se identificou com ele."O nome é ascensão social. Entende? Eu tenho o meu nome respeitado, eu tenho a minha integridade respeitada. Aquele nome no qual eu fui registrada ele me expõe ao vexame, ao ridículo", afirma.Mudança de nome e decisão judicialDe acordo com os votos dos ministros do STF até agora, a mudança não seria feita automaticamente no cartório e sim por meio de um processo judicial. Na decisão, o juiz expediria ofício a todos os órgãos públicos responsável por expedição de registros, de modo que a mudança seja aplicada a documentos como título de eleitor, carteira de identidade e passaporte."Ela é uma decisão que, sem dúvida, é um avanço. Ela pretende acabar com posturas de juízes conservadores que acabavam não aceitando o pedido e exigindo que se tivesse passado por uma cirurgia, tomando uma decisão muito baseada em preconceitos pessoais", afirma Renan Quinalha, advogado especialista em direitos LGBT e professor da Unifesp.. "O único porém é que a gente acaba, mais uma vez, dando esse poder para o Judiciário e ainda burocratizando o processo. O que tornaria a vida de pessoas trans muito mais fácil seria a aprovação da Lei João Nery", completa.A Lei João Nery, de autoria dos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Érika Kokay (PT-DF), tramita na Câmara dos Deputados desde 2013 e busca, essencialmente, garantir à população trans o reconhecimento pleno de sua identidade de gênero. Um de seus objetivos é minimizar os processos humilhantes para obter documentos como alteração de registro civil sem precisar, por exemplo, de laudos que afirmam a transexualidade ou transgeneridade.João Nery é considerado o primeiro transgênero do Brasil a ser operado. Isso aconteceu em plena época da ditadura, quando a cirurgia era considerada lesão corporal grave pela lei. O escritor fez a mamoplastia masculinizadora, que consiste na retirada das mamas e transformação do tórax em um de aspecto masculino. Ele também retirou o útero e iniciou um tratamento à base de testosterona. Era 1976 e, dois anos depois, o médico que lhe operou foi condenado a dois anos de prisão por ter feito cirurgia em uma mulher trans em 1971."A neofaloplastia continua experimental para os homens trans. No Brasil, isso significa que o trans, se quiser fazer um novo pênis, teria que procurar um hospital universitário", afirma em entrevista ao HuffPost Brasil. "Temos que evoluir em muitas coisas. Continuamos, para a população em geral, como seres pervertidos, doentes, invisíveis, capazes de contaminar a juventude.""Eu presenciei um caso em que o juiz perguntou se a pessoa se masturba, para provar se ela 'era homem'. Isso é uma pergunta feita corriqueiramente nos julgamentos para ter certeza se a pessoa é transexual. É um constrangimento gigantesco. Eles [os juízes] têm uma paranoia de que podem, na verdade, estar autorizando uma pessoa que quer enganar a sociedade", afirma o advogado Thiago Coacci, membro da Comissão da Diversidade Sexual da OAB-MG.A estudante de Serviço Social na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e mulher trans, de 27 anos, Lana de Holanda Jones, conta que, diferente de Thifanny, escolheu não entrar com o processo para correção de seu nome civil por ser "uma luta muito árdua e que resulta em muito desgaste emocional"."Se eu entrar com um processo para mudar meu nome, serão exigidas várias testemunhas que possam comprovar que eu sou uma 'mulher 24 horas por dia'. O que seria ser uma mulher 24 horas por dia de acordo com a justiça? Andar apenas de vestido e saia? Lavar a louça? Ser sensível? É surreal essa exigência", afirmou ao HuffPost Brasil. "No final vai depender apenas de um juíz a decisão se eu posso ou não mudar meu nome e meu gênero", completa. "E essa ideia me assusta muito. Me deixa muito insegura. O nome é o que existe de mais básico para qualquer ser humano".Nome social é uma "medida provisória"A expectativa da Diretoria de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério de Direitos Humanos (MDH) é positiva. "A gente hoje já tem jurisprudência que você altera o documento. Hoje é uma realidade em quase todos os estados", afirmou ao HuffPost brasil a diretora da área, Marina Reidel.Na avaliação da diretora, o nome social é uma "medida provisória" já que a maioria das pessoas trans tem dificuldade de acesso ao pedido de retificação do registro civil. "Espero que o resultado seja favorável, a exemplo de outros países como a Argentina, que já tem esse processo há muitos anos", afirmou. Ela destacou que o objetivo é evitar constrangimento e sofrimento de pessoas trans.Reidel admitiu obstáculos para que a informação chegue à toda a população interessada, mas afirmou que o governo federal poderia se empenhar em uma campanha de divulgação, no caso de um resultado positivo.A gente vai ter dificuldade com aquelas pessoas trans lá do interior do interior, dos municípios pequenos e muitas vezes até dos grandes municípios que não estão acompanhando esse processo de ativismo.Discriminação e constrangimentos de pessoas transNa avaliação da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), uma decisão positiva do STF irá corroborar com decisões judiciais em diversos estados do Brasil e poderá atingir toda a população trans. De acordo com Keila Simpson, presidente da Antra, nesse processo, a batalha é para que a retificação de prenome civil seja cada vez menos burocratizada.O principal objetivo é evitar constrangimentos cotidianos, como ao ser chamada para uma consulta médica. "Todo mundo vai notar que aquela pessoa que está ali tem essa problemática de ter um nome que aparenta uma condição dentro do seu documento oficial e sua aparência ou identidade social é diferente. Por isso que a gente reivindica tanto a inclusão do nome social junto com o nome de registo", afirmou Keila ao HuffPost Brasil.Apesar de a ação no STF se restringir a transexuais, para a presidente da Antra, a decisão deve valer também para travestis. "O que difere elas é apenas uma condição de perceber-se no mundo como uma pessoa que vive com mente e corpo com todas suas condições biológicas inalteradas, que é o caso das travestis, e as mulheres transexuais experimentam uma forma diferente de ser no mundo. Travesti não reivindica ser mulher. E a população de mulheres transesxuais reivindica essa identidade. Mas os direitos devem ser garantidos sim", afirmou.Na avaliação de Keila Simpson, pessoas trans ainda não são respeitadas pela sociedade e que a luta por direitos acontece pouco a pouco."Qualquer iniciativa que venha a dialogar com essas pessoas, que venha trazer horizontes para nossa população devem ser pensadas. E devem ser decididas e respondidas por quem de direito. Se uma pessoa que não precisa do nome social é contra, a gente entende que essa pessoa está adentrando um direito que não é dela porque se uma pessoa precisa do nome social, ela deve e tem que buscar esse direito. Se você não precisa, então não é com você essa matéria. (...) Qualquer outra coisa que se faça em cima disso é pura discriminação das pessoas que não compreendem."A presidente da Antra lembra também da dificuldade para cirurgia de mudança de gênero no SUS. "Só temos 5 serviços no Brasil que estão aptos a fazer esse tipo de procedimento e todas unidades estão com filas enormes", afirmou. De acordo com ela, o ideal seria um unidade por estado.Keila critica também a burocracia no procedimento e a "patologização" em torno do tema. "Um fator de dificuldade ainda é a forma como os homens trans estão entrando nessa esfera, que também ainda é muito tímida. A gente acredita que é preciso uniformizar essas ações", completa.Sobre o número de centros especializados na cirurgia, Reidel afirmou que a Diretoria LGBT tem mantido um diálogo permanente com o Ministério a Saúde e com estados em busca de ampliar o número de unidades.O direito à correção de nome no BrasilA Resolução de nº 12 do Conselho Nacional de Combate à discriminação LGBT, de 2015, prevê o uso do nome social nas instituições de ensino tanto em comunicações orais quanto em formulários como matrícula, registro de frequência e avaliações.A norma prevê também o uso de banheiros e de uniformes nas escolas de acordo com a identidade de gênero. O documento, contudo, recomenda o uso do nome civil para documentos oficiais, junto com o nome social.Em janeiro, o MEC (Ministério da Educação) homologou uma resolução no mesmo sentido. Já um decreto de 2016 prevê o uso do nome social na administração pública. Desde 2013, o Ministério da Saúde permite o uso do nome social no Cartão SUS.O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu em 2017 que transexuais têm direito à alteração do gênero no registro civil, mesmo sem a cirurgia de mudança de sexo. A decisão foio sobre um caso específico, e não obriga outros tribunais a decidirem da mesma maneira, mas serve de referência para casos semelhantes em instâncias inferiores.LEIA MAIS: Da negligência à realidade: Um passo a passo para denunciar a violência contra pessoas LGBTs no Brasil Este guia quer ajudar LGBTs a viajar pelo mundo de forma (muito mais) segura 4 projetos de lei que podem mudar a vida de LGBTs brasileiros em 2018

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Viola Davisserá homenageada com uma mostra gratuita de filmes no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, nos dias 6, 7 e 8 de março.A programação celebra o Dia Internacional da Mulher e a carreira da primeira atriz negra a conquistar a Tríplice Coroa de Atuação, composta pelos três principais prêmios do cinema, teatro e TV: Oscar, Tony e Emmy, respectivamente.Com carreira iniciada no teatro, a protagonista da série How To Get Away With Murder é hoje um dos nomes mais ativos na discussão sobre representatividade negra em Hollywood.Viola acumula mais de 20 trabalhos no cinema.A fama global veio após a participação no filme Dúvida (2008), dirigido por John Patrick Shanley, no qual ela contracena com Meryl Streep. O longa, que rendeu a primeira indicação da atriz ao Oscar, é um dos destaques da mostra.A programação do MIS exibe também outros dois longas importantes na carreira de Viola: Histórias Cruzadas (2011), de Tate Taylor, e Um Limite Entre Nós (2016), de Denzel Washington. Por este último, a atriz conquistou sua primeira estatueta do Oscar.Os ingressos para mostra devem ser retirados 1 hora antes de cada sessão na recepção do museu, que está situado na zona oeste de São Paulo. A instituição alerta que as salas de projeção estão sujeitas à lotação.Veja a programação completa e as sinopses* dos filmes:6 de março18h - Lila e Eve (2005) - Direção: Charles StoneSinopse: O filho de Lila (Viola Davis) foi assassinado em um tiroteio. Quando ela começa a frequentar um grupo de apoio, conhece Eve (Jennifer Lopez), que também perdeu a filha. Como Lila segue insatisfeita com os resultados dos trabalhos da polícia, Eve a aconselha a procurar justiça com as próprias mãos. As duas embarcam em uma jornada de vingança, que acabará por afetar a recuperação das duas.20h30 - Dúvida (2008) - Direção: John Patrick ShanleySinopse: Bronx, 1964. Numa escola católica, o padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) entra em confronto com a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), diretora da instituição que dirige com mão de ferro. Quando a ingênua irmã James conta à irmã Aloysius que o padre Flynn presta demasiada atenção a um dos rapazes, a diretora acredita ter descoberto o maior pecado e encontrado o que precisava para afastar o sacerdote. A irmã Aloysius não tem nenhuma prova, mas a dúvida que cerca o caráter do sacerdote faz com que a comunidade fique dividida.7 de março18h - A Luta Por um Ideal (2012) - Direção: Daniel BarnzSinopse: Jamie Fitzpatrick (Maggie Gyllenhaal) e Nona Alberts (Viola Davis) são duas mulheres completamente diferentes, mas que compartilham o mesmo desejo de fazer com que seus filhos tenham direito a uma educação melhor. Apesar da difícil missão, elas estão decididas a enfrentar todos os processos burocráticos e quaisquer desafios que impeçam suas crianças de frequentarem uma escola preparada para lhes darem a chance de um futuro melhor.20h30 - Um Limite Entre Nós (2016) - Direção: Denzel WashingtonSinopse: Baseado na aclamada e premiada peça teatral homônima, o filme se passa nos anos 1950. Troy Maxson (Denzel Washington) tem 53 anos e mora com a esposa, Rose (Viola Davis), e o filho mais novo, Cory (Jovan Adepo). Ele trabalha recolhendo lixo das ruas e batalha na empresa para que consiga migrar para o posto de motorista do caminhão de lixo. Troy sente um profundo rancor por não ter conseguido se tornar jogador profissional de baseball, devido à cor de sua pele, e por causa disto não quer que o filho siga como esportista. Isto faz com que o jovem bata de frente com o pai, já que um recrutador está prestes a ser enviado para observá-lo em jogos de futebol americano.8 de março17h30 - Os Suspeitos (2013) - Direção: Denis VilleneuveDepois que sua filha de seis anos e uma amiga dela são sequestradas, Keller Dove, um carpinteiro de Boston, enfrenta o departamento de polícia e o jovem detetive encarregado do caso para fazer justiça com as próprias mãos.10h - Histórias Cuzadas (2011) - Direção: Tate TaylorSinopse: O filme é ambientado na pequena cidade de Jackson, no Mississipi, na década de 1960. É onde mora Skeeter (Emma Stone), uma garota recém-formada, que sonha em ser escritora. Para isso, ela coloca a cidade de cabeça para baixo quando decide fazer uma pesquisa e entrevistar as mulheres negras da cidade, que abandonaram suas vidas para cuidar das famílias do sul e criar os filhos da elite branca - da qual Skeeter faz parte. A garota consegue o apoio de Aibileen Clark (Viola Davis), que trabalha na casa da melhor amiga de Skeeter, e concede a primeira entrevista à futura escritora. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.* Os textos foram retirados do evento oficial do MIS no Facebook.SERVIÇO:Mostra Viola DavisDias 6, 7 e 8 de marçoLocal: Auditório MIS (172 lugares)Avenida Europa, 158, Jardim Europa - SPIngresso: Gratuito (sujeito à lotação da sala – retirada de ingressos com uma hora de antecedência na recepção MIS).LEIA MAIS: ‘The Post’: Os atuais desafios da imprensa e como eles afetam o debate político Viola Davis, Natalie Portman e Scarlett Johansson: O discurso das famosas na Marcha das Mulheres contra Trump

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Pré-candidato pelo PDT à Presidência da República, o ex-ministro Ciro Gomes é conhecido pela língua afiada. Até ele tem feito graça sobre a fama.Em junho do ano passado, em debate sobre a reforma da Previdência, o ex-ministro explicou que o jeito espevitado custa caro."[Sou] processado pelo Quércia, pelo Michel Temer, pelo Eduardo Cunha... É uma honra grande. Vou apresentar meu currículo. É troféu, eu sei. Mas custa caro, meu patrão", disse.O último caso naquela época, segundo ele, tinha sido com o presidente Michel Temer."Na véspera da delação do gângster da JBS, ele ganhou R$ 30 mil do miserável aqui em um processo lá em Brasília. Eu vou tomar de volta. Não paguei, não, porque ainda estou recorrendo. Simplesmente, porque eu disse que ele era um golpista. Como é que pode um negócio desses? Imagina se ele tivesse visto eu chamando ele de bandido", emendou.LEIA MAIS 'PT confraterniza com golpistas e não aprendeu com seus erros', diz Ciro Gomes Doria rebate críticas de Ciro Gomes: 'Confirmou instabilidade emocional e desequilíbrio político' Ciro Gomes: 'Mil vezes um Bolsonaro do que um enganador como o Doria'

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Esta quinta-feira (22) é comemorado o Dia Internacional da Margarita, tradicional drink mexicano feito à base de frutas, tequila e licor de laranja.Não se sabe ao certo quando a bebida alcoólica foi criada. Dizem que a margarita poe ter sido inventada por volta de 1940, em honra à Margarita Henkel, filha de um embaixador alemão, que estava no México na época. Outra versão é que foi criada por Margaret Sames, mulher da alta sociedade que passava férias no México e costumava misturar bebidas aos seus convidados.Histórias à parte, a bebida caiu no gosto de todo o mundo e se consolidou como um dos drinks mais pedidos em bares, festas e sociais.Se você quer comemorar o Dia da Margarita, o restaurante Guacamole Cocina Mexicana ensina a receita clássica do drink.Ingredientes:60 ml de suco de limão120 ml de tequila El Jimador Blanco 100% agaveAçúcar a gostoSal55 ml de licor de laranjaComo fazer: Bata o suco de limão com açúcar a gosto, acrescente a tequila e o licor de laranja. Para preparar a taça, vire-a de cabeça para baixo e molhe a bordinha dela em uma vasilha com água. Faça a mesma coisa em uma vasilha com sal. Coloque quanto quiser de gelo triturado, acrescente a mistura do drink e... ¡salud!

  • huffpostbrasil.com
  • 3 days ago

Ansiedade e medo são emoções normais e esperadas, tanto na existência humana quanto na de animais. Esses são instintos primitivos que têm um sentido de existir, já que quando estamos com medo, invariavelmente estamos mais em alerta ao que acontece em nosso entorno. No estado de alerta, são ativadas respostas fisiológicas que nos preparam para enfrentar um perigo, seja lutar contra um grande animal ou resistir a uma situação de violência.Mas você sabe quando o medo e a ansiedade se tornam um problema de saúde mental?De acordo com psiquatra Pedro Pan Neto, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), essas reações devem ser temporárias. Se elas persistem, tornam-se fobias e acabam por desencadear transtornos mentais."Uma pessoa exposta ao perigo de violência constante e a eventos traumáticos aumenta a chance de desenvolver um problema de saúde mental. O estresse é muito subjetivo e tem relação com a vulnerabilidade de cada pessoa", explica o psiquiatra em entrevista ao HuffPost Brasil.Como o seu corpo reage em uma situação de medo e estresse?Do ponto de vista cerebral, neurotransmissores como a serotonina e a adrenalina participam desse processamento.Outra região importante que é ativada é a estrutura do hipotálamo e da amígdala cerebral.No corpo, o coração começa a bater mais forte, ocorre a falta o ar e é impossível controlar a respiração.Tudo isso se torna um ciclo vicioso em uma cadeia de eventos fisiológicos, com direito a boca seca e a formigamento em todos os membros.Para recuperar o equilíbrio em momentos de estresse, Pedro Pan Neto aconselha focar em técnicas de respiração e relaxamento.(Respire devagar: Inspirando e expirando)O Brasil tem a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde.Para o psicólogo social Fabio Iglesias, pesquisador da UnB (Universidade de Brasília), o aumento da violência em grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro, está diretamente ligado ao recrudescimento desses quadros de ansiedade."As pessoas permanecem em um estado de alerta constante. E um dos efeitos disso é que a gente acaba sendo muito agressivo com as outras pessoas. Você se prepara para reagir sempre de uma maneira negativa em relação ao outro", argumenta Iglesias.Para Iglesias, o medo do crime, muito mais que o crime em si, é que é responsável por gerar um problema social."Basta examinar: quantas vezes você foi assaltado ou sofreu qualquer tipo de ação criminal? Certamente foram algumas vezes, muito mais do que você gostaria, mas poucas vezes. Agora, quantas vezes você sentiu medo de ser assaltado? De que modo isso permeia a sua rotina? De que forma isso influencia como você se coloca no mundo, desde a escolha da sua roupa até o lugar que você vai frequentar?", questiona.Em 2017, a violência no Rio de Janeiro foi comparada a situações vividas em guerras. Foram mais de 6 mil mortes violentas, de acordo com os dados do Instituto de Segurança Pública. No total, 7 em cada 10 moradores do Rio afirmaram querer deixar a capital por conta da violência.Para o psicólogo, os números assustam, mas ainda são pouco compreendidos frente aos efeitos que isso tem em nosso comportamento e em nossa saúde.Por exemplo, quem vive em constante estado de tensão sofre mais do coração, tem maior predisposição a doenças respiratórias e de estresse, explica o psicólogo social. Outro comportamento observado é a escalada de agressividade urbana."Muitas vezes você tem mais pequenos problemas de agressão entre as pessoas do que propriamente os casos de disparos da arma do bandido, mas isso não é contabilizado. É o caso das brigas de trânsito, por exemplo. Em sociedades pacíficas você não tem tantos motivos para que o outro seja tão agressivo com você."O suporte social e a vigilância no controle do medoMas como conviver com a escalada de violência? Para o psicólogo, o suporte social é o melhor antídoto para a sensação de medo. "Nós precisamos criar vínculos para nos sentirmos seguros", comenta.Em Morte e Vida das Grandes Cidades, Jane Jacobs traz o conceito de "os olhos das ruas" para defender que o planejamento urbano tem impacto direto na redução da criminalidade. Ações aparentemente simples como o corte de árvores, a manutenção de jardins e a disposição de bancos para as pessoas sentarem tornam as ruas mais vivas, com a presença dos desconhecidos-conhecidos, e, invariavelmente, mais seguras."O crime geralmente ocorre em um lugar movimentado, porque gera anonimato, ou num lugar muito ermo, porque não é visível. No lugar que é vigiado, controlado, seja pelo porteiro ou pelas pessoas ocupando as ruas, geralmente não ocorre o crime. Porque a pessoa que vai cometer o crime se sente exposta e constrangida", argumenta Fabio Iglesias.A prevenção por meio da análise do ambiente físico não é nenhuma novidade, explica o psicólogo social.No início dos anos 90, Rudolph Giuliani, o então prefeito de Nova York, adotou a política da tolerância zero ao crime. Baseada nas premissas da psicologia social, a política não se tratava de ser intolerante apenas com os bandidos, mas de reprimir qualquer tipo de infração na cidade, até mesmo jogar lixo no chão."A ideia por trás da ação era de que se a população tivesse a percepção de que está tudo em ordem, o bandido pensaria duas vezes antes de cometer um crime. Se você tem uma percepção de manutenção do espaço e da vigilância natural, você fortalece o controle da criminalidade", acredita Iglesias.LEIA MAIS 11 maneiras de manter a saúde mental em meio à onda de denúncias de assédio sexual A brilhante resposta do CEO à funcionária que pediu folga para cuidar de sua saúde mental Precisamos falar sobre saúde mental: Depressão afeta mais de 300 milhões no mundo

  • huffpostbrasil.com
  • 4 days ago

Depois de o governo editar o decreto que estabeleceu a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, o Congresso decidiu se mobilizar. Tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal estão debruçados em cima de pautas que atacam a área de segurança pública.Entre as principais medidas está a revisão do Estatuto do Desarmamento, em análise na Câmara dos Deputados, e propostas voltadas para o sistema carcerário no Senado Federal.Responsável por projetos de segurança, a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) apresentou, a pedido do presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), relatórios para projetos que mudam as regras do saidão, dos atenuantes para criminosos com menos de 21 anos e bloqueiam o uso de telefones celulares nos presídios.No caso da saída temporária, a proposta prevê que em vez de o preso ter direito de deixar a prisão até 5 vezes por ano, por até 7 dias, eles tenham direito de sair 8 dias por ano e, em cada saída, 2 ou 3 dias.O texto em tramitação na Casa altera ainda o rigor para conquistar esse benefício, como o aumento no tempo de cumprimento da pena de 25% para 50% no caso de reincidente."Quando ocorrem crimes, são justamente no saidão e por isso nós o reduzimos isso", argumenta Simone Tebet. A senadora acrescenta que não vê diferença entre quem comete um crime com 21 ou 22 anos, por isso justifica mudança no atenuante.Já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o texto que acaba com o atenuante para quem comete crime antes dos 21 anos extingue a redução pela metade do prazo para prescrever um crime."Se a Justiça não acionar o jovem em determinado tempo ele não pode ser mais processado e a pena dele é reduzida pela metade porque ele é menor de 21 anos. Qual a diferença de um jovem de 20, 21 para um jovem de 23 e 24", questiona Tebet.Outra proposta relatada pela senadora é o bloqueio de celulares nas cadeias. Ela destaca que, de dentro do presídio, o traficante Nem mandou colocar fogo na Rocinha.O projeto determina que o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) patrocine a instalação de aparelhos que bloqueiem imediatamente sinais de telecomunicação em penitenciárias.Posse de armasNa Câmara dos Deputados, um dos projetos em análise é o que facilita o acesso às armas, especialmente para quem não tem antecedentes criminais. A informação é do jornal O Globo. Entre as possíveis alterações está a extinção da exigência de exposição de motivos para requerer a posse de arma.Projetos menos polêmicos, entretanto, têm mais facilidade de ganhar agilidade na votação. Segundo o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), já na próxima semana a Câmara deve analisar proposta que cria o sistema único de segurança pública (Susp) e anteprojeto que coíbe o tráfico de drogas e armas que está sendo elaborado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes.Intervenção federalEmbora esteja entre os temas em análise no Congresso desde o ano passado e tenha sido o principal mote da abertura dos trabalhos este ano, a pauta de segurança pública ganhou força depois da intervenção federal no Rio de Janeiro.A medida estabelece que toda segurança no Rio de Janeiro passe a ser comandada por um interventor. O escolhido pelo presidente Michel Temer foi o general Walter Braga Netto.É a primeira vez desde a promulgação da Constituição, em 1988, que há uma intervenção federal decretada. A medida dividiu opiniões. Enquanto os defensores argumentaram que era preciso dar uma resposta à crise de segurança no Rio, críticos questionaram indefinições e possíveis violações de princípios constitucionais.LEIA MAIS Álvaro Dias, Cristovam e Collor estavam ausentes na votação da intervenção no Rio de Janeiro Intervenção federal não será efetiva por limitação ao poder do militar, diz Bolsonaro Senado acelera e aprova intervenção federal na segurança no Rio de Janeiro

  • huffpostbrasil.com
  • 4 days ago

Três vezes vencedor do Oscar, Daniel Day-Lewis é o protagonista de Trama Fantasma, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (22).Escrito e dirigido Paul Thomas Anderson (Magnólia), o filme se passa na Inglaterra pós-Guerra e conta a história de um excêntrico estilista chamado Reynolds Woodcock. Bem-sucedido em meio à realeza, estrelas de cinema e socialites, ele vê sua vida sair dos eixos ao se envolver com a jovem Alma, vivida por Vicky Kriep.Por seu trabalho, Day-Lewis pode levar para casa sua quarta estatueta do Oscar. Além da categoria de Melhor Ator, o longa concorre em outras cinco: Melhor Filme, Direção, Atriz Coadjuvante, Trilha Original e Figurino.Veja o trailer:Em vídeo divulgado pela Universal Pictures, o ator, o diretor e membros da equipe de design do longafalam sobre o processo de criação dos cenários em que o protagonista circula, que remetem aos casarões de moda da década de 1950.O diretor revela que a inspiração para a criação dos ambientes vistos no longa veio de relatos que leram da época: "Eles tinham essas grandes casas georgianas na cidade que eram maravilhosas com grandes escadarias. Eles estavam sempre na moradia onde viviam e trabalhavam".Assista ao vídeo:Trama Fantasma marca a aposentadoria de Day-Lewis nos cinemas."Não tenho um plano. Preciso de um tempo para pensar nisso, mas estou sem pressa. Tenho filhos que precisam de mim. Mas o que quer que seja, vou me concentrar para fazer bem. É a minha natureza", disse o astro de 60 anos em entrevista ao Fantástico.Ao longo de quatro décadas de atuação, o ator britânico estrelou mais de 20 produções no cinema, entre elas, títulos celebrados pela crítica como A Época da Inocência (1993), Gangues de Nova York (2002) e Sangue Negro (2007) - este último também dirigido por Thomas Anderson.Em 2014, ele foi condecorado cavaleiro no Palácio de Buckingham, residência oficial da família real britânica. Ele recebeu o título de "Sir" das mãos do príncipe William.Além de Trama Fantasma, outros cinco filmes estreiam nos cinemas brasileiros nesta quinta. São eles: Pequena Grande Vida, de Alexander Payne; o drama A Grande Jogada, de Aaron Sorkin; o documentário brasileiro Paulistas, de Daniel Nolasco, e Minha Amiga do Parque, de Ana Katz.LEIA MAIS: ‘The Post’: Os atuais desafios da imprensa e como eles afetam o debate político Por dentro da cena mais eletrizante de Meryl Streep em 'The Post - A Guerra Secreta'

  • huffpostbrasil.com
  • 4 days ago

Os senadores Álvaro Dias (Podemos-PR), Fernando Collor de Mello (PTC-AL) e Cristovam Buarque (PPS-DF), todos de olho na disputa pelo Palácio do Planalto, estavam ausentes na votação da intervenção no Rio de Janeiro. O texto foi aprovado por 55 votos a favor, 13 contra e uma abstenção.Pré-candidato pelo Podemos, Álvaro Dias afirmou que votaria a favor da intervenção, mesmo com ressalvas à medida. "Tenho que colocar em primeiro lugar a população. Há uma aspiração por menos violência no Rio de Janeiro", afirmou antes da votação.O parlamentar ressaltou, contudo, que a decisão revela a "impotência do governo, que é consequência da sua incompetência e da corrupção que assombrou o país e levou o Brasil a viver essa tragédia, esse caos". Ele chamou a intervenção de medida contemporizadora e afirmou que não era a forma adequada de combater a violência no País.De acordo com o presidenciável, o decreto "mais parece uma obra do marketing político" e uma "atitude oportunista" a fim de fugir da derrota da reforma da Previdência e da votação do fim do foro privilegiado. Ambas as propostas de emenda à Constituição não podem ser votadas até o fim da intervenção, em 31 de dezembro.Segundo a assessoria do senador, a votação atrasou muito e, como o resultado estava garantido, o senador teve que sair para um compromisso.Já Cristovam Buarque está de licença médica até o fim da semana. Internado desde 11 de fevereiro por uma pneumonia, o senador recebeu alta neste domingo (18). Na segunda-feira (19), chegou a trabalhar, mas o médico recomendou repouso, de acordo com sua assessoria de imprensa.O senador afirmou que teria votado a favor da intervenção, que classificou como "desastre necessário", diante de "centenas de comunidades" sob controle do crime organizado e do tráfico de drogas e do fim do direito de ir e vir em paz no Rio.No texto "E se não der certo", o senador afirma que cabe aos parlamentares fiscalizar as ações do interventor e ressalta pontos não esclarecidos pela medida. Ele pergunta o que garante a efetividade da medida, o que será feito em casos de indisciplina das forças policiais, qual será a jurisdição no caso de morte de inocentes e que medidas sociais o governo federal irá tomar para complementar o papel do Exército, dentre outros pontos.As FFAA ainda têm uma reserva de credibilidade. O que vai acontecer se elas falharem? Ou se acertarem ao custo de violência contra brasileiros? #intervencaofederal — Cristovam Buarque (@Sen_Cristovam) 19 de fevereiro de 2018Cristovam está disposto a disputar a Presidência pelo PPS, mas o partido ainda não decidiu se terá candidato próprio e quem seria. A definição deve sair no congresso da legenda, entre 23 e 35 de março.Pré-candidato ao Planalto pelo PTC, Fernando Collor, por sua vez, não se posicionou sobre a intervenção. Procurada, a assessoria do senador afirmou que ele se pronuncia pelos discursos em plenário ou pelas redes sociais.Polêmicas da intervenção no RioO presidente Michel Temer editou na última sexta-feira (16) o decreto que nomeou o general Walter Souza Braga Netto interventor na segurança pública do estado do Rio. Com a medida, todas as forças de segurança, incluindo polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros Militar, ficam subordinadas a ele.De acordo com Temer, a decisão foi tomada "porque as circunstâncias assim exigem". O presidente afirmou que o crime organizado quase tomou conta do estado do Rio de Janeiro. "É uma metástase que se espalha pelo País", afirmou em pronunciamento ao assinar o decreto.O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na madrugada de segunda para terça-feira (20) e pelo Senado na noite desta terça. Foram 55 votos a favor, 13 contra e uma abstenção, do senador Roberto Requião (PMDB-PR).É a primeira vez desde a promulgação da Constituição, em 1988, que há uma intervenção federal decretada. A medida dividiu opiniões. Enquanto os defensores argumentaram que era preciso dar uma resposta à crise de segurança no Rio, críticos questionaram indefinições e possíveis violações de princípios constitucionais.Nesta terça-feira, o Ministério Público Federal emitiu uma nota técnica em que considera ilegal a possibilidade de a Justiça expedir mandados de busca e apreensão coletivos. A medida foi anunciada pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, na segunda-feira (19).Já o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse ser necessário dar aos militares "garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade", na reunião do Conselho de Defesa Nacional, em referência a investigações de crimes na ditadura militar. Na reunião com Temer, o militar defendeu alteração no regramento jurídico na intervenção.Participei do Conselho de Defesa Nacional, onde apresentei ao Sr Presidente da República algumas considerações q entendo fundamentais ao êxito da Intervenção Federal no RJ: integração do Poder Judiciário e do MP, alteração no regramento jurídico e recursos financeiros adequados. — General Villas Boas (@Gen_VillasBoas) 20 de fevereiro de 2018Crimes dolosos contra a vida (com intenção) são julgados pelo tribunal do júri, mas em 2017 uma alteração na lei transferiu a competência desses casos para a Justiça Militar nos casos de missões de garantia da lei e da ordem (GLO). Esse era o regime em vigor no Rio de Janeiro até a intervenção militar.LEIA MAIS Intervenção federal não será efetiva por limitação ao poder do militar, diz Bolsonaro Jovens negros do Rio que gravaram manual de sobrevivência temem intervenção federal

  • huffpostbrasil.com
  • 4 days ago

De palestras sobre mudanças sociais, percepções enquanto mulherem um mundo machista, até outras sobre como o cérebro funciona e o entendimento que temos sobre a morte. Todos esses temas já foram abordados em Ted Talks que, desde 1984, aborda uma infinidade temas em suas conferências.E no Brasil não foi diferente.Desde 2015, cientistas, ativistas, filósofas, personalidades e empreendedoras brasileiras já participaram do evento e compartilharam sua experiência com o público. Muitas delas, experiências que são capazes de mudar e ampliar a visão de mundo do expectador.Aqui estão 11 vídeos de mulheres brasileiras compartilhando suas histórias -- e que certamente vão te inspirar.1. Nataly NeriEm "A Mulata Que Nunca Chegou", Nataly fala sobre racismo, estigmatização e todas as formas de sexualização e preconceito que uma mulher sofre por ser negra.2. Suzana Herculano HouzelO cérebro humano é um enigma até para a própria ciência. Em "O que o cérebro humano tem de tão especial?" a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel põe seu chapéu de detetive e nos conduz por esse mistério.3. Jurema WerneckJurema Wernek é médica por formação, mas ativista porque a vida a fez assim. Atualmente, é diretora da Anistia Internacional no Brasil. Em "O Futuro do Futuro" ela, que é ativista desde a infância, usa referências da ficção cientifica para falar como lidamos com o presente -- e como a nossa noção de futuro é equivocada.4. Ana Claudia Quintana ArantesComo você se relaciona com a morte? Por um lado, aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares. Por outro, resgatar a biografia de pacientes. Esse é o exercício diário de Ana Claudia Quintana Arantes em "A morte é um dia que vale a pena viver". Ela é médica formada pela FMUSP e especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto.5. Juliana de FariaA noção de que o corpo da mulher é público, e que isso precisa ser mudado. Juliana de Faria, em "Cantada não é elogio", faz um apelo contra o assedio sexual e a violência contra a mulher. Ela também fala sobre a campanha "Chega de Fiu Fiu", da qual é criadora e que tem o objetivo de combater o assédio sexual em locais públicos.6. Monique EvelleSer feliz fazendo o que ama. Não ter um chefe. Ter um horário flexível. A ideia vendida pelo mundo "ideal" do empreendedorismo parece sedutora, mas está longe de pertencer à realidade de milhares de empreendedores da vida real. Em "O mito de ser feliz fazendo o que se ama", Monique Evelle, que é uma das vozes do feminismo negro no Brasil, fala da veia empreendedora das mulheres negras -- e sobre os equívocos que fórmulas prontas do sucesso trazem.7. Helen RamosSer mulher. Ser mãe. Ser julgada de todas as formas possíveis. E sobreviver a isso falando abertamente sobre o quão difícil e complexo é colocar um filho no mundo. Helen Ramos, dona do canal no YouTube "Hell Mother", em "Maternidade real", divide a sua experiência como mãe solo do Caetano.8. Taís AraújoA atriz Taís Araújo, em "Como criar crianças doces em um País ácido" fala do desafio de criar filhos no Brasil de hoje. Primeira atriz negra a ser protagonista de novela brasileira. Por esse trabalho, tornou-se conhecida internacionalmente e foi eleita um dos 50 rostos mais lindos do mundo pela revista People. Foi também a primeira protagonista negra de uma telenovela da Rede Globo em Da Cor do Pecado, a novela brasileira mais vendida para o exterior até 2012. A atriz é um ícone do empoderamento negro e militância por igualdade racial.9. Jout JoutJout Jout, em "Vamos nos amar virtualmente", fala sobre seu vídeo viral "Não tira o batom vermelho", que alerta sobre relacionamentos abusivos, e sobre como se tornou amiga virtual de mais de 200 mil pessoas pelo seu canal do Youtube falando de temas triviais e "destabulizando" tabus.10. Djamila RibeiroEm "Nós precisamos romper com os silêncios", a filósofa Djamila Ribeiro faz uma palestra sobre inclusão social e justiça e fala sobre questões como o direito à voz em uma sociedade que se silencia frente às desigualdades.11. Jessica TauaneEm "Acredite: Você é linda", a ativista e youtuber Jessica Tauane fala sobre a necessidade de desconstruir padrões de beleza e construir amor próprio. Jessica é comunicóloga com ênfase em novas mídias pela PUC-SP e Youtuber dos canais "Canal das Bee" e "Gorda de Boa", canais focados em ativismo LGBT, empoderamento feminino e humor.

  • huffpostbrasil.com
  • 4 days ago

Se você gostou das paisagens do sul da Itália que servem de cenário para o filme Me Chame Pelo Seu Nome(Call me by Your Name), certamente vai ficar deslumbrado com as publicações do Call me by Monet.Nos últimos dias, o perfil no Instagram e no Twitter tem publicado imagens do longa dirigido por Luca Guadagnino com cenários de fundo diferentes daquele vistos no cinema - tão bonitos quanto os originais.Saem campos e árvores vivas. Entram obras do pintor impressionista Claude Monet (1840-1926).Na descrição do perfil há apenas o seguinte parágrafo:- Aqui - disse, como se fosse um prefácio para manter o interesse dele vivo - é onde Monet costumava pintar.Trata-se de um trecho do segundo capítulo do livro homônimo de André Aciman, no qual filme é inspirado. Em Penhasco de Monet, o leitor acompanha a descrição de dos passeios e diálogos entre os protagonistas Elio e Oliver.A seguir, você acompanha algumas colagens compartilhadas pelo perfil:Remember when we were playing volleyball? And I touched you, just to show you, that I liked you? in The Parc Monceau by Claude Monet (1876) pic.twitter.com/0ftRynow0f — call me by monet (@cmbynmonet) 20 de fevereiro de 2018We're going to Lake Garda in Camille Monet at the Window, Argentuille by Claude Monet (1873) pic.twitter.com/prfKyQKhXE — call me by monet (@cmbynmonet) 17 de fevereiro de 2018I can show you around. in The Sheltered Path by Claude Monet (1873) pic.twitter.com/eWL98QEeog — call me by monet (@cmbynmonet) 2 de fevereiro de 2018"Did I offend you?" in The Wheat Field by Claude Monet (1881) pic.twitter.com/ox4GZ5ThJe — call me by monet (@cmbynmonet) 30 de janeiro de 2018Truce? in Pourville, Sunset by Claude Monet (1882) pic.twitter.com/AJLLFo3kO1 — call me by monet (@cmbynmonet) 30 de janeiro de 2018Protagonizado por Timothée Chalamet (Lady Bird) e Armie Hammer (A Rede Social), o filme Me Chame Pelo Seu Nome conta a história de um adolescente que se depara com o primeiro amor e os dilemas da sexualidade.Delicado drama LGBT, o filme agradou a crítica e concorre em quatro categorias do Oscar 2018: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (Mistery of Love, de Sufjan Stevens).O longa está em cartaz em cinemas de todo o País. Assista ao trailer: